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Parte I
José de Sousa Brazil - Charrua


Nem sei como começar...

Eis homenagem sentida
Por quem fez e faz enlaçar
Os versos de uma vida.

 

Charrua se fosse vivo
Hoje lhe dava um abraço
Talvez seria motivo
Pra chorar em seu regaço.

 

Ao Dr. Clélio Meneses
E aos demais deputados:
Saudações, sem revezes,
Na Assembleia apresentados.

 

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E "No dia dos teus anos"
In livro das Confidências
Turlu deu-lhe, sem enganos,
Sextilha de excelências.

Rosa Silva ("Azoriana")


"Bem-haja o que tens ditado,
Ou escrito com o teu punho,
Do povo, és admirado,
Seja para sempre lembrado
O Vinte e quatro de Junho!"

In página 294, do livro de Mário Pereira da Costa:

"AURORA E SOL NASCENTE - Turlu e Charrua Confidências"

 

Nossa Angra é luminosa
Com os seus versos de rua
É uma jóia famosa
P'lo centenário de Charrua.

 

Mar de gente na escadaria
Da luzente Sé Catedral
Onda de alegria presente
Neste imenso arraial.


Leia o "Voto de Saudação" apresentado pelo Dr. Clélio Meneses e aprovado por unanimidade na Assembleia Legislativa Regional ,no dia 17 de Junho de 2010, Horta - Faial.

 



VOTO DE SAUDAÇÃO


A cultura de um Povo vive na alma daqueles que o corporizam e fica registada nos retratos de uns poucos que, tendo a fortuna dos génios, selam para os vindouros a marca de um tempo e de um espaço, no modo como viveram e expressaram a vida.


Alguns têm a oportunidade das universidades levando e trazendo a Cultura que enforma a identidade das comunidades.


Outros têm, apenas, a oportunidade da Vida, encimando os palcos dos homens com a superioridade da sua existência.


Aqueles e estes, na genialidade que encerram, são exemplos de homens e mulheres que, pela profundidade de pensamento e elevação dos desígnios, ilustram uma terra e a sua gente!


Porque de gente da terra se tratam, os cantadores populares, ao desafio, ou improvisadores, constituem uma das maiores riquezas da cultura açoriana.


A 24 de Junho de 1910, nascia na Ribeira do Mouro, freguesia das Cinco Ribeiras, na Ilha Terceira, um dos mais ilustres representantes desta casta de homens, José de Sousa Brazil, que, em vida e pelas vidas de milhares de açorianos, foi conhecido por “Charrua”.


Faz para a semana cem anos, que viu a luz do dia alguém que, com as suas palavras, deu luz a muitas noites das ilhas e à vida de milhares de açorianos que acorriam aos terreiros e aos coretos para o ouvir e sentir.


Da rudeza das terras que desmatou ao calor da padaria onde fez pão, da Base das Lajes onde conheceu outras gentes e outros costumes ao Canadá onde viveu, como tantos dos nossos que às Américas aportaram para construir novas vidas, sempre manifestou a delicadeza dos sentimentos e cantou a eloquência das palavras e do conhecimento, extraordinária para quem tinha passado apenas três anos na escola.


Quadras que ele próprio classificava:

 

Elas são brancas como os lírios

Duras como as verdades

Coxas como os martírios

E negras como as saudades!

 

Na métrica perfeita das quadras, quintilhas, sextilhas, oitavas, décimas e sonetos, “Charrua” marcou um tempo e, desse modo, a própria forma de cantar de improviso, fazendo com que a própria música que identifica as “cantorias” fosse outra antes e depois do cantador das Cinco Ribeiras.


Na verdade, a música das violas e violões teve de adaptar-se à força das palavras, da voz e da inteligência de “Charrua”.


Foi, também, pioneiro na introdução de um vocabulário superior, inspirando jovens que, por causa dele, foram e são cantadores, constituindo aquilo que se pode chamar de uma escola de cantar e de vida!


Sensato e “genioso” no génio do temperamento e da inteligência, “Charrua”, também, tinha sentido político revelado, por exemplo, quando, nos alvores da democracia e da autonomia, perante um parceiro de cantoria que elogiava o Estado Novo, afirmava cantando:

 

Mas nós fomos maltratados

Por governantes anteriores

Hoje somos governados

Por quem conhece os Açores!

 

Com um apurado sentido de justiça e desprendimento pelas coisas materiais da vida, que só alguns têm a dita de viver Charrua cantava:


Já tive pão na sacola,

Saí de casa em jejum,

P’lo caminho dei de esmola

A quem não tinha nenhum.

 

A sua vida foi, do mesmo modo, marcada pela paixão e pelo desassombro com que assumiu o amor com aquela a quem se deverá chamar a rainha das cantorias. Maria Angelina de Sousa – A Turlu – foi companheira de cantorias com quem protagonizou quentes e acirrados despiques nos terreiros e palcos da ilha.


Depois do calor de anos de desafios improvisados, Charrua e Turlu, viveram os últimos anos da vida casados e, assim, terminando as suas existências com a coroa dos sentimentos que, na verdade, deram força ao brilho dos versos que cantaram.


Cantou pelos Açores, aqui e lá longe onde a saudade mata as distancias, cantou com tantos e tantos daqueles que foram e são os cantadores das ilhas, e cantou para as multidões que até aos oitenta anos de “Charrua” iam longe e ficavam horas a escutá-lo.


Os Açores são o que são pelas ilhas que tem e pelas pessoas que os vivem.


Devemos, pois, exaltar o que de melhor e mais representativo temos!


José de Sousa Brazil, o “Charrua”, é um dos melhores e daqueles que melhor representa o que foram, são e serão os Açores.

 

Assim, o Grupo Parlamentar do PSD, ao abrigo das disposições estatutárias e regimentais aplicáveis, propõe à Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, um Voto de Saudação pelos 100 anos do nascimento de José de Sousa Brazil, o “Charrua”, pelo que a sua vida representa para a Cultura açoriana.

 

Horta, Sala das Sessões, 19 de Janeiro de 2010

 

 

Os Deputados Regionais


 

**************


Parte II

João Ângelo Vieira

João Ângelo neste dia
Canta seu aniversário
Que o goze com alegria
E gosto extraordinário.

 

Se for às Sanjoaninas
No Pezinho da cidade
Cantará quadras divinas
Sorrindo à nova idade.

 

O amor pela Cantoria
É sua especialidade
O seu rimar contagia
A nossa sociedade.

 

E a mim o seu sorriso
E olhar tão incidente
Provoca o improviso
Na minha alma contente.

Hoje lhe mando um abraço
Com grande admiração
Há rimas em seu regaço
Que são dignas de ovação!

 

Rosa Silva ("Azoriana")

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1 comentário

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De jts a 24.06.2010 às 03:36 pm


Oh, "ROSINHA", minha cara azoreana, há tanto tempo que não digo nada...Tenho navegado por outras paragens e conhecido e desbravado outros mundos, onde aprendi extraordinárias coisas que desconhecia... peço que me perdoe e acredite que não foi esquecimento a minha ausência. Voltei e é para ficar, quro dizer que iremos ter oportunidade de trocar ideias, comentários, conhecimentos novos e obviamente poemas, poemas... santa ignorância, como posso eu falar de poesia, perante uma poetisa das melhores que li até hoje? Não. Simplesmente trocar opiniões e nada mais. Tenho a humildade sufuciente para separar as águas...
Um ab.
Teixeira da Silva

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Os escritos são laços que
nos unem na simplicidade
do sonho... São momentos!
Rosa Silva "Azoriana"

DATA DE CRIAÇÃO:
09/04/2004
Não há rima para o tempo
Mas o tempo é uma rima
Que serve de passatempo
A quem o tempo estima.
2014/04/09

ORIGEM:
A curiosidade aliada à
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