Por Azoriana | Sexta-feira, 24 Junho , 2011, 19:50

Ao começar ela benzeu-se pouco se importando com os olhares nas alas laterais. Estava receosa se não cumpria com o percurso e com o concretizar da meta: Praça Velha era o objectivo para ela e para todos os restantes cinquenta e nove elementos de uma Marcha colorida de cores bem ao gosto de São João - amarelo, verde e laranja com a calça preta da ala masculina. Os folhos adornavam a roda do vestido, cujo arco fazia o movimento rotativo do balão. Respirou fundo e ao toque inicial do bombo da Filarmónica da Terra-Chã, levantou o pé direito e começou a marcar passo ao ritmo melódico e com as palminhas deu-se início do que durou uma hora, sensivelmente, pelas ruas de Angra do Heroísmo: rua da Sé, rua de São João, rua das Minhas Terras, rua direita e Praça Velha, em frente à Câmara, onde nos esperava abundantes refrescos: água e cerveja.

 

Confessa que, a meio canal, passou-lhe pela mente desistir... Tinha os lábios secos, a boca sem saliva e a garganta não articulava palavra. Apenas o gesto dos lábios faziam a mímica da letra que havia construído com todo o amor e carinho. Não! Disse para consigo... Não desistas, força, continua, olha que não podes parar. Vai, vai, vai...

 

E foi... Com alguns descompassos, alguns amargos de boca, algumas quase escorregadelas mas nada que impedisse de pensar no objectivo: chegar ao fim!

 

Durante o percurso, ouviu e viu algumas pessoas amigas e conhecidas que lhe davam força num acordar para ir ao centro, rodar, traçar a rua, fazer a roda interna com os homens circulando por fora, novamente o traçar a rua, e assim sucessivamente... Água, água, apeteceu-lhe gritar a plenos pulmões mas os copos nem vê-los... Apenas, volta e meio, soltava baixinho:

São Carlos vem para a rua
Na festa de São João
O seu povo continua
Honrando a tradição
Com alegria sortida
São João salta a fogueira
E São Carlos ganha vida
Salta da mesma maneira.

 

Aqui, sim, levanta os pés do chão pulando como que pedindo a São João para levantá-la nos ares e elevá-la ao céu da rua de São João, como um balão verde, amarelo e laranja... Os pés estavam untados de creme mas já se queixavam sem que ninguém percebesse, os calores invadiam-lhe o corpo todo mas aguentou-se até ao fim e lançou ais de contentamento após o bombo voltar a dar a paragem.

 

Que feliz estava! Aos quarenta e sete anos teve o gosto de escrever/participar e adorou pertencer a um grupo fantástico, unido e respeitador. Duas moças (Filipa e Maria Luísa) levaram a cabo a excelente organização e todos os elementos cumpriram com a mensagem da Marcha de São Carlos 2011 - Os Santos gostam de fazer parte da diversão e a festa popular é, por excelência, uma atracção que até chama gente de outras ilhas - São Miguel, Pico e Graciosa, a seguirem o nosso modo de partilha.

 

Viva São João! Viva São Carlos! Viva, Viva!

 

Rosa Silva ("Azoriana")

 

Nota: Ela é a autora deste blog :)


Por Azoriana | Sexta-feira, 24 Junho , 2011, 15:33
Letra: Rosa Silva ("Azoriana")
Música: Durval Festas
Elementos: 60
São Carlos - Angra do Heroísmo
Viva, Viva!
Veja no RTP Açores

 

A RTP Açores acompanhou todas as Marchas das Festas Sanjoaninas 2011

(Clique na imagem para ver a lista completa)

 

 

Lista das Marchas

 

 


Por Azoriana | Quinta-feira, 23 Junho , 2011, 14:53
Marcha de São Carlos 2011

Por Azoriana | Terça-feira, 21 Junho , 2011, 17:47

Um comentário criado num artigo do blog da amiga Chica Ilhéu, após ver bonitas imagens das nossas Sanjoaninas, e que tem algumas correcções após 2ª leitura:
 

«Por motivos que se prendem com outras responsabilidades, às quais não posso "fugir", não tenho tido ocasião de ir às festas nocturnas das Sanjoaninas. Vi através da televisão porque foi gravado o que transmitiram (e também estará certamente disponível na internet). Não vi mas é como se tivesse visto. Vou espreitando os carros expostos nos pontos principais angrenses, onde a Festa brilha.

