29
Fev 12
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Fev 12

quatro paredes (visita ao Museu de Angra)

 

 

Exposições no Museu de Angra do Heroísmo:

 

“Santos e Devotos” e “D. José Vieira Alvernaz”, entre outras.

 

O Museu de Angra do Heroísmo inaugurou no sábado, 5 de novembro, pelas 17 horas, duas exposições intituladas Santos e Devotos e D. José Vieira Alvernaz, Patriarca das Índias Orientais.

 

A primeira, que está patente na Sala do Capítulo e na Igreja de Nossa Senhora da Guia até 8 de Abril de 2012, expõe peças de imaginária devocional e pintura de notável valor artístico, bem como outros objetos religiosos ligados à prática do sagrado, como sejam presépios, registos, pagelas e ex-votos.

 

Com a colaboração de várias paróquias da Diocese de Angra do Heroísmo e da Santa Casa da Misericórdia da Praia da Vitória, esta exposição procura trazer ao presente, conhecer e aprofundar uma das nossas maiores matrizes culturais, que são as manifestações religiosas cristãs, e sujeitá-las ao crivo das preocupações e angústias nossas contemporâneas. A inauguração contou com a participação do coro do Seminário de Angra do Heroísmo.

 

Na Sala de Oportunidades e até 18 de Abril de 2012, está relembrado D. José Vieira Alvernaz, uma das figuras mais marcantes da presença portuguesa na Índia, durante o século XX, que teve uma importante intervenção moderadora no processo de anexação dos territórios de Goa, Damão e Diu pela União Indiana, em Dezembro de 1961.

 

Esta mostra inclui vestes sacerdotais, fotografias, objetos pessoais e recordações dos tempos em que este prelado, natural do Pico, desempenhou os cargos de Bispo de Cochim, Arcebispo Titular de Cranganor, Arcebispo Metropolitano da Arquidiocese de Goa e Damão, Patriarca das Índias Orientais e Primaz do Oriente.

 

Fonte: in Azores.gov.pt

 

 

A minha visita ao Museu de Angra

 

Hoje, 29 de fevereiro, um dia que se repete de quatro em quatro anos, fui visitar estas exposições e outras patentes ao público, muito bem orientada pela funcionária Magda Peres, que me foi guiando e dando luzes sobre o que ali nos transpõe a um passado muito para além do meu nascimento.

 

Durante uma hora estive na presença de imagens, peças, objetos, documentos, pinturas e um cheiro da antiguidade preservada, valorizada e bela.

 

Bem-haja a quem dá o devido valor ao que é, por excelência, um contributo valioso aos que estão e virão do que nos deixaram uns quantos construtores da santidade, devoção e cultura.

 

A delicadeza, a serenidade estão ali patentes dando-nos, através de séculos de existência, uma visão histórica do que pela Região Autónoma dos Açores, das ilhas e suas localidades, foi passando e subsiste.

 

Há também algumas pedras trabalhadas, digamos assim, que me aprisionam o olhar e o gosto. Sempre foi a minha paixão: as pedras talhadas com figuras ilustrando o quotidiano.

 

Já na meta final da visita guiada, observei algumas pinturas com imaginação e inspiração. Soltou-se-me, então, uma vontade de deixar um desenho com a minha espontaneidade dando o devido valor a quem merece, que ficou exposto para quem tiver curiosidade de ver e ler. (Pena que a minha memória não tenha retido o que lá escrevi exatamente)

 

Rosa Silva (“Azoriana”)

publicado por Azoriana às 18:00 | COMENTAR
26
Fev 12
26
Fev 12

Mar biscoitense



Esse mar que vem salgar
A vontade que há em mim
De hoje lhe ofertar
Um canto de amor sem fim.

De sossego quase nada
Colorido só de olhar
Água na mão temperada
Na costa a marulhar.

Biscoitos de lava pura
Magma de dois sentidos
Tingidos pla desventura
De não me darem ouvidos.

Quero ouvir nossa cultura
Nosso solo incandescente
Cantada em boa altura
Com a garra da nossa gente.

Rosa Silva ("Azoriana")

publicado por Azoriana às 23:46 | COMENTAR | ver comentários (1)
24
Fev 12

Vozes de Ouro (a propósito do Bailinho de São Mateus da Calheta - "Fado património da humanidade")

Minha ilha sol de amor
Nossa eterna saudade
Que canto com tal fervor
No solar da amizade.

Neste chão de encanto e dor
Ancora a Luz da Trindade
E com a Paz do Senhor
Vai-se cantando à vontade.

Terceira ilha lilás
De folguedos e cantigas
E bandarilhas amigas...

Do fado de mar que faz
Ecoar vozes de ouro
No seu bravo ancoradouro.

