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Título de livro não editado: Assim de repente
Arquivo in: “Meo Cloud”
Mote: Imagem e letras (Num rosto de tom salgado)
Autora: Rosa Silva (“Azoriana”)

 

Num rosto de tom salgado
Pela vida de maresia
Entre um tom desbotado
Que só alegra a poesia.

Num rosto de olhar marcado
P'la serra da freguesia
Onde o meu ser foi criado
Entre regaços de alegria.

Quero com isto dizer
Que o que pode aparecer
Nem assim é tão perfeito.

Trago ondas de amargura
Misturadas com doçura
Que me ardem ao meu jeito.

 

Título de livro não editado: Sentir de ilhoa
Subtítulo: Entre sorrisos e amargura in Azoriana Blogue
Arquivo in: “Meo Cloud”
Mote: Há de haver
Autora: Rosa Silva (“Azoriana”)

 

Há de haver quem me defenda
No augusto chão nublado;
Entre a rima sem emenda
Tudo foi por mim criado.

Há de haver quem me entenda
Desde o berço embalado
No quarto da minha senda
Para ser depois rimado.

Há serões e há nascentes
De comparsas linhas loucas
Que a voar não ficam ocas.

Há amizades crescentes
Em cada quadra que vai
P’la minha mãe e meu pai.

 

Título de livro não editado: Sentir de ilhoa
Subtítulo: Entre sorrisos e amarguras no cantinho serretense – Serreta documentário
Arquivo in: ISSUU Publications
Soneto in livro editado: Serreta na intimidade
Mote: Página pessoal sobre a freguesia da SERRETA
Autora: Rosa Silva (“Azoriana”)

 

Em ti, nesse teu ventre tão contente,
sonhei. Sou filha dum amor, primeiro.
Do céu, nem esse denso nevoeiro
sequer impediu um olhar, de frente.

Ali, meu ser até esteve presente.
Sim! No terreno alto sobranceiro
serena ao mar o vulcão desordeiro
que tanto agoniou esta gente.

Gritou mas agora ficou calado;
Dorme nesse soninho sossegado
porque a ninguém quer incomodar...

Brilha! Minha linda terra natal
e que não te suceda algum mal.
Canto a Serreta... Tu foste o meu lar!

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Amaro do Matos. 20 Maio 2016

"Por gentileza do Jornal do Pico foi hoje publicado um texto, mais ou menos longo, sobre Manuel Inácio Nunes. É só mais um contributo para que a sua figura seja relembrava com a vénia que todos nós lhe devemos. Por mim fiz o que pude.

O Senhor Nunes

Desde há muito que avalio a importância dos nossos lugares com base na capacidade e influência que neles tiveram os valores humanos que os preencheram.

Acredito, pelo cruzamento que vou fazendo de inúmeros fatores, que a verdadeira importância de muitos lugares das nossas Ilhas se encontra na sua história, bem como na história dos seus ancestrais. Concluindo, acho que o grande ativo destes lugares é o seu património histórico, cultural e social.

Vem isto a propósito da homenagem que, finalmente, após 69 anos da sua morte, os Açores prestaram a Manuel Inácio Nunes, um dos seus filhos mais ilustres, nascido em Santo Amaro do Pico a 1 de Julho de 1874, um dos sete filhos de Estolano Nunes Teixeira e de Ana Bernarda, que emigrou para os EUA quando contava apenas 17 anos, em 1891.

O autor destas linhas, nascido na mesma freguesia da Ilha do Pico, 60 anos após este ter emigrado, tem lembranças muito precoces deste seu conterrâneo: O senhor Nunes.

Era assim que se falava deste senhor. O filho do Estulano e neto do Daniel Nunes, com mais uma ou outra ligação apontada à família dos Teixeiras, por parte do pai e à dos Jorges e dos Côcos, pela da Mãe, era sobretudo falado pela grande fama que tinha conquistado na América, mais propriamente na Califórnia, a fazer barcos.

Também se falava do Senhor Nunes por no ano da fome, 1923, tendo na América conhecimento dessa calamidade, ter feito chegar a Santo Amaro 96 sacos de milho, que foram distribuídos pelos mais carenciados de todo o Concelho de S. Roque. Igualmente se ligava o seu nome a um donativo para obras na Igreja, no valor de 2 527 dólares, que o próprio tinha reunido e para o qual tinha generosamente contribuído, em resultado de uma recolha de fundos que promovera junto de outros santamarenses na Califórnia e que tinha trazido em mão, aquando da sua última visita a Santo Amaro, em 1946.