Isto tudo para dizer-te (e a quem ler o que aqui escrevi) que adorei toda a ornamentação citadina e fico muito satisfeita pelo que os construtores desses autênticos tesouros conseguiram fazer em prol da continuação da cultura, tradição e costumes do nosso povo terceirense.

É de louvar quem, nos bastidores da Festa, passa dias e noites, tirados do convívio familiar, na preparação desse brilhantismo, para que Angra seja motivo de orgulho.

Sugeria que (e não sei se existe em algum lado ou se foi divulgado) referissem os nomes dos que trabalharam com brilhante perícia para o bem das Festas Sanjoaninas.

Ao fim e ao cabo todos, e cada um de nós, contribuem com um pouco do que têm e sabem.

Este ano é a primeira vez que contribuo com algo e vou participar activamente, assim queira Deus e São Pedro aguente sem regar com chuva os trajes das Marchas. Até me apetece criar uma cantiga à sorte mas convicta:

ANGRA LINDA ÉS!

 

Que Angra tão linda
Que linda já é
Brilha mais ainda
O teu lindo pé
De saia rodada
Arco de ventura
E vai de mão dada
Com a brava cultura.

 

"Angra Festa Brava"
Bandarilha até
Que ora nos grava
O toiro à Sé
De Bravo investe
Para os populares
E a marcha se veste
Bordando os olhares.

 

Angra Festa Brava

 

 

Angra a tua Hortência
Reluz pela Praça
É arte e ciência
Sorrindo a quem passa
Meu olhar te mira
Sem nenhum revés
E não me admira
De seres como és.

 

Angra és a Diva
Da nossa História
Que em ti sobreviva
A doce glória
Nas ruas e Praça
Covas e Bailhão
Na Sé se abraça
Angra de Paixão.

 

Que grande folia
O tema me faz
Ouvi Cantoria
E o Pezinho lilás
Na Marcha da vida
Levo o meu balão
E vou divertida
Toureando o refrão.

 

São João festeiro
Olha esse toiro
Tu és ganadeiro
Meu bravo de oiro!

 

Rosa Silva ("Azoriana")


Por Azoriana | Domingo, 19 Junho , 2011, 15:11

SANJOANINAS 2011

A GRANDE CANTORIA NO PÁTIO DA ALFÂNDEGA

Liduino Borba

Realizou-se na sexta-feira, dia 17, pelas 22 horas, no Pátio da Alfândega, uma grande cantoria, organizada pela Comissão das Festas Sanjoaninas 2011, que teve como responsável nessa área o nosso muito conhecido José Joaquim, homem que tem dado uma contribuição assinalável às nossas tradições e etnografia.


Foram convidados 9 tocadores e 11 cantadores para este serão. Os tocadores foram: André Silveira, Jorge Rosa, Marta Rocha, Orivaldo Chaves, Osvaldinho Lima, Osvaldo Lima, Paulo Pires, Rui Armas e Rui Pires. Os cantadores foram: Adelino Toledo, António Isidro Brasil, António Mota, Carlos “Santa Maria”, Fábio Ourique, João Ângelo, João Leonel “Retornado”, José Fernando, Lupércio, Marcelo “Caneta” e Maria Clara.


As escolhas dos pares, feitas sabiamente por José Joaquim, permitiram uma grande noite de cantoria para todos os amantes desta arte de versejar.


O serão começou com Marcelo “Caneta” e José Fernando que enalteceram as festas, Angra do Heroísmo, Praia da Vitória e a ilha integrada no conjunto açoriano. Um do concelho de Angra e outro do da Praia.


A segunda dupla a cantar foi Adelino Toledo, convidado vindo de Hilmar, Califórnia, com João Ângelo o mestre das cantorias. Dois grandes amigos de longa data, que tive o privilégio de biografar, que se respeitam mutuamente, qual deles engrandecendo mais o outro. A mistura de um cantador “sério” com um “brincalhão”, com muitos anos de experiência, permitiu à assistência deliciar-se com versos de primeira linha, que só os grandes mestres sabem fazer.