Rosa Silva ("Azoriana")


Angra do Heroísmo

 

publicado por Azoriana às 20:42 | COMENTAR

quatro paredes (de harmonia)

 

 

 

publicado por Azoriana às 08:22 | COMENTAR
24
Fev 12

quatro paredes (de empatia)

Lembram-se daquela canção que a dada altura sonoriza “nem às paredes confesso”? Pois é, hoje apetece-me fazer o contrário: confessar tudo às quatro paredes que me circundam sonorizadas por um constante gemer de um aparelho que permite que o trabalho corra sem paragens. Enfim, sou dada a introspeções e a depressões. E quem não é? Talvez aquele que está circunscrito a um reduto pior que o meu, talvez a uma cama articulada que baixa e levanta consoante o pedido de clemência do ocupante.

Tenho braços, tenho pernas, tenho ainda alguns dentes e, sobretudo, ainda tenho momentos bons à mistura com algumas adversidades de pouca monta. Não devia sequer abrir o texto para fazer qualquer apontamento menos positivo. Só que a minha passagem por esta vida conota-se por uma tendência para a insatisfação permanente mesmo sem razão aparente. Nem devia continuar nesta lamechice mas… hoje, especialmente hoje, nem da cama me apetecia sair, nem sequer vestir, nem tomar o rumo diário igual a tantos outros rumos ao mesmo ritmo, nem entrar, nem picar, nem seguir, nem sentar, nem pensar, somar, calcular, verificar, comer, sentar, sair… Chego ao ponto de pensar “oh quem me dera voltar a ser como noutros tempos e permanecer no reduto doméstico” e tratar das galinhas, dos porcos, dos periquitos (que não tive nem tenho), dos gatos (que tenho), dos cães (que também tenho) mas nunca de vacas nem bois. Estes marcaram-me pela negativa e nem os quero ver por perto, salvo raras exceções em ponto mais pequeno (e vacas aqui têm também outro paralelismo).

Queria, sobretudo, ver a Jesus, Maria e José, mesmo… Ao olhar para as imagens que se criam com rostos de paz, harmonia e como que com um sorriso permanente, sinto-me calma e a querer estar nesse paraíso, nessa calmaria de atos e introspeções. Penso que se continuar nesta onda ainda vou dar entrada numa depressão do tamanho do universo… Melhor adotar o ponto final sem mais parágrafo algum.

Rosa Silva (“Azoriana”)

 

P.S. Se houver algum psicólogo de serviço e que saiba o que vai nas entrelinhas do texto supra que me diga qual o refrão a utilizar no meu caso.

 

publicado por Azoriana às 08:18 | COMENTAR
23
Fev 12

Serreta 2012 (sugestão pessoal)

publicado por Azoriana às 19:54 | COMENTAR
23
Fev 12

Não há paixão como esta...

Lá se foi o Carnaval
Que pra nós é pedestal
De beleza e fantasia
É triste vê-lo partir
Mas sei que há de vir
Sempre com a mesma magia.

 

Uma lágrima se esvai
E no meu coração cai
Nunca será de tristeza
É como se a saudade
Planta-se em mim de verdade
Paixão por esta beleza.

 

A Terceira, minha gente,
É o palco mais feliz
Do Carnaval a raiz
Um amor sempre presente;
Vem coroado de rima
Prezando a redondilha
E ao redor da nossa ilha
Toda a gente o estima.


E uma dança de espada
As Lajes nos ofereceu
Maior aplauso cresceu
E a prova estava dada.
Com “O som do coração”
Toda a ilha se espanta
E a sua beleza encanta
Os olhares de emoção.


http://videos.sapo.pt/5CLWJMaKjZv0VsJ9schr


Angra do Heroísmo, 2012/02/23

Rosa Silva (“Azoriana”)

publicado por Azoriana às 08:02 | COMENTAR
21
Fev 12

Bruno Oliveira no Bailhinho de São Bartolomeu: "Cantoria do Ano"

Parabéns Bruno Oliveira,
Que à ilha trazes espanto,
Tu arranja uma maneira
De ficares no nosso Canto.

De São Jorge vem pra cá
E fica a residir
Aposto que o Povo dará
Aquilo que quiseres pedir.

Terás sempre pão na mesa,
Cobertor e teto em suma
Mesmo que pouca riqueza
Mais vale teres alguma.

Mas a riqueza maior
Que tu tens Bruno Oliveira
É ergueres teu amor
Pla nossa Ilha Terceira.

Cantas com maior encanto
Tens garra pro improviso
Metes todos a um canto
E mantens um bom sorriso.

Eu sei que não tenho valor
Para aqui te vir cantar
Mas presto ao Cantador
Homenagem salutar.

Bravo!
2012/02/21

Rosa Silva ("Azoriana")
publicado por Azoriana às 14:16 | COMENTAR | ver comentários (1)
21
Fev 12

Bom Carnaval!

