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DO ANO 2016
O que mais gostei de escrever:

24.10.2016

Queria ser o pôr-do-sol
Da minha pele
Desnuda
No teu horizonte.
Fixar a âncora
No teu peito
De mar brando
E amar
...
Olhando a imagem
Ao relento
De nós.


A matança do porco

por Azoriana, em 03.11.17

Na freguesia da Serreta, e do que lembro da nossa casa, a matança do porco era a maior folia do ano e a abundância no lar. Daquele porco, alimentado com as chamadas "lavagens" (restos de comida e alguma farinha à mistura), milho, etc., tinha-se o produto para sustentar a família.

Convidava-se a família e parentes acostumados a essas grandes manobras e a casa ficava numa alegria nesse dia.

Minha mãe e minha avó escondiam-se na hora da faca fazer o último suspiro do bicho. Eu é que era chamada para aparar o líquido vermelho no alguidar com sal no fundo. Eu ia mas confesso que me arrepiava um pouco, não fosse o bicho revoltar-se e atingir-me em cheio. Claro que isso não era permitido porque os braços robustos dos homens o aguentavam fortemente em cima do banco de madeira feito pelo meu pai, que era também o marchante.

Depois era a tarefa divertida do lavar as tripas do porco, cuja bexiga depois de relativamente limpa, se enchia como um balão para servir para a "canalha" jogar. O rabo do porco era a mascote para pendurar na traseira do marchante. A graça era ele nem desconfiar que ele lá estava para fazer a risada geral.

Ainda havia tempo para a vizinhança convidada vir ver o toucinho do porco dependurado no tirante, de cabeça para baixo, ao contrário do que se faz na ilha do Pico.

Bolachas, biscoitos, anis, licores, aguardente, vinho abafado e, por vezes, algum bolo faziam as delícias dos convivas e da mesa um perfume apetecível inundava as nossas narinas que também tinham outros odores mais fortes e próprios daquela tarefa de todos.

Torresmos de toucinho, de carne, morcela, sarapatel, enchiam as mesas no próprio dia e no seguinte. Adorava quando a minha madrinha do batismo, Maria das Neves, me deixava fazer a réplica pequenina do lume de lenha, onde eu colocava uma lata de atum vazia com um torresminho a derreter, como que a imitar a sua árdua e boa tarefa: derreter os torresmos temperados à sua maneira e com uma dose de leite para que os torresmos ficassem dourados, bem ao gosto da minha avó materna.

Saudades?! Talvez. Não tanto de manusear as carnes mas de ter a família mais chegada junta na nossa casa e viver toda a euforia que eu própria tinha e transbordava.

Vou terminar este pequeno historial porque já sinto uma lágrima a querer rolar-me no rosto. Só queria voltar atrás por um dia: o dia de todos felizes como santos.

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Linda Mãe, que eu adoro!

por Azoriana, em 31.10.17

Linda Mãe, que eu adoro
E tantas vezes imploro
Pela sua proteção.
És a nossa padroeira
Altar da ilha Terceira
Pela grande devoção.

É pilar da oração
Do nosso mundo cristão
Um apelo à romaria.
Mais um ano aí vem
Para festejar a Mãe
A simples Virgem Maria.

Património religioso
É um museu poderoso
Que importa relembrar.
E também o emigrante
Que ora mesmo distante
Com gosto a colaborar.

Outrora era o angrense
Que em terreno serretense
Lhe fazia a festa toda.
Ande o povo por onde andar
À Serreta vai cantar
E com pouco faz a boda.

Rosa Silva ("Azoriana")

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Outrora foi meu jardim

por Azoriana, em 24.10.17

Serreta antiga

Ergue-se naquele monte
Um rosário de verdura
Que nada se lhe aponte
Somente a fé da ternura.

Noutro tempo cinza cor
Em tela de campo belo
Deu-me seu berço de amor
Que não teve paralelo.

Agora nos versos meus
É passado repetente
Uma conversa com Deus
Que rima no meu presente.

Mas nem sempre foi assim
Acreditem que é verdade:
Outrora foi meu jardim
Hoje é a flor da saudade.

Rosa Silva ("Azoriana")

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Os escritos são laços que
nos unem na simplicidade
do sonho... São momentos!
Rosa Silva ("Azoriana")
DATA DA CRIAÇÃO
09/04/2004

A curiosidade aliada à
necessidade criou
o 1º artigo e continuou...
DEZ ANOS
2014/04/09

Não há rima para o tempo
Mas o tempo é uma rima
Que serve de passatempo
A quem o tempo estima.


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