Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Açoriana - Azoriana - terceirense das rimas

Os escritos são laços que nos unem, na simplicidade do sonho... São momentos! - Rosa Silva (Azoriana). Criado a 09/04/2004. Angra do Heroísmo, ilha Terceira, Açores. A curiosidade aliada à necessidade criou o 1

Partilha com no

Criações de Rosa Silva e outrem
Histórico da Listagem,
de 1.023 sonetilhos/sonetos filhos

O que descobri no blog Arte por um canudo de Agostinho

26.07.08 | Rosa Silva ("Azoriana")

Na ronda de blogs, em fim-de-semana, o de Agostinho Silva - Arte por um Canudo, chamou-me a atenção.

Depois, segui-lhe os passos e encontrei uma lista de tops interessante:
top dos  500 blogs mais vistos Lusófonos.

 

 

Agradeço a todos os que contribuíram para que eu tivesse esta surpresa.

Amigo, dá-me uma alegria

25.07.08 | Rosa Silva ("Azoriana")

 

Na tristeza que estou passando.
Tenho um filho estudante
Longe de mim, distante,
De saudade me povoando.

Tenho a fé do meu lado,
Que num dia, sol radiante,
Seja ele feliz, triunfante,
E pela mãe seja beijado.

A única que ele tem,
Que por mais não conseguir,
Deixa, por vezes, sucumbir,
O seu ideal de mãe:

A alegria de um fado,
Seja exemplo do que tem,
Esse primeiro que a mãe,
Queria dar-lhe cantado.

 

Rosa Maria.

 

Cante-me o meu primeiro fado, caro amigo, e quem sabe consigo me conformar com o que agora estou a passar. Seria uma felicidade. Minha voz não preenche o Calor do Fado.

 

(in Ecos da Poesia, de Euclides Cavaco, o Homem do Fado)

Aos 1568 dias de blog

25.07.08 | Rosa Silva ("Azoriana")

O blog é...

Um mirante, um diário;
Agenda, noticiário;
Um post-it, simples lembrete;
Um rascunho ou um bilhete.

Uma carta, uma viagem;
Uma vigia da imagem;
Um espelho ou um visor;
Do rosto do seu autor...

Anónimo ou conhecido;
Isolado ou colectivo;
Um mundo visto ao segundo,
Muitas vezes moribundo.

Instrutivo ou aberrante;
Residente ou emigrante;
De forasteiro ou nativo:
Um blog é interactivo.

Semental da estrutura;
Calendário da cultura;
Montra de localidades,
Freguesias e cidades.

Com modelo original
E logótipo ideal.
Artigos catalogados
Recheiam base de dados.

Quem nisto não acredite,
Mostre lá o seu palpite.
E com tantas qualidades
Não é montra de vaidades...

A vaidade não tem cor
De quem escreve por amor.
O SAPO de mim conquista
O amor de ser bloguista.

Rosa Silva ("Azoriana")
2008/07/25


Nota: Uma dedicatória especial à maravilhosa Equipa do Serviço de Apontadores Portugueses - SAPO - que merece isto e muito mais, pois não medem esforços para nos ajudar a ser tudo e mais do que acima referi nos moldes que gosto e que esta equipa, concerteza, já se habituou e que pode (ou não) apreciar. Nem toda a gente gosta do improviso e da rima rápida mas podem crer que isso tudo devo ao SAPO, pois foi graças a este pessoal que descobri o que realmente me faz feliz, em termos de "part-time". É que com ele, estou a aprender a ser feliz... Bem-haja!

Emigrante (e a um filho distante)

25.07.08 | Rosa Silva ("Azoriana")

... Emigrante,
Tu que estás distante
Num sonho constante
E no teu semblante
A saudade mora;

... Emigrante,
Que deixaste mãe,
Pai, irmãos também,
E o torrão que tem
A Virgem Senhora;

... Emigrante,
Volta ao luar,
E ao marulhar
Deste vivo mar
Que 'inda te ancora.

... Emigrante,
Por terras maiores
Longe destas cores
Que são teus amores
Pela vida fora.

... Emigrante,
Volta mais um dia,
Porque é fugidia
O que a sorte cria
E logo evapora.

... Emigrante,
Olha p'ro retrato
Verás que de facto
Voltar é num jacto
Morte é toda a hora.

... Emigrante,
Vem cantar comigo
Ouve o que te digo
Na canção de amigo
Que canto agora.