Fazendo análise resumida
à boca da atualidade
digo com sinceridade
que estou feliz da vida:
É gente que canta
e encanta!
É gente que dança
qual maravilha
É gente que...
Arte partilha!
É a ilha toda inteira
a nossa, a ilha Terceira,
nos palcos da alegria
com a força da canção
com alma e coração
abraçando
a fantasia!

A coreografia,
A poesia,
A interpretação,
A indumentária,
A revelação,
Extraordinária
Atuação...

Bravo Povo,
Brava Gente
Linda Cultura
Bela postura
De Carnaval
O Festival
Evidente...

Bom Dia de Carnaval
A todo o Pessoal!

2012/02/21
Rosa Silva ("Azoriana")

publicado por Azoriana às 14:02 | COMENTAR
20
Fev 12
20
Fev 12

Cena carnavalesca

Julgo que não se levará a mal que se trabalhe pouco nos dias de Carnaval.

 

Logicamente, se o lema é divertir, que nos divirtamos, cada um à maneira que melhor lhe convier. Há quem se divirta cantando e dançando pelos palcos da ilha e, muito mais, nos ensaios preparativos das diversas atuações. Acredito que, após os ensaios e com tanta repetição das mesmas cantigas e enredos, acabe por se tornar rotineiro o que, inicialmente, seria motivo de largas risadas.

 

Afinal o que mantém o divertimento?

 

Não sendo eu perita em crítica carnavalesca, tenho a impressão que o que continua a fazer parte do divertimento contínuo, ao longo de sábado, domingo, segunda e terça-feira, são os esquecimentos momentâneos que dão lugar a novo improviso para que o público quase não perceba que houve uma pausa ou “falha” no discurso. O que, a meu ver, não pode pausar é o canto ou o pé de dança. Se a nota principal quebrar fará com que o grupo derrape para uma pausa difícil de recuperar. Para quem sabe tornear as situações, há sempre um jeito ou um gesto de recuperação imediata para que o bailinho ou a dança prossiga de forma a lançar um novo sorriso, ou mesmo, risada espetacular, quer entre os atuantes quer no público exigente. É sobretudo neste que está a crítica acentuada. De ano para ano, noto que estou mais criteriosa para as cantigas de saudação, de assunto e despedida. O “teatro” ou enredo surte melhores efeitos quando os atores têm perfil adequado ao papel.

 

Cantigas de saudação

 

Uma boa apresentação é, em parte, o que salva a fachada do bailinho ou dança. O guarda-roupa, os bailarinos, os instrumentos musicais, o amor à arte têm peso e medida mas, na minha simples opinião, as cantigas de saudação são o ponto de partida para todo o resto. Sabe tão bem aos nossos ouvidos o desfile de autênticos poemas coloridos pela magia de vozes e melodias de fazer arrepiar o coração. Não desprezando a diversidade de escritores/poetas que vão surgindo atualmente tenho a destacar um que já reconheço mesmo que esteja num cansaço momentâneo … o nosso poeta por excelência: Álamo de Oliveira! Ele preenche toda a categoria que se quer numa cantiga de saudação. O meu aplauso surge com vivacidade e maior alegria. É sublime a sua arte de poetar. Bravo! Bravo! É nosso, é ilhéu. O bailinho do Raminho disso foi prova, entre outros, com cantigas altaneiras.

 

O enredo

 

Depois da maravilha de cordas vocais e instrumentais, passa-se ao momento que tantos esperam: a crítica social, política ou de factos da atualidade coloridos de sátira estratégica para atingir objetivos concretos. Chamar a atenção para o que de pior (ou de melhor) se foi fazendo no antecedente ato real dos dias, meses e ano é comum. É como trazer a revisão do tempo que fomos passando. Sem dúvida que a crise, os impostos, os políticos são o prato forte para um manjar de risos que nos fazem iludir a atualidade numa fuga ao desânimo, à perda e à tristeza. Há quem crie verdadeiros pergaminhos dignos de preservar. Hélio Costa e João Mendonça continuam a ser os meus eleitos em matéria de mexer com risos e aplausos, entre outros que, porventura, vão dando notas altas ao teatro popular itinerante, que percorre praticamente todos os palcos da ilha onde se junta povo do nosso povo.

 

As transmissões audiovisuais

 

Sendo o Carnaval um tema universal que é lidado com diferentes máscaras há que salientar o Carnaval da ilha Terceira, sem dúvida alguma. Ao invés do que acontecia noutras décadas, agora é possível visionar qualquer atuação por via da captação in loco e transmissão direta pela rádio/internet, e, também, por via televisiva selecionada. Temo que, por via disso, alguns se fiquem pelo monitor ou pelo ecrã, mas é de louvar esta faceta que possibilita que todos possam alegrar-se portas para dentro com o que se faz a bem da saúde mental e física. Nada melhor que o Carnaval para levantar o ânimo e o da ilha Terceira é prova singular de arte e magia.

 

2012-02-20. (ver imagem)

Rosa Silva (“Azoriana”)

publicado por Azoriana às 08:01 | COMENTAR