Os escritos são laços que nos unem, na simplicidade do sonho... São momentos! - Rosa Silva (Azoriana).
Criado a 09/04/2004. Angra do Heroísmo, ilha Terceira, Açores. A curiosidade aliada à necessidade criou o 1
Graças à colaboração de várias pessoas amigas a Maria João tem um novo portátil. Não consegui contribuir mas fico muito feliz por ver que ela já conseguiu o que tanto sonhava e necessitava.
Parabéns pelo destaque que o nosso SAPO lhe deu. É por estas e por outras que adoro este batráquio.
Agora, e porque vi um dos sonetos da Maria João no blog da Joanina, amiga comum, nasceu-me a Criação, que pode não ter nada a ver com o portátil (mas que talvez foi o que foi lido lá primeiro) mas que tem a ver com a forma como vejo um soneto, que é o que a Maria João faz e muito bem. A Criação voou da Joanina para o blog da Poeta porque Deus quer para relembrar este dia. Talvez a Joanina se aventure nos sonetos.
Criação
De coisas pequenas é que nascem grandes, De muitas palavras se enchem as folhas; Espero que um dia sonetos nos mandes Porque eles são fruto de belas escolhas.
A prima quadra é como o rosto da sandes Que bem se apresenta à espera que colhas A luz e fulgor e dali não desandes Até que tu sintas prazer nas recolhas.
Depois devagar entra o primo terceto; E já conseguiste quadras em dueto. (Metáfora assiste à nova refeição).
Na última parte banquete na mesa, Um rico repasto à moda portuguesa... E na chave de ouro reluz a emoção.
Do quintal da antiga casa De onde um dia bati asa Avistava a do "Barbeiro". Noutro tempo não liguei Mas hoje também eu sei Que cantou bem no terreiro.
Na carreira (*) que ele ia Com sua pasta seguia Afazeres por ventura. Eu era nova, então, E nem fazia menção À sua rima segura.
Agora que despertei E que em sonhos me atei, Veio-me tudo à lembrança. Foi um toque de certeza, Porque ali na redondeza Houve cantigas e Briança.
Será que ninguém guardou As cantigas que ele cantou Na terra e também lá fora? O melhor é procurar: Na Serreta foi seu lar, Com a benção da Senhora.
Normalmente a cantoria No passado não se via Escrita assim de repente. Hoje em dia os cantadores Seguidos por gravadores Sabem o que cantam à gente.
Mas há livros mais antigos Dos das cantigas amigos Que recordam repentistas. Um é Gervásio Lima E d'outros que amam a rima E preservam tais artistas.
Um dia alguém perguntou: - Que estilo ressoou Na forma dos teus escritos? Fiquei olhando o teclado Em silêncio demorado Com meus dedos tão aflitos.
Outra escrita eu tentei, Outro estilo eu beijei, Mas sofria amargamente. Saía linha insegura Bordada de amargura E não vinha de repente.
Até que chegou a hora Descalçada da demora Que, por mim, foi descobrir Minha alma repentista, Acusada de bairrista, Com versos a colorir.
Colorida da certeza Que sou mulher portuguesa De versos apaixonada. Se Ela assim me plantou; Se desta forma me abraçou... P'ra rima fui destinada.
2008/07/03 Rosa Silva ("Azoriana")
Nota: Carreira = Transporte colectivo de passageiros que levava a maior parte dos residentes nas freguesias rurais para a cidade de Angra do Heroísmo, onde tinham seus trabalhos e/ou estudos.
Passados 16 dias de férias, e para aqueles que ainda não começaram, faço o aviso que só ao fim deste tempo é que me acostumei que estou em férias.
A primeira semana foi da cama para a festa e da festa para cama.
A segunda semana foi de habituação a estar na cama.
Os próximos dias são uma incógnita. Ou me fico pela cama ou tenho de descobrir uma maneira de ir passar o resto fora da ilha. Mas como? Alguém tem um barquinho que me leve até à saudosa ilha do Pico?
"Quem não tem cão caça com gato", dizem, mas eu não digo nada porque não tenho nem um, nem outro.
É muito triste ficar mais 17 dias dentro da ilha Terceira e mais propriamente dentro de um apartamento. A quem me der a solução eu até dou um beijinho na testa...