Rosa Silva ("Azoriana")

P.S. Este desabafo serve para quem está longe do seu torrão natal e sente saudades. Mas quando o escrevi estava a pensar, também, no meu filho que não consigo ver se não daqui a grandes meses. A maior tristeza disto tudo é eu não ter meios para o trazer de volta. Agora entendo o que sofrem as mães cujos filhos emigram e nunca mais se vêem. É uma dor tão grande que é impossível descrever por palavras.

Um dia alguém me acusou de ser "pedinchona" e outros termos que olvidei. Calo-me, então. Os filhos são-nos doados por Deus. Ao vê-los crescrer e encaminhar-se na vida sentimos um misto de alegria à mistura com essa palavra tão regional - SAUDADE!

A vida vai torta, jamais se endireita...

 

 

 

Cada vez o fogo me arde mais

24.07.08 | Rosa Silva ("Azoriana")

Outrora era nas andanças
do "mijinho do Menino"
ou a cantar nas matanças
que sentiam o destino


Esta quadra deu-me um dia,
Em "cantoria" escrita,
Um "cantador" com valia
Mas sem sua graça dita.

Foi a curiosidade,
Que assalta o feminino,
Em saber a identidade
Deste nobre masculino.

Tombou logo o improviso,
Travou-se a edição,
Fiquei pobre, sem sorriso,
Saudade veio em botão.

Hoje, manhã sonhadora,
Deu-me versos matinais,
Estava eu como cantora
Num dos nossos arraiais.

Ninguém impede meus gostos
Que brotam do coração;
Enfrentei já muitos rostos
Quando lia à multidão.

Faz-me falta a viola,
E seu toque inspirado;
Confiança versus escola
Meio caminho andado.

O «PEZINHO» e a «CANTORIA»,
Enchem a ilha de Jesus,
Querem dom mais melodia
E na trova faz-se luz.

Mas a luz só vai ter brilho
No despique com parceiro.
(Não pode ter andarilho
Tem de ter andar matreiro).

E se juntar a beleza
Que a nossa ilha oferece,
Afirmo, com mais certeza,
Que a rima logo aquece.

É o calor de vulcão
Numa lava de cantigas
Que chama a multidão
A dar-nos palmas amigas.

Mas se o invés acontece
E a lava fica fria...
Nem tudo é o que parece
Muda-se a parceria.

O truque da cantoria,
Cá no meu fraco entender,
É não mostrar agonia
É não ter algo a TREMER.

Não se sentir humilhado,
Nem fazer humilhação,
Só quem não tiver pecado
Pode pôr alguém ao chão.

E mesmo assim atraiçoa
O cerne do catecismo
Há sempre algo que magoa
Como o TREMER de um sismo.

Que mais provas posso dar
Do amor p'lo desafio?
Só me falta é cantar
Como em virtual saiu.

Quero saber a resposta,
Vem daí, Ó CANTADOR,
Se na minha rima aposta
Volte, volte, por favor!

Um dia já me disseste
Ser "cantadeira assumida",
Desde aí algo fizeste
P'ra me tornar conhecida.

E nas ruas da cidade
Património Mundial,
Percebi toda a vontade
De eu seguir no ritual.

Mas, ali, naquela altura,
Não segui o seu apelo:
Pois naquela formatura
Empenava o cotovelo.

"Cantadeira"

Rosa Silva ("Azoriana")
2008/07/24

Ao «Portal da Festa do Divino Espírito Santo»

23.07.08 | Rosa Silva ("Azoriana")

O Portal do Divino Espírito Santo no Brasil e no Mundo
O Portal do Divino
Espírito Santo
no Brasil e no Mundo

 

Este é o código que fiz para colocar no meu blog como prova de agradecimento pela parte que V. Exª captou das minhas humildes e simples inspirações. Outrora, penso já ter-lhe escrito mas, passado algum tempo, e vendo o seu sítio renovado e recheado de beleza e muita informação, tinha de lhe agraciar com palavras que pecam por escassas mas são muito sinceras e sentidas.

Apraz-me ver tão rica colectânea sobre o Espírito Santo que sempre nos dá tudo se a fé estiver à nossa beira. E consigo Ele está.

Em meu nome e em nome da população da ilha Terceira dou-lhe o Maior agradecimento e fico ao seu dispor, caso goste das imagens que vou colhendo aqui, ali e mais além e, que divulgo no Serviço de Apontadores Portugueses - SAPO.

Cordiais saudações

Rosa Silva ("Azoriana")

A resposta do Prof. Sergio Manoel trouxe-me grande alegria:

Sra Rosa,
agradecimentos são meus pelos belos assuntos em seu blog, o qual não me canso de visitar.

Este Portal foi idealizado por mim para divulgar as tradições e fé que meus avós deixaram.

Um forte abraço.