Dos seus barcos, ou melhor dos seus riscos e modelos, sabia-se que, como contemporâneo de João Inácio Cândido da Silva, de Manuel António Furtado Simas (Mestre Manuel Bento) e de José Joaquim Alvernaz, lhes havia feito chegar muitos que, depois de construídos de acordo com as instruções recebidas, davam excelentes barcos, diferentes dos que havia até então. Foram eles a Calheta, a Patriota, o Bom Jesus, a Helena, a Maria Eugénia, a Ilha Azul, o Ribeirense, o Espírito Santo e o mais emblemático de todos, o Terra Alta e muitos mais.

Do Bom Jesus, lembro-me de ter um dia descoberto na oficina do meu Pai um modelo já incompleto, que me interessou. Perguntando-lhe a que barco correspondia, ele disse-me que - aquilo era o modelo do Bom Jesus, modelo mandado da América pelo Senhor Nunes. Pedi-lhe que mo restaurasse, o que aconteceu e depois fiz eu próprio uma réplica dele. Ainda hoje conservo os dois.

Da Maria Eugénia, lembro-me de, em conversa com o Senhor Manuel Joaquim Neves, quando ia à sua adega buscar um garrafão de aguardente que trazia para S. Miguel, ele, que foi o primeiro mestre do Terra Alta, me dizer: - ela era um barco extraordinário, tinha um fundo especial para andar, os outros tinham todos medo dela, pois ela, quando tinha vento a jeito, andava muito. Dizia: - à saída da Terceira, dava-nos uma hora de avanço e passava-nos ainda antes de chegarmos ao Topo. Arrematava, dizendo: - foi feita pelo Mestre Manuel Bento, mas o risco era do Senhor Nunes, que estava na América.

Das muitas visitas que faço ao meu amigo João Vargas, neto de João Inácio Cândido da Silva, também ele construtor de barcos, entre outras atividades, encontro sempre uma coleção extraordinária de chalupas em miniatura, os veleiros das regatas na Lagoa do Peixinho, levados às costas pela encosta para disputas memoráveis, especialmente pelo S. João. Diz-me o João Vargas: - Quando o Senhor Nunes esteve cá da última vez, em 1946, foram lá todas e ele esteve sentado no areeiro a ver a regata.

A par da Patriota, um belo exemplar com mais de dois metros, feita de cavernas, pelo Avô do João Vargas, toda aparelhada e de outras, lá esta a chalupa do Senhor Nunes, que ele conserva como todas as outras, perfeita, pintada com mestria e ostentando a marca: - Recordação de Manuel Inácio Nunes. Depois, mostra-me, com orgulho, uma moldura na parede, com uma folha de revista, já bastante gasta, para me explicar que aquilho é o Zaca, um dos veleiros mais belos do mundo, feito pelo senhor Nunes. O senhor Nunes era grande no risco, diz-me sempre o João Vargas.

Claro que, embora do Zaca eu saiba quase tudo, desde a vontade que teve o multimilionário Templeton Crocker que fosse o estaleiro NUNES BROS, a construí-la, às suas dimensões, às peripécias da sua utilização para fins militares, de ter deixado de se chamar Zaca nesse período para ter como registo a marca IX-73, de ter depois sido vendida a Errol Flynn, um ator famoso da época, e de ter servido para nele Orson Welles rodar várias cenas do famoso filme A Dama de Xangai e ainda que, depois de quase ter desaparecido em Nice, ter sido recuperado e ainda hoje navegar em cruzeiros e regatas de vela de prestígio no Mediterrâneo, deixo que seja o João Vargas a revisitar a história dos feitos do senhor Nunes.

Contar-me como o seu tio Heitor Vargas, outro apaixonado por veleiros, sendo, no tempo, alfaiate de profissão, na Horta, foi de grande valia na interpretação dos riscos que o senhor Nunes mandava, quase todos na escala de uma polegada por pé, e que era o tio Heitor que, com a sua prática de ampliar os desenhos dos figurinos, auxiliava os construtores navais de Santo Amaro nas contas para “passar a grande” os riscos que chegavam da América, das mãos do senhor Nunes.

Outra evidência da presença do senhor Nunes na construção naval de Santo Amaro, encontrei-a quando, na última reparação do Terra Alta, meu pai me pede para fazer a parte desenhada do projeto de alteração do barco. Quando recebi a cópia do projeto original, lá estava a marca: - NUNES BROS.

