Os escritos são laços que nos unem, na simplicidade do sonho... São momentos! - Rosa Silva (Azoriana).
Criado a 09/04/2004. Angra do Heroísmo, ilha Terceira, Açores. A curiosidade aliada à necessidade criou o 1
Na tristeza que estou passando.
Tenho um filho estudante
Longe de mim, distante,
De saudade me povoando.
Tenho a fé do meu lado,
Que num dia, sol radiante,
Seja ele feliz, triunfante,
E pela mãe seja beijado.
A única que ele tem,
Que por mais não conseguir,
Deixa, por vezes, sucumbir,
O seu ideal de mãe:
A alegria de um fado,
Seja exemplo do que tem, Esse primeiro que a mãe,
Queria dar-lhe cantado.
Rosa Maria.
Cante-me o meu primeiro fado, caro amigo, e quem sabe consigo me conformar com o que agora estou a passar. Seria uma felicidade. Minha voz não preenche o Calor do Fado.
(in Ecos da Poesia, de Euclides Cavaco, o Homem do Fado)
Um mirante, um diário; Agenda, noticiário; Um post-it, simples lembrete; Um rascunho ou um bilhete.
Uma carta, uma viagem; Uma vigia da imagem; Um espelho ou um visor; Do rosto do seu autor...
Anónimo ou conhecido; Isolado ou colectivo; Um mundo visto ao segundo, Muitas vezes moribundo.
Instrutivo ou aberrante; Residente ou emigrante; De forasteiro ou nativo: Um blog é interactivo.
Semental da estrutura; Calendário da cultura; Montra de localidades, Freguesias e cidades.
Com modelo original E logótipo ideal. Artigos catalogados Recheiam base de dados.
Quem nisto não acredite, Mostre lá o seu palpite. E com tantas qualidades Não é montra de vaidades...
A vaidade não tem cor De quem escreve por amor. O SAPO de mim conquista O amor de ser bloguista. Rosa Silva ("Azoriana") 2008/07/25
Nota: Uma dedicatória especial à maravilhosa Equipa do Serviço de Apontadores Portugueses - SAPO - que merece isto e muito mais, pois não medem esforços para nos ajudar a ser tudo e mais do que acima referi nos moldes que gosto e que esta equipa, concerteza, já se habituou e que pode (ou não) apreciar. Nem toda a gente gosta do improviso e da rima rápida mas podem crer que isso tudo devo ao SAPO, pois foi graças a este pessoal que descobri o que realmente me faz feliz, em termos de "part-time". É que com ele, estou a aprender a ser feliz... Bem-haja!
... Emigrante,
Tu que estás distante
Num sonho constante
E no teu semblante
A saudade mora;
... Emigrante,
Que deixaste mãe,
Pai, irmãos também,
E o torrão que tem
A Virgem Senhora;
... Emigrante,
Volta ao luar,
E ao marulhar
Deste vivo mar
Que 'inda te ancora.
... Emigrante,
Por terras maiores
Longe destas cores
Que são teus amores
Pela vida fora.
... Emigrante,
Volta mais um dia,
Porque é fugidia
O que a sorte cria
E logo evapora.
... Emigrante,
Olha p'ro retrato
Verás que de facto
Voltar é num jacto
Morte é toda a hora.
... Emigrante,
Vem cantar comigo
Ouve o que te digo
Na canção de amigo
Que canto agora.
Rosa Silva ("Azoriana")
P.S. Este desabafo serve para quem está longe do seu torrão natal e sente saudades. Mas quando o escrevi estava a pensar, também, no meu filho que não consigo ver se não daqui a grandes meses. A maior tristeza disto tudo é eu não ter meios para o trazer de volta. Agora entendo o que sofrem as mães cujos filhos emigram e nunca mais se vêem. É uma dor tão grande que é impossível descrever por palavras.
Um dia alguém me acusou de ser "pedinchona" e outros termos que olvidei. Calo-me, então. Os filhos são-nos doados por Deus. Ao vê-los crescrer e encaminhar-se na vida sentimos um misto de alegria à mistura com essa palavra tão regional - SAUDADE!
Este é o código que fiz para colocar no meu blog como prova de agradecimento pela parte que V. Exª captou das minhas humildes e simples inspirações. Outrora, penso já ter-lhe escrito mas, passado algum tempo, e vendo o seu sítio renovado e recheado de beleza e muita informação, tinha de lhe agraciar com palavras que pecam por escassas mas são muito sinceras e sentidas.
Apraz-me ver tão rica colectânea sobre o Espírito Santo que sempre nos dá tudo se a fé estiver à nossa beira. E consigo Ele está.
Em meu nome e em nome da população da ilha Terceira dou-lhe o Maior agradecimento e fico ao seu dispor, caso goste das imagens que vou colhendo aqui, ali e mais além e, que divulgo no Serviço de Apontadores Portugueses - SAPO.
Cordiais saudações
Rosa Silva ("Azoriana")
A resposta do Prof. Sergio Manoel trouxe-me grande alegria:
Sra Rosa, agradecimentos são meus pelos belos assuntos em seu blog, o qual não me canso de visitar.
Este Portal foi idealizado por mim para divulgar as tradições e fé que meus avós deixaram.
Os versos são da minha autoria mas a fonte inspiradora, onde fui beber avidamente todos os parágrafos de um texto com "cabeça, tronco e membros", é da autoria de Victor Alves, datado de Julho de 2007. Faz agora um ano.
Neste dia, 23 de Julho de 2008, eu entreguei outra inspiração, voando, à esposa de um senhor, pelo qual tenho uma admirável consideração: o senhor Luís Bretão, que reside em São Carlos, concelho de Angra do Heroísmo, da ilha Terceira, Açores.
Este é mais um sinal que recebi dos céus. Terminaram as minhas hesitações. Minha mãe canta no céu. Tudo isto porque ela "me chamou", através de algumas pessoas e locais, há uns dias a esta parte. "Sem falar" deu-me luz num rumo novo para o percurso da minha vida. Por ela cantarei.
Por ora, vou voando em "papel", via tecnológica.
O silêncio diz-me: «Nunca é tarde para amar» e contigo vir a cantar. Trata-me por "Cagarra da Terceira".
Tive a honra de ser a primeira convidada a fazê-lo e lá está no blog dos blogs um post sobre isso mesmo. Passem por lá, comentem com a vossa opinião e visitem os destaques deixando um comenário solidário se assim o entenderem.
http://blogs.blogs.sapo.pt/95229.html
Mesmo os bloguistas de outras plataformas podem e devem visitar os blogs do Sapo.
Oito dias antes do Domingo de Páscoa a Coroa do Divino Espírito Santo vai para casa do imperador que irá coroar no 1º Domingo do Espírito Santo e permanece nesta casa durante quinze dias (De 1 de Abril a 15 de Abril de 2007). Todas as noites, os vizinhos e convidados reúnem-se para um pequeno convívio, por vezes incluí danças, que termina pela recitação do terço e de orações alusivas ao Divino Espírito Santo.
No 1º Domingo (15 de Abril), reúnem-se as duas coroas na casa do imperador e em cortejo são transportadas para a igreja, fazendo-se no final da missa a primeira coroação, depois de coroado, o imperador parte para sua casa, acompanhado pelos familiares e amigos, num cortejo com 2 bandeiras à frente e 2 atrás e termina pelos coroados. Atrás vai a filarmónica que acompanha o percurso.
Chegados a casa do imperador, as coroas são colocadas num trono armado (o Altar do Espírito Santo) em madeira revestida de papel branco e de flores e à tarde são levadas para o novo imperador que coroará no 3º Domingo (29 de Abril de 2007). A casa é toda preparada para esta ocasião e há sempre uma bandeira colocada no exterior, geralmente ao portão de entrada, para identificar que ali há um Altar ao Divino.
No 2º Domingo, o imperador que também recebe a coroa durante 15 dias, parte em cortejo para a igreja, do mesmo modo que o primeiro, sendo recebido à porta pelo pároco, que entoa o Magnificat. O processo repete-se até aos Domingos do Bodo (7º Domingo - 1º Bodo: Pentecostes e 8º Domingo - 2º Bodo: Trindade).
No 7º Domingo (27 de Maio de 2007) após a Páscoa (8 de Abril de 2007) realiza-se o 1º Bodo. Nesse dia e conforme o que ocorreu em anos anteriores, o cortejo depois de sair da igreja dirige-se à Despensa para acompanhar o Pároco que irá benzer o pão e o vinho e depois dirige-se ao Império, sendo a Coroa e Bandeiras (4) aí colocadas enquanto é distribuído o pão por toda a gente presente e também vinho (ver imagens). Habitualmente, é no bodo da manhã que são sorteados os pelouros para a escolha dos imperadores/mordomos dos Domingos do próximo ano. No 1º Bodo (27 de Maio de 2007) são sorteados os 1º, 3º, 5º e 7º Domingos. No 2º Bodo (3 de Junho de 2007) são sorteados os 2º, 4º, 6º e 8º Domingos. A escolha é feita pela retirada de pelouros, bilhetes em papel onde é escrito o nº do Domingo, enrolados e colocados num chapéu, de onde são retirados por uma criança. Abaixo, imagens relativas ao ano de 2006:
A existência de imperadores/mordomos é voluntária mas por vezes há pessoas que se oferecem para cumprimento de promessa feita em virtude de uma graça do Divino Espírito Santo. Até esta data, nunca me lembra do Espírito Santo ficar sem ter imperador e isso emociona-me sempre e prova que a fé move os corações serretenses.
Depois desta felicidade, o cortejo segue para casa do imperador/mordomo onde é servida a função do Espírito Santo (a tradicional refeição abundante com as Sopas de Pão do Espírito Santo, cozido, alcatra e arroz doce. Inclui também a boa massa sovada e o pão de leite). Antes do regresso do cortejo à casa do imperador e enquanto decorre a missa e coroação há sempre alguém que faz a distribuição de ofertas de sopa e cozido às pessoas doentes e idosos da freguesia.
[Quem oferece este banquete, geralmente dá carne na freguesia, caso tenha promessa, e na semana preparatória desta azáfama feliz enfeita os bezerros para seguirem na briança pela freguesia, acompanhada por amigos e convidados e ainda alguns músicos que tocam o "Pézinho". Pode, eventualmente, caso deseje, convidar cantadores do improviso (ao desafio) para animar ainda mais o cortejo, que vai parando nos pontos estratégicos da freguesia: igreja, império, sociedade, etc. até chegar ao seu destino e serem servidos queijo fresco, favas com molho picante e outras iguarias próprias desta festança.]
Continuando... À tardinha, após a função que simboliza a partilha e é servida na presença das coroas a todos os convidados, o cortejo volta a formar-se e segue até ao Império para o bodo da tarde onde as pessoas convivem alegremente e levam as oferendas (carne assada, arroz doce e massa sovada; alfenim das promessas que já foi colocado no Império, etc.) e ainda são dispostas mesas e bancos para se proceder à partilha de doces e salgados, que cada família leva para partilhar, na zona exterior circundante ao Império. Ao longo deste convívio fazem-se as tradicionais arrematações de massa sovada e alfenim e escolhem sempre alguém que tenha uma voz sonante e que entusiasme os presentes a arrecadar as belas e saborosas rosquilhas de massa sovada que neste dia foram abençoadas. Muito havia a escrever sobre esta parte pois é um trabalho voluntário e precioso que antecede a festividade, tudo fruto da partilha e ajuda das famílias e das cozinheiras que têm o tempero certo nas mãos e no coração. Nesta altura nunca faltam ingredientes e a alegria abeira-se das gentes que trazem a bênção do Espírito que lhes dá os sete dons especiais: Sabedoria, Entendimento, Conselho, Fortaleza, Ciência, Piedade e Temor.
É assim um pequeno resumo do que se passa na freguesia da Serreta. Muito mais havia a acrescentar. Resta-me aconselhar a leitura do sítio que explica outros costumes e ainda referir que, todos os anos, a Sociedade Filarmónica Recreio Serretense anima o Bodo com tocatas alegres e passa-se uma tarde muito agradável que chega até a um animado passo de dança. Vale mesmo a pena visitar este Bodo da Serreta. Este convívio só termina quando a noite obriga o recolher da Coroa, Ceptro, Tochas e Bandeiras para a casa do imperador/mordomo a quem foi sorteado o Espírito Santo para todo o ano.
Na segunda-feira (28 de Maio de 2007), a seguir ao 1º Bodo, é feriado dedicado à pombinha e dia dos Açores. É neste dia, também, que há muito que limpar e arrumar, sobretudo louças e apetrechos usados na casa dos imperadores e geralmente quase que se faz uma nova função para quem colabora nestas tarefas sempre com muita alegria.
"Os Impérios do Divino Espírito Santo são um dos traços mais marcantes da identidade açoriana, constituindo um culto que para além de marcar o quotidiano insular, determina traços identitários que acompanham os açorianos para todos os lugares onde a emigração os levou. Para além dos Açores, o culto está hoje bem vivo no Brasil (para onde foi levado há três séculos) e na América do Norte." - in Wikipédia, a enciclopédia livre.
Há muita informação no Portal do Divino, na primeira e na nova versão, onde constam textos e imagens de muitos colaboradores e alguns detalhes sobre o Espírito Santo na freguesia da Serreta, que o seu autor encontrou nos meus artigos. Agradeço-lhe e que o Espírito Santo conceda todas as graças a ele e a todas as pessoas em geral e em particular aos terceirenses que, sem dúvida, vivem intensa e devotamente estes dias de júbilo espiritual.
E como se vive esta quadra na tua área de residência? Certamente haverá algumas diferenças mas sempre com o mesmo intuito: Louvor ao Divino, que origina inspirações diversas.
Aproveito para homenagear os párocos da freguesia da Serreta já falecidos e o Reitor do Santuário de Nossa Senhora dos Milagres que agora tem a função de coroar e nos transmite esta Divindade, que vai além fronteiras e povoa os nossos corações.
Outra homenagem é para o meu falecido primo, Daniel da Costa Cota, que muita alegria tinha nestes dias e estava sempre pronto a servir e a partilhar a sua imensa devoção ao Espírito Santo. Ele partiu mas fica sempre a lembrança deste grande amigo.
(Ano de 2006)
Rosa Silva ("Azoriana")
Nota: Este texto não está completo e levou algum tempo a escrever. Veja-se o artigo relacionado com o Império da Serreta, que na minha opinião, apresenta 6 bilros, 3 à esquerda e 3 à direita do bilro central que contém um dos símbolos do Divino: a Coroa. Aos bilros da esquerda, eu atribuo os Domingos ímpares e aos da direita os Domingos pares. O centro representa o Domingo de Pentecostes e Trindade. Isto é uma observação muito pessoal e espero ser coerente.
Cada ilha tem suas tradições mas conheço melhor as da Terceira e do Pico, se bem que não consiga explicar tudo detalhadamente. Peço que me perdoem alguma incorrecção neste texto e podem enviar-me alguma correcção e/ou mais informação, caso entendam por bem.