Sergio Manoel

Há um fogo interior

23.07.08 | Rosa Silva ("Azoriana")

Quadras cuja fonte inspiradora tem o título: "A Irmandade do Divino Espírito Santo de S. Carlos", Victor Alves. Julho de 2007.

Ver "Nota" explicativa no fim do artigo.

Advertência: Se gosta das nossas tradições culturais e religiosas siga na leitura das 21 quadras e 1 sextilha.

Pode emocionar-se, tal como eu, que sinto que...

 

Há um fogo interior

Sabem porque cá navegam
Fé, Louvores, Cantorias?!
Porque são elas que esmagam
Fumo, tremores, agonias.

São Carlos disso entende,
Lugar que volveu do fumo;
Da prece de quem defende
Irmandade nesse rumo.

Há uma Festa constante,
No Império do Divino,
Do remoto p'ra diante
Setembro é mês cristalino.

Em ilhas grassam tremores,
Catástrofes de assustar;
Nos Impérios dão louvores
E Deus vem nos acalmar.

A Coroa do Divino
É rica de simbolismo;
Dá ao Povo manso Hino
Na revolta de um sismo.

As tochas das Procissões
Que de lava se acenderam
Provaram que os vulcões
Nos Biscoitos revolveram.

Padroeiros e as Coroas
Juntam-se nas devoções;
O coração das pessoas
Une-se nas Procissões.

Geralmente os abastados
Ergueram do cinza-chão,
"Monumentos" coroados
Pela fé da ocasião.

Um-sete-seis-um, unidos,
Dá o ano da tragédia:
Os votos foram cumpridos
Num "Teatro", sem comédia.

E num estrado de madeira
Presidiu, por Excelência,
Imperador dessa obreira
Festa em louvor e clemência.

"Estrado", "Teatro", Altar,
Capela de bom critério,
Com a função de brindar
E que se chama Império.

Quem passa por tal martírio
Entende o nosso Cantar:
Não é fruto do delírio
É a fé que faz rimar.

Rimar abranda noss'alma
Cantando dupla oração:
Um lírio ou uma palma
Bordam a inspiração.

Por isso nunca se calem
Os Cantadores da ilha;
São eles que muito valem
Numa quadra ou sextilha.

Se a mulher já não avança
Para o centro do Terreiro:
Há que ter nova 'sperança
De sair do "cativeiro".

Venham mulheres cantar,
«Cantigas ao Desafio»,
Darão meiguice ao ar
Como outrora bem se viu.

"Não há mal que sempre dure",
É provérbio que sabeis;
Este bem que se apure
Oralmente ou em papéis.

A pressa é inimiga
E destrói a perfeição
Mas o dom de uma cantiga
É dado de repelão.

P'la boca dos cantadores,
Que existem nesta terra,
Do improviso Senhores,
Nenhuma quadra emperra.

Esta dádiva agradeço
Que a mim também ataca:
Junto ao Império, eu peço
Que a rima não seja fraca.

Há um fogo interior
Que dá força à Cantoria:
O que é feito por amor
É sempre uma mais-valia.

E se um dia cá vierem
Gentes de outros lugares
Digam lá o que quiserem
E fixem nossos olhares
As insígnias vos imperem
Com a Divindade dos ares!



Rosa Silva ("Azoriana")
2008/07/23

Nota:

Os versos são da minha autoria mas a fonte inspiradora, onde fui beber avidamente todos os parágrafos de um texto com "cabeça, tronco e membros", é da autoria de Victor Alves, datado de Julho de 2007. Faz agora um ano.

Neste dia, 23 de Julho de 2008, eu entreguei outra inspiração, voando, à esposa de um senhor, pelo qual tenho uma admirável consideração: o senhor Luís Bretão, que reside em São Carlos, concelho de Angra do Heroísmo, da ilha Terceira, Açores.

Este é mais um sinal que recebi dos céus. Terminaram as minhas hesitações. Minha mãe canta no céu. Tudo isto porque ela "me chamou", através de algumas pessoas e locais, há uns dias a esta parte. "Sem falar" deu-me luz num rumo novo para o percurso da minha vida. Por ela cantarei.

Por ora, vou voando em "papel", via tecnológica.

O silêncio diz-me: «Nunca é tarde para amar» e contigo vir a cantar. Trata-me por "Cagarra da Terceira".

Os Destaques da Grilinha

23.07.08 | Rosa Silva ("Azoriana")

Texto recebido por e-mail da amiga Grilinha:

 

"O sapo começou uma nova rubrica:

 

Destaques sugeridos por bloguistas.