O terceiro “round” da noite ficou a cargo da juventude com uma muito interessante cantoria entre a voz de oiro de Fábio Ourique, natural de São Mateus, e o estudante universitário António Isidro Brasil, natural de São Jorge, que se portaram muito bem até meio, mas que daí em diante superou todas as expetativas, com as rimas de valor elevado ali cantadas à nossa cidade, história, ilha e país.


A quarta actuação esteve a cargo de Carlos “Santa Maria” e João Leonel “Retornado” dois mestres do improviso, que iniciaram com um série de bem ajustadas críticas à situação política e social que vive o país, para acabarem a elevar as nossas festas e tradições.


A quinta dupla a actuar foi Lupércio, convidado vindo das Capelas, ilha de São Miguel, e António Mota, terceirense de gema a viver em São Sebastião, mas natural da Ribeirinha. Como quase sempre nestes casos, o bairrismo entre duas ilhas irmãs veio ao de cima, mais da parte do Mota, porque percebeu-se que Lupércio apenas se foi defendendo e, por várias vezes, tentou enaltecer o contributo dado pelas duas ao conjunto açórico, enquanto Mota continuou no mesmo caminho inicial, o que não deixou de ser engraçado com um final bonito de rimas trocadas entre eles.


O serão encerrou com o convidado da diáspora Adelino Toledo e a promissora Maria Clara. Era um dos momentos aguardados da noite. Para Adelino era mais uma cantoria, entre muitas, mas para Maria Clara era o coroar frente a um dos maiores improvisadores da actualidade, recentemente biografado por mim em livro. Ela própria declarou esse respeito no início da cantoria. Mas correu muito bem, porque para além de Adelino Toledo não costumar afrontar os seus pares, se para isso não for necessário, Maria Clara soube estar bem à altura do que esperavam dela nessa noite. Foi das melhores cantorias que já ouvi dela. Tratou, com o seu par, o tema do beijo duma forma tão sublime, doce e discreta que só os grandes improvisadores sabem fazer. Maria Clara começa a deixar, e muito bem, algum verso com uma métrica um pouco grande para trás. Valeu a pena esperar para ouvir estes dois cantadores.


O Pátio da Alfândega estava cheio para ver esta cantoria. Ao longo da noite algumas pessoas foram abandonando o cais, mas às duas horas da manhã, quando acabou a cantoria, ainda tinha muita gente, prova de que há muitos que gosta de boas cantorias.


A Comissão de Festas, e o seu organizador, José Joaquim estão de parabéns pelo sucesso.


Venham mais destas.

19 de Junho de 2011


Por Azoriana | Quinta-feira, 16 Junho , 2011, 22:01
Ó Minha Querida Angra!

 

Temos o Porto das naus
O Monte dos garajaus
E a festa que espreita
Temos a doce folia
O Sal da nossa Baía
Que na Areia se deita.

Temos a Sala do Povo
Para o velho e para novo
Regalarem o olhar
Temos navio de proa
E a Vela que não voa
Mas que acena ao doce mar.

Temos Angra engalanada
Pela Festa tão amada
Nas ruas sempre a prumo
Temos Dança da partilha
O Pezinho e a Rosquilha
E de Baco cheira a sumo.

Temos canto e bailarico
Temos Balão e Manjerico
E tudo a gente agarra
Temos morcela com gosto
Um cozido bem disposto
E o Verão da Cagarra.

Esta parte da cidade
É jovem realidade
Que embeleza e alegra
Mostra todo o heroísmo
Que cresce com o lirismo
Que cada alma integra.

Rosa Silva ("Azoriana")

Por Azoriana | Terça-feira, 14 Junho , 2011, 23:06
Nossa marcha se enfeita
Alinhada, bem direita,
Com os saltinhos de pé
São João nem acredita
Que até cortar a fita
Há que ensaiar com fé.

Com a rima de feição
Humanizo o São João,
Que já sorri de vontade
A silhueta da rua
Na nossa Marcha actua
Com muita variedade.

Este é o primeiro ano
Que fulana e fulano
Vão entrar nesta fileira
«Salta, salta coração
Com a flor da diversão
És a alma da Terceira!»

Rosa Silva ("Azoriana")

 


Por Azoriana | Segunda-feira, 23 Maio , 2011, 23:29
Marcha de São Carlos 2011

 

Composta por sessenta elementos, a Marcha de São Carlos 2011, já tem a letra na mente e a melodia já nos contagia.

 

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