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“On the Front Lines of Multiple Sclerosis,” by Rosa Maria Silva
Translated by Katharine F. Baker


(True story based on personal knowledge, for the National Day for people with multiple sclerosis, December 4)

     Multiple sclerosis was the disease that took my mother to the point of no reaction. Everything was falling asleep for thirty-nine years... I understood what she said: “It’s a tingling, an anthill that takes over my whole body.” She was dependent on another (her youngest daughter) for basic and essential care. She had lost almost all her senses, including vision. Palpation would produce only the usual format. She would cradle her morning mug of coffee with milk, the spoon would go askew en route to her mouth, chewing or swallowing a necessary sacrifice, a poor procession of her hand to her leg with no force to rest her foot on the wheelchair. In her final years (her sixties), the chair was almost always replaced by her bed. The bed was the site of all actions of the human body, a “dead” weight among tears and prayers repeated mentally with the images of saints made ornament of the room’s furniture. She was a devout believer in prayer and in visiting Serreta’s Patron Mother the second week of September, no matter what. Her priority was to hear and see the festa mass with the Holy Mother on her platform, seated very close to Her. Her smile shone during that hour. The perfume of the ornamental flowers of the season inside the church made her face young and happy. I admired that scene and retired my silence. When would the time come no longer to see that scenario of instant happiness? During Serreta’s festa in September 2003 it was not even possible to think about taking her to the best representation of the mothers of the universe. The next month, on the 28th, she lost all movement. She had only closed lips with a probe for the machine-adapted meal, eyes closed to the ephemeral world, total pallor, a “sleep” that was hard to watch, and our prayer that God would receive it and grant her the peace she deserved.

     Since then I’ve never liked hearing that expression “having multiple sclerosis” – it’s like remembering my sister, the best caregiver my mother could have had, in the sense that she had become accustomed to that scourge. How many, many times had the ambulance not been the surest and fastest way to take her patient (and mine) to the old Angra do Heroísmo hospital? How many, many times had the physical therapist helped her and taught her the best way to withstand falling in her movements? How many, many times had I wept inwardly for dealing however I could, because another grander treatment was not considered appropriate because she was too sensitive to pain, wounds, and the sapping of the parts of a body that had given birth to me (us).

     Even today I think that it was she, my mother Matilde Correia, the sufferer inspiring my creativity in writing when I never had any before (I was a student not by choice, but out of obligation). After her death I became a lover of words to the point of being an avid improviser. I leave proof in a book I have edited for future memory about the Patroness, our village and my sick mother, who always had an unshakable faith. That faith did not heal her, but it elevated her and healed me.

2018/11/29

Comment from a reader I know who asked me not to identify him:

     “Your mother’s life was for several years truly that of an authentic martyr, always watered with faith, that invisible force, which certainly helped her bear her tremendous cross. Your sister, too, didn’t have an easy task and that, in order to deal with this type of illness, requires a total availability, and you, who were more on the periphery, were suffering in your silence. After her death, I believe that her spirit, in peace, was decisive in your intellectual transformation. Probably what you did from there was something she in life had always wanted to do, but could not, due to two limitations: literary knowledge, and illness.

Comment from a communications professional I know who asked me not to identify her:

     “A deep, moving text that mirrors the suffering of someone who has had the joy of being enveloped by love to the end.

In her form, Rosa’s writing is visual and intense, where the almost imperceptible recourse to metaphors makes us witness to the episode and carries us to the reality of the emotions.

For me, the distribution of these texts go beyond the literary aspect.

Your mother’s life experience of being a bearer of ‘multiple sclerosis’ must be discussed, because it is in sharing situations like this that concern for the problem is spread.

P.S.  Chryz Chrystello (Jornalista, tradutor) - Blogue de notícias alternativas in https://blog.lusofonias.net/?p=84155

Em português - siga a hiperligação ao artigo original

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Esclerose Múltipla na primeira linha

por Azoriana, em 29.11.18

(um texto verdadeiro por conhecimento familiar para o dia nacional a 4 de dezembro)

Esclerose Múltipla foi a enfermidade que levou a minha mãe ao ponto de não reação. Tudo foi adormecendo ao longo de trinta e nove anos… o que ela dizia eu compreendia: "é uma dormência, um formigueiro que me toma o corpo todo". Ficou dependente de outrem (a filha mais nova) para os cuidados mínimos e essenciais. Perdera quase todos os sentidos incluindo a visão. A palpação surtia apenas no que era formato habitual. Moldava a caneca do café com leite matinal, a colher ia torta ao caminho da boca, mastigar ou engolir um sacrifício necessário, um cortejo deficiente da mão para a perna sem força para pousar o pé na cadeira de rodas. Em idade mais avançada (pós sessenta anos) a cadeira foi substituída pela cama quase sempre. A cama era o estado de todas as ações do corpo humano, um peso "morto" entre lágrimas e orações repetidas mentalmente com as imagens de Santos feitas ornamento do móvel do quarto. Ela era uma preciosa crente na oração e na "visita" à Mãe Padroeira, por ocasião da segunda semana de setembro, desse por onde desse. A prioridade era ouvir e "ver" a missa de Festa com a Mãe no andor, mesmo sentada muito perto d'Ela. O sorriso resplandecia nessa hora. O perfume das flores ornamentais da época, no interior da igreja, fazia-lhe o rosto novo e feliz. Eu admirava aquela cena e entristecida recolhia-me ao silêncio. Quando seria o tempo de já não ver aquele cenário de "felicidade" instantânea?! Foi na Festa de setembro do ano de 2003 que não foi possível sequer pensar em levá-la para junto da melhor representante das mães do universo. No mês seguinte, a vinte e oito, perdia todos os movimentos. Apenas os lábios cerrados com uma sonda para a refeição adaptada a máquinas, olhos fechados para o mundo efémero, palidez total, um "sono" feio de ver, e a nossa oração para que Deus a recebesse e lhe desse a paz merecida.

Nunca mais gostei de ouvir essa expressão "ter esclerose múltipla"... é como que relembrar a minha irmã, a melhor cuidadora que minha mãe podia ter, no sentido de que acostumara-se àquele flagelo caseiro. Quantas e quantas vezes não fora a ambulância o meio certeiro e diligente para levar a sua doente (e minha) ao velho Hospital de Angra do Heroísmo?! Quantas e quantas vezes a fisioterapeuta lhe acudira e ensinara a melhor forma de suportar a queda dos movimentos?! Quantas e quantas vezes chorava eu, interiormente, ao tratar do que podia porque outro maior tratamento não me era considerado adequado por ser demasiado sensível à dor, às feridas, e ao consumir das peças de um corpo que me (nos) dera à luz.

Ainda hoje penso que foi ela, Matilde Correia, a minha mãe, a sofredora a inspirar a minha criatividade de escrita que jamais fizera antes (Não fui aluna por gosto, mas por obrigação). Depois do seu falecimento tornei-me amante de palavras ao ponto de ser uma repentista assídua. Deixo provas num livro que editei para memória futura sobre a Padroeira, a freguesia e a mãe enferma, mas sempre com uma fé inabalável. Essa fé não a curou, elevou-a e curou-me.

2018/11/29

Comentário de leitor conhecido e que não identifico por opção:


"Efetivamente, a vida da tua mãe, durante vários anos, foi a de uma autêntica mártir, sempre regada com fé, essa força invisível que, certamente, a ajudou a suportar a tremenda cruz. A tua irmã, também, não teve tarefa fácil pois, lidar com esse tipo de doença, exige uma disponibilidade total. Quanto a ti, que estavas mais na periferia, ias sofrendo no teu silêncio. Depois da sua morte, creio que o espírito dela, em paz, foi decisivo na tua transformação intelectual. Provavelmente, o que tu fizeste a partir daí foi algo que, ela, em vida, sempre quis fazer, mas não o conseguiu por duas limitações: conhecimentos literários, doença."

Comentário de uma profissional da comunicação conhecida e que não identifico por opção:

"Um texto profundo, comovente, que espelha o sofrimento de alguém que teve a felicidade de estar envolvida pelo amor até ao fim.

Na forma, a escrita da Rosa é visual e intensa, onde o recurso às metáforas quase impercetível, nos fazem testemunhas do episódio e nos transportam para a realidade das emoções.

A divulgação destes textos, quanto a mim, vão além do aspeto literário.

A experiência de vida da sua mãe, de ser portadora da "esclerose múltipla", deve ser divulgada, porque é na partilha de situações como esta que o interesse pela problemática se difunde".

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Verso(s) & Verso(s) II

por Azoriana, em 29.11.18

Do verso sei tão pouco... só lamento
Não ter a parte que melhor seria
Para dar-me de tudo o que queria
Ficar na lembrança do mais atento.

Do verso gosto tanto… com talento
Dos teus que vejo nascer cada dia
Regados como flores em sinfonia
Na tela que não morrerá no vento.

Que hoje o verso seja a melhor flor
Que cai no molde peito "poetante"
E que do meu saiu quase errante…

Na volta sonho ver quanto valor
Se expande entre um e o outro verso
Se o meu saiu, assim, ora disperso.

Rosa Silva ("Azoriana")


P. S. Comentário escrito para "Poeta porque Deus quer" que me responde assim:

Verso(s) II

"Se o meu saiu, assim, ora disperso",
Embora entre harmonias partilhado,
Será contigo, Rosa, que converso,
A ti te envio um poema naufragado

Nas ondas deste mar que é nosso berço,
Mesmo que seja um berço do passado,
Pois se o nosso presente é bem diverso
Pode o futuro ser aproximado;

Não erra o verso vindo cá do fundo
Que busca um cais, um cais no nosso mundo,
Nem erra o verso que outro verso inspira,

Portanto, inda que sendo um verso errante,
Não erra o seu percurso o navegante
Que em vez de usar sextante, use uma lira!


Maria João Brito de Sousa

in https://poetaporkedeusker.blogs.sapo.pt/sem-lagrimas-435757?view=6227757#t6227757

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Os escritos são laços que
nos unem na simplicidade
do sonho... São momentos!
Rosa Silva ("Azoriana")
DATA DA CRIAÇÃO
09/04/2004

A curiosidade aliada à
necessidade criou
o 1º artigo e continuou...
DEZ ANOS
2014/04/09

Não há rima para o tempo
Mas o tempo é uma rima
Que serve de passatempo
A quem o tempo estima.


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