Parece que ouço alguém dizer assim:
Esta mulher não sai de casa É mesmo só a rimar Vamos arranjar uma maneira Desta mulher se calar...
Quiseram então me calar Num comentário grutesco Talvez lhe possa mandar Passear p'ra lugar fresco.
Quem pede receber vem Nem que seja um sorriso; Mas também haverá quem Dá coices sem ser preciso.
Tiveram início no dia 29 de Junho as festas do Império da Caridade - Corpo Santo - Angra do Heroísmo, e vão até 12 de Julho.
Hoje, 2 de Julho, pelas 22 horas actuará o conjunto "Duo Nocturno"
3 de Julho - Ceia de Benfeitores com animação de rua a cargo do Grupo "Só Fórró".
5 de Julho - Conjunto "Onda Média". Neste dia continua a distribuição de carne e, também, de esmolas à porta do Império.
6 de Julho - Domingo - Concentração de crianças e missa por alma dos irmãos falecidos; nomeação da Comissão para 2008/2009; pelas 22 horas o conjunto "Os Sete da Vida Airada" e extracção dos Pelouros.
7 de Julho - Jantar em Louvor do Divino Espírito Santo e Grupo Folclórico.
8 de Julho - 21:30 - Bodo de Leite
11 de Julho - Pelas 18:30 Carneirada com carneiros de Edgard Ataíde e Rui. Rua do Cardoso do nº 2 ao coreto do Império.
12 de Julho - 18:30 Tourada com toiros da Casa Agrícola José Albino Fernandes.
Pode não ser este o toiro que vem para a tourada. É uma foto de Donato Parreira, que encontrei no seu blog e que me inspirou uns versos. Depois da devida autorização de utilizar a foto, fiz uma adaptação e coloquei o comentário junto da foto para guardar como recordação deste bonito toiro, cujo olhar nos revela o seu vigor.
Abrilhantará estes festejos a Filarmónica "Fanfarra Operária Gago Coutinho e Sacadura Cabral".
... Como o meu mundo ficou recheado de livros e cd's. Muito tenho a agradecer e elogiar a quem me ofereceu, bem como a quem me proporcionou entrar para este mundo de arte e conhecimento, mas sobretudo a amizade que foi surgindo depois de muitas dessas leituras que me cativaram.
Hoje, pela manhã, quando o sono já tinha dormido bastante, resolvi enviar uma mensagem a uma pessoa que gosta de improviso e é o autor de um livro especial.
Eu:
Lembrei-me muito de si Porque há pouco eu li O livro dos cantadores; Deve ter no seu Museu Este luxo que apareceu Que honra nossos Açores.
A Turlu e o Charrua Saíram agora à rua Pela mão de um sobrinho. E se a fé não me engana Cresceu nesta Azoriana, Por eles, mar de carinho.
Abraço e assinei.
A resposta veio na forma que eu já esperava:
Olá amiga Rosa Nesta manhã primorosa O telemóvel me avisou Que mensagem tinha chegado De uma Rosa desse lado Que de mim se lembrou.
Uma rosa encantadora Fonte improvisadora Que um dia há-de ser ouvida. Porque nas suas pétalas formosas Há cantigas maravilhosas Que merecem o direito à vida.
Com isto quem resistia a não responder?! E lá foi mensagem:
E agora eu respondo Se mereço belo e longo Elogio da sua parte Muito devo ao meu amigo Mesmo sem cantar comigo Encantou-me com sua arte.
Pronto. Se virá resposta não sei... Qual será o livro e o autor?
A Xana é a "nickname" de uma nova amiga que travei conhecimento há pouco tempo devido ao gosto que o pai dela tem pelas rimas. Esse foi o mote primeiro. Depois, aos poucos, ela tem vindo a comentar o meu blog com assiduidade.
Eu tenho reparado nos comentários dela e só não respondi no quadro de comentários porque o seu e-mail não está disponível ou é inexistente. Criar um e-mail é relativamente fácil, basta escolher um nome que se quer para lhe acrescentar uma arroba e a sigla do serviço que escolhemos para nos trocar correspondência.
Se a Joanina se sentiu encorajada por mim para improvisar, acho que a Xana vai pelo mesmo