Sei que aquele projeto foi desenhado por Manuel Inácio Nunes para armadores da freguesia da Prainha e que aquele barco se haveria de chamar Cristo Rei, mas que, por não ter chegado a bom porto essa armação, o projeto acabou por ser realizado em Santo Amaro, com uma sociedade formada por pessoas de várias Ilhas, que culminou na construção do barco que veio a chamar-se Terra Alta, obra do Mestre Manuel Joaquim de Melo, em 1946.

Desde sempre me intrigou o desconhecimento da razão pela qual teria Santo Amaro do Pico, a partir de meados do Século XIX e ainda com mais foça a partir do início do Século XX, sido o centro de toda a construção naval nos Açores. Cruzando as várias fontes disponíveis, fui concluindo coisas que se foram tornando óbvias.

Santo Amaro do Pico, após a sua implantação como lugar no sítio da Terra Alta, em meados do século XVI, chegando a freguesia no final do mesmo século, por razões de escassez de recursos em terra e dificuldades de comunicação com outros lugares, onde se iam instalando os povoadores teve necessidade de Barcos.

Essa realidade levou a que, com o passar do tempo, os seus habitantes se fossem dedicando à construção naval, tendo mesmo esta atividade, ainda no Século XIX, alcançado uma dimensão que ultrapassou o próprio lugar, alastrando a outros locais da ilha e mesmo a outras Ilhas, com João Maria Teixeira, nascido a 5 de Janeiro de 1813 e falecido em 17 de Maio de 1879.

Este impulso levou a que se criassem novos estaleiros e consequentemente à necessidade de mão-de-obra especializada.

Como em todos os fenómenos desta natureza, desde muito cedo, começam a surgir, pelo trabalho continuado de muitas pessoas como carpinteiros, “vocações” nos seus descendentes.

Sabe-se que em Santo Amaro do Pico, Daniel Nunes de Melo e Estulano Nunes Teixeira, seu filho, na primeira metade do século XIX, construíram pequenos barcos, junto da primitiva Igreja. É exatamente o filho de Estulano, Manuel Inácio Nunes que, aos 17 anos, emigra para os Estados Unidos, para a Califórnia, onde pode dar largas à sua capacidade criadora e desenvolver a vocação e o gosto pela arte da construção naval, que herdara do Pai e do Avô, que vem a ser a grande figura da Construção Naval de Santo Amaro do Pico.

Manuel Inácio Nunes nasceu em Santo Amaro, Ilha do Pico, Açores, a 1 de Julho de 1874.

Filho de Estulano Nunes Teixeira e de Ana Bernarda foi o terceiro de sete irmãos.

Emigrou para os Estados Unidos em 1891, tendo-se fixado em Clarksburg, próximo de Sacramento, Estado da Califórnia.

Adquiriu a condição de Cidadão dos EUA, em 5 de Julho de 1900, por acórdão do Supremo Tribunal do Condado de Sacramento, Estado da Califórnia.

Casou com Ana Melo Nunes, tendo do casamento nascido dois filhos: Berta e Ernesto Nunes.

Faleceu em Kentfield, Califórnia, EUA, a 27 de Setembro de 1947, aos 73 anos de idade.

Deste Santamarense, Picoense e Açoriano Ilustre, perdeu-se no tempo o eco da sua enorme dimensão como homem e como cidadão competente e exemplar que foi.

Emigrando muito novo para os EUA, nunca deixou de ter à sua terra natal um apego que conservou até ao fim da sua vida.

Santo Amaro, em ações muito concretas, recebeu deste seu filho apoios significativos, mas a Ilha do Pico e os Açores, de uma forma geral, beneficiaram do seu grande talento como Construtor Naval de grande relevo na Califórnia. De forma empenhada e desinteressada, contribuiu, com a sua arte e os seus projetos, para que os seus conterrâneos fizessem de Santo Amaro do Pico o principal centro de Construção Naval nos Açores, onde se produziram, principalmente a partir do Século XX, a quase totalidade das embarcações que ligaram, com serviços de cabotagem, todas as Ilhas dos Açores, bem como a maioria absoluta de barcos de pesca, com acentuada evidência para os da pesca do atum.

A colaboração que deu aos seus conterrâneos foi fundamental para a história da construção Naval em Santo Amaro do Pico, que tem assim, a partir do início do século XX, uma base muito bem identificada - a figura de Manuel Inácio Nunes.

Esta ação dele "desviou", completamente, aquilo que foi o centro da Construção Naval dos Açores, de S. Miguel para Santo Amaro do Pico. Foram os seus projetos que, a partir do início do Século XX, influenciaram tudo o que foi a Construção Naval nos Açores durante esse século. Fizeram-se Barcos de cabotagem de linhas modernas que, navegando para todas as Ilhas, fizeram de si próprios e dos estaleiros que os construíram a melhor das promoções. Depois, veio a época das traineiras e repetiu-se o que era espectável: - Fizeram-se em Santo Amaro mais de 90% de todas as embarcações desse tipo.

Do seu percurso nas terras da América, depois do senhor Padre Neves, em “Subsídios para a História de Santo Amaro”, referir a sua ação e importância, fala-nos com grande pormenor Margarida Maria da Terra Nunes (Silva por casamento), Santamarense a toda a prova, que emigrada em Novato, na Califórnia, faz a Manuel Inácio Nunes, com um relato muito circunstanciado da sua atividade, que deixa entender bem a dimensão da sua obra, aquilo que eu considero a primeira homenagem, feita pelos seus conterrâneos, a este homem notável. Faltava, de facto, uma homenagem formal, não que isso acrescente mais nada à sua brilhante carreira, mas pelo que representa de exemplo e de valorização da sua terra, pelo prestígio que lhe empresta e também porque por mim, que vou cruzando várias informações de várias épocas, vou chegando sempre à mesma conclusão:

- Santo Amaro do Pico é de facto “A Terra dos Barcos”.

Se é indesmentível que a Construção Naval deste sítio influenciou decisivamente a construção Naval em todas as Ilhas dos Açores e que a ela estão ligadas várias gerações de artistas, humildes, generosos e competentes, é forçoso reconhecer que tudo seria muito diferente se não tivesse existido, com o empenho que teve pela sua Terra, a figura de Manuel Inácio Nunes, sem dúvida nenhuma o maior entre os maiores.

Com esta homenagem, homenageia-se igualmente uma atividade que, devido à simplicidade dos seus protagonistas, não deixou história escrita. De uma forma mais abrangente, pode dizer-se que assim se homenageia, dignamente, a Terra dos Barcos, bem como todos os homens do Mar e das suas artes.

Dessa terra, Manuel Inácio Nunes, que também teve forte inclinação para as letras, disse um dia:

… Fosse eu rico que pudesse correr mundos, como muitos há, seria Santo Amaro do Pico, sempre, a minha primeira visita.

Não importa faltarem ali os arranha-céus como tem Nova York e outras cidades grandes; não importa o seu porto ter simplesmente umas lanchinhas e pequenos batéis. É a minha querida freguesia que para mim significa o maior e mais rico tesouro dos encantos da natureza.

E, após a sua última visita em 1946, dela se despediu assim:

- Adeus meu jardim. Adeus para sempre!

Resta-me, por fim, agradecer a todos quantos entenderam a justeza dos argumentos, que ao longo de anos fui reunindo e tentando tornar efetivos, de forma a poderem suportar esta minha convicção.

A todos, obrigado.

Amaro de Matos

P. Delgada, Maio de 2016"


Nota: A minha homenagem a Santo Amaro do Pico (e seus construtores navais e amigos), sempre!

(…)

Dos barcos a capital
Do murmúrio das marés
Das ondas um festival
Da proa até ao convés.

(…)

Rosa Silva ("Azoriana")

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Âncoras

por Azoriana, em 25.09.16

Conforto e paz ancoradas
Nas margens do coração;
Pétalas de admiração
Para mim tão desejadas.

Não são páginas rasgadas
Ao dom da inspiração…
Dão grande satisfação
A quem as ama entoadas.

Obrigada tão somente
A quem quer bem de repente
Ao que de mim se dilata.

Seja sempre uma harmonia
Os gorjeios de alegria
Nos ramos de autodidata.

Rosa Silva (“Azoriana”)

In "Lírios de escrita"

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Mais sobre mim

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Os escritos são laços que
nos unem na simplicidade
do sonho... São momentos!
Rosa Silva ("Azoriana")
DATA DA CRIAÇÃO
09/04/2004

A curiosidade aliada à
necessidade criou
o 1º artigo e continuou...
DEZ ANOS
2014/04/09

Não há rima para o tempo
Mas o tempo é uma rima
Que serve de passatempo
A quem o tempo estima.


SELO
Azoriana/Açoriana Blog
Azoriana/Açoriana Blog
@ 2004 etc.
VISITAS
Até 2015/03/30 tinha um total de 537.867 visitas.
Doravante estatísticas in SAPO
MEO KANAL
Canal nº 855035 – Azoriana no MEO Kanal



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