 

Tive a honra de ser a primeira convidada a fazê-lo e lá está no blog dos blogs um post sobre isso mesmo. Passem por lá, comentem com a vossa opinião e visitem os destaques deixando um comenário solidário se assim o entenderem.

 

http://blogs.blogs.sapo.pt/95229.html

 

Mesmo os bloguistas de outras plataformas podem e devem visitar os blogs do Sapo.

 

Um beijinho Grilinha"

 

 

Eu já visitei e comentei. E você?

O Divino Espírito Santo - Serreta - Terceira - Açores

23.07.08 | Rosa Silva ("Azoriana")

Oito dias antes do Domingo de Páscoa a Coroa do Divino Espírito Santo vai para casa do imperador que irá coroar no 1º Domingo do Espírito Santo e permanece nesta casa durante quinze dias (De 1 de Abril a 15 de Abril de 2007). Todas as noites, os vizinhos e convidados reúnem-se para um pequeno convívio, por vezes incluí danças, que termina pela recitação do terço e de orações alusivas ao Divino Espírito Santo.

No 1º Domingo (15 de Abril), reúnem-se as duas coroas na casa do imperador e em cortejo são transportadas para a igreja, fazendo-se no final da missa a primeira coroação, depois de coroado, o imperador parte para sua casa, acompanhado pelos familiares e amigos, num cortejo com 2 bandeiras à frente e 2 atrás e termina pelos coroados. Atrás vai a filarmónica que acompanha o percurso.

Chegados a casa do imperador, as coroas são colocadas num trono armado (o Altar do Espírito Santo) em madeira revestida de papel branco e de flores e à tarde são levadas para o novo imperador que coroará no 3º Domingo (29 de Abril de 2007). A casa é toda preparada para esta ocasião e há sempre uma bandeira colocada no exterior, geralmente ao portão de entrada, para identificar que ali há um Altar ao Divino.

No 2º Domingo, o imperador que também recebe a coroa durante 15 dias, parte em cortejo para a igreja, do mesmo modo que o primeiro, sendo recebido à porta pelo pároco, que entoa o Magnificat. O processo repete-se até aos Domingos do Bodo (7º Domingo - 1º Bodo: Pentecostes e 8º Domingo - 2º Bodo: Trindade).

No 7º Domingo (27 de Maio de 2007) após a Páscoa (8 de Abril de 2007) realiza-se o 1º Bodo. Nesse dia e conforme o que ocorreu em anos anteriores, o cortejo depois de sair da igreja dirige-se à Despensa para acompanhar o Pároco que irá benzer o pão e o vinho e depois dirige-se ao Império, sendo a Coroa e Bandeiras (4) aí colocadas enquanto é distribuído o pão por toda a gente presente e também vinho (ver imagens). Habitualmente, é no bodo da manhã que são sorteados os pelouros para a escolha dos imperadores/mordomos dos Domingos do próximo ano. No 1º Bodo (27 de Maio de 2007) são sorteados os 1º, 3º, 5º e 7º Domingos. No 2º Bodo (3 de Junho de 2007) são sorteados os 2º, 4º, 6º e 8º Domingos. A escolha é feita pela retirada de pelouros, bilhetes em papel onde é escrito o nº do Domingo, enrolados e colocados num chapéu, de onde são retirados por uma criança. Abaixo, imagens relativas ao ano de 2006:


A existência de imperadores/mordomos é voluntária mas por vezes há pessoas que se oferecem para cumprimento de promessa feita em virtude de uma graça do Divino Espírito Santo. Até esta data, nunca me lembra do Espírito Santo ficar sem ter imperador e isso emociona-me sempre e prova que a fé move os corações serretenses.

Depois desta felicidade, o cortejo segue para casa do imperador/mordomo onde é servida a função do Espírito Santo (a tradicional refeição abundante com as Sopas de Pão do Espírito Santo, cozido, alcatra e arroz doce. Inclui também a boa massa sovada e o pão de leite). Antes do regresso do cortejo à casa do imperador e enquanto decorre a missa e coroação há sempre alguém que faz a distribuição de ofertas de sopa e cozido às pessoas doentes e idosos da freguesia.

[Quem oferece este banquete, geralmente dá carne na freguesia, caso tenha promessa, e na semana preparatória desta azáfama feliz enfeita os bezerros para seguirem na briança pela freguesia, acompanhada por amigos e convidados e ainda alguns músicos que tocam o "Pézinho". Pode, eventualmente, caso deseje, convidar cantadores do improviso (ao desafio) para animar ainda mais o cortejo, que vai parando nos pontos estratégicos da freguesia: igreja, império, sociedade, etc. até chegar ao seu destino e serem servidos queijo fresco, favas com molho picante e outras iguarias próprias desta festança.]

Continuando... À tardinha, após a função que simboliza a partilha e é servida na presença das coroas a todos os convidados, o cortejo volta a formar-se e segue até ao Império para o bodo da tarde onde as pessoas convivem alegremente e levam as oferendas (carne assada, arroz doce e massa sovada; alfenim das promessas que já foi colocado no Império, etc.)  e ainda são dispostas mesas e bancos para se proceder à partilha de doces e salgados, que cada família leva para partilhar, na zona exterior circundante ao Império. Ao longo deste convívio fazem-se as tradicionais arrematações de massa sovada e alfenim e escolhem sempre alguém que tenha uma voz sonante e que entusiasme os presentes a arrecadar as belas e saborosas rosquilhas de massa sovada que neste dia foram abençoadas. Muito havia a escrever sobre esta parte pois é um trabalho voluntário e precioso que antecede a festividade, tudo fruto da partilha e ajuda das famílias e das cozinheiras que têm o tempero certo nas mãos e no coração. Nesta altura nunca faltam ingredientes e a alegria abeira-se das gentes que trazem a bênção do Espírito que lhes dá os sete dons especiais: Sabedoria, Entendimento, Conselho, Fortaleza, Ciência, Piedade e Temor.

É assim um pequeno resumo do que se passa na freguesia da Serreta. Muito mais havia a acrescentar. Resta-me aconselhar a leitura do sítio que explica outros costumes e ainda referir que, todos os anos, a Sociedade Filarmónica Recreio Serretense anima o Bodo com tocatas alegres e passa-se uma tarde muito agradável que chega até a um animado passo de dança. Vale mesmo a pena visitar este Bodo da Serreta. Este convívio só termina quando a noite obriga o recolher da Coroa, Ceptro, Tochas e Bandeiras para a casa do imperador/mordomo a quem foi sorteado o Espírito Santo para todo o ano.

Na segunda-feira (28 de Maio de 2007), a seguir ao 1º Bodo, é feriado dedicado à pombinha e dia dos Açores. É neste dia, também, que há muito que limpar e arrumar, sobretudo louças e apetrechos usados na casa dos imperadores e geralmente quase que se faz uma nova função para quem colabora nestas tarefas sempre com muita alegria.

"Os Impérios do Divino Espírito Santo são um dos traços mais marcantes da identidade açoriana, constituindo um culto que para além de marcar o quotidiano insular, determina traços identitários que acompanham os açorianos para todos os lugares onde a emigração os levou. Para além dos Açores, o culto está hoje bem vivo no Brasil (para onde foi levado há três séculos) e na América do Norte." - in Wikipédia, a enciclopédia livre.

Há muita informação no Portal do Divino, na primeira e na nova versão, onde constam textos e imagens de muitos colaboradores e alguns detalhes sobre o Espírito Santo na freguesia da Serreta, que o seu autor encontrou nos meus artigos. Agradeço-lhe e que o Espírito Santo conceda todas as graças a ele e a todas as pessoas em geral e em particular aos terceirenses que, sem dúvida, vivem intensa e devotamente estes dias de júbilo espiritual.

E como se vive esta quadra na tua área de residência? Certamente haverá algumas diferenças mas sempre com o mesmo intuito: Louvor ao Divino, que origina inspirações diversas.

Aproveito para homenagear os párocos da freguesia da Serreta já falecidos e o Reitor do Santuário de Nossa Senhora dos Milagres que agora tem a função de coroar e nos transmite esta Divindade, que vai além fronteiras e povoa os nossos corações.

Outra homenagem é para o meu falecido primo, Daniel da Costa Cota, que muita alegria tinha nestes dias e estava sempre pronto a servir e a partilhar a sua imensa devoção ao Espírito Santo. Ele partiu mas fica sempre a lembrança deste grande amigo.


(Ano de 2006)

Rosa Silva ("Azoriana")

Nota: Este texto não está completo e levou algum tempo a escrever. Veja-se o artigo relacionado com o Império da Serreta, que na minha opinião, apresenta 6 bilros, 3 à esquerda e 3 à direita do bilro central que contém um dos símbolos do Divino: a Coroa. Aos bilros da esquerda, eu atribuo os Domingos ímpares e aos da direita os Domingos pares. O centro representa o Domingo de Pentecostes e Trindade. Isto é uma observação muito pessoal e espero ser coerente.

Cada ilha tem suas tradições mas conheço melhor as da Terceira e do Pico, se bem que não consiga explicar tudo detalhadamente. Peço que me perdoem alguma incorrecção neste texto e podem enviar-me alguma correcção e/ou mais informação, caso entendam por bem.