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DO ANO 2016
O que mais gostei de escrever:

24.10.2016

Queria ser o pôr-do-sol
Da minha pele
Desnuda
No teu horizonte.
Fixar a âncora
No teu peito
De mar brando
E amar
...
Olhando a imagem
Ao relento
De nós.


«Retiro dos Cantadores», inaugurado no dia 1 de Abril 2011, na freguesia das Doze Ribeiras, concelho de Angra do Heroísmo.

 

Começo por dar os parabéns ao novo administrador do «Retiro dos Cantadores e dos Tocadores», que também é Presidente da Associação de Cantadores dos Açores, José Santos, conhecido por “Gaitada”.

 

Na passada sexta-feira, 1 de Abril, dia de petas e do meu aniversário, fui convidada a estar presente na inauguração e também a fazer parte da cantoria que durou até à madrugada do sábado.

 

Actuaram vários cantadores acompanhados pelos tocadores José Domingos Mancebo, José Manuel Caracol, Elvino Vieira, José Henrique Rocha e o Emanuel das Doze Ribeiras.

 

Após o jantar comemorativo, iniciou-se a cantoria na presença de alguns convidados atentos à novidade: Rosa Silva ia soltar o canto com o cantador José Leonel, conhecido por Retornado. Uma responsabilidade estava à vista e foi captada pela VITEC. À guitarra estava o Sr. José Domingos Mancebo e no violão o Sr. José Manuel Caracol. Pela reacção final acho que este momento de estreia correu bem. Aproveitei para, no fim, dedicar umas palavras ao Sr. João Leonel por toda a sua perícia na cantoria ao longo de tantos anos e, porque em vida é que se devem dar os elogios olhos nos olhos. Bem-haja!

 

A seguir houve um recital de poesia pelo Sr. Hernâni Candeias, picoense, residente na ilha Terceira que me surpreendeu e foi aplaudido por todos. Acho que este senhor não devia guardar na gaveta tanta inspiração e da boa.

 

As próximas cantigas foram içadas pelas vozes de Isidro, de São Bartolomeu dos Regatos, e do Valadão, antigo proprietário do bar em festa. Após os aplausos, seguiu-se um poema – “O Homem Perfeito” - declamado por José Orlando Nunes, que provocou um riso final em toda a assistência.

 

Novamente sobe o pequeno estrado da cantoria, José Medeiros que cantou com Ludgero Vieira que mal acabaram os aplausos merecidos deram lugar a Paulo José Lima com Fernando Alves Fernandes, que não pouparam elogios a José Santos.

 

Ainda recordo uma quadra de Paulo Lima que rezava assim:

 

“Que Deus Pai omnipotente
Rei de eterna sabedoria
Ilumine agora a gente
Para uma boa cantoria.”

 

Fernando Fernandes, da Serra da Ribeirinha, também se saiu com esta:

 

“Ele é perfeito e sempre rola
Rola sempre com prazer
Ele vai abrir a Escola
Para tu vires aprender.”

 

Após outras boas quadras, seguiu-se a actuação de José Santos com o João Leonel (Retornado), que levaram um bom bocado num despique ao rubro e com oitavas iniciadas por José Santos que, sem papas na cantiga, foi conduzindo, até ao fim, uma grande cantoria entre dois vultos importantes nas cantigas ao desafio.

 

Após uma pausa merecida, veio à cena o cantador “Santa Maria”, de nome Carlos Andrade, com o que até então eu desconhecia mas ficou-me na mente, Hernâni Candeias. Se eu gostava e gosto de cantigas ao desafio, pois com esta actuação fiquei a amar a cantoria cada vez mais. Diria que foram rimas divinas improvisadas com um forte poder e sentimento. Que pena tenho por não conseguir gravar na memória tudo o que ouvi entre os dois brilhantes cantadores.

 

Nutro um especial carinho por “Santa Maria” mesmo que não tenha cantado com ele nem sei se virei a cantar pois, pelo que percebi, pensa em não continuar. Oxalá que mude de ideias e continue a encantar com o seu canto divino. Estes dois senhores da poesia estiveram presentes na noite seguinte. “Santa Maria” acedeu ao meu pedido para ir à Serreta porque percebeu, através de uma quadra que lhe ofereci, que a sua rima é omnipotente. E nada como ver um cantador sorrindo para uma oferta sincera.

 

Claro que as cantigas não acabaram por ali. A vontade era muita do Valadão, das Doze Ribeiras, cantar com a serretense vizinha, Rosa Silva. Eu, que depois de ouvir tanta beleza rimada, como ia conseguir articular cantiga com um detentor de boas cantigas?! Aceitei na esperança de ser o que Deus quisesse que fosse.

 

Cantámos os dois louvores e os amores às freguesias onde os nossos berços nos ouviram chorar pela primeira vez, sendo a mãe do Valadão, também serretense. Quando o Valadão canta comigo (e não foi esta a primeira vez) acaba por se render à doçura da cantiga, sendo ele valente nas cantigas com cunho muito forte. Se ele quiser pode derrubar quem tem ao lado. Estou certa que a mim não quererá fazer tal.

 

Como não tinha nenhum caderno ou folha para anotar alguns pensamentos da ocasião, peguei de um guardanapo limpo e desatei a escrever algumas quadras que bailavam na mente:

 

“Retiro dos Cantadores”
Nas Doze Ribeiras estreia
Com vozes e tocadores
Perante nova sala cheia.

 

A VITEC também gravou
A festa de inauguração
Primeira cantoria ficou
Rendida ao coração.

 

Este nosso povo ilhéu
Preserva a cantoria
E prova com seu pitéu
Toda a sua primazia.

 

As cantigas ao serão
São nosso mote perfeito
Cantamos para os que estão
Com esta chama ao peito.

 

2011/04/01

 

Mas ainda deu tempo para mais uma inspiração ficar registada em papel de mesa:

 

Dizem que aqui é escola
Para novos cantadores
Com violão e com viola
Também virão tocadores.

 

A nossa melhor riqueza
E nossa melhor mestria
É sentir que a natureza
Faz-nos amar a cantoria.

 

Dou agora uma sugestão
Ao dono destes encantos
Que faça uma colecção
De molduras de novos cantos.

 

Nas paredes do salão
Enfeitado a preceito De lilás a bom preceito
Ficará a recordação
De cantigas de bom jeito.

 

Rosa Silva (“Azoriana”)

 

E hoje, 5 de Abril, dia que faz 47 anos que fui baptizada, canto em direto para o papel, sem revisões:

 

Finalmente, na Terceira,
Temos um lugar ideal
Pró cantor e cantadeira
Se sentir bem no local.

 

Se passares lá por cima
Com tuas boas maneiras
Entra se gostas de rima
Feita nas Doze Ribeiras.

 

Desejo uma coisa rara
Despique entre mulheres
Cantar com Maria Clara
Digas lá o que disseres
Se o riso se depara
Não vale é bater colheres.

 

Se isto é provocação
Ou ideia comedida,
Eu estou certa que não
Maria é jovem querida
E nas Doze ao serão
Ela terá melhor saída.

 

Disso até nem me importa
Uma é grande, outra é pequena…
Não irá bater-me a porta
E vai querer entrar em cena
Mesmo que eu seja “morta”
Terei quem faça novena.

 

Cantadeira do Raminho
Vai passar pela Serreta
Há doçura no caminho
Papel e alguma caneta
Nas Doze, naquele cantinho
Quadra será alva ou preta?!

 

Com isto eu vou levar
Com cantigas valiosas
Se delas, eu não gostar
As minhas serão pirosas
Certamente irei amar
As suas rimas airosas.

 

Não pensem que a cantoria
Tida como um desafio
Nos dá sempre alegria
Pode então tirar o pio
Mas o que nos salva o dia
É perdoar o que se ouviu.

 

2011/04/05

Rosa Silva (“Azoriana”)

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09/04/2004

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2014/04/09

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Mas o tempo é uma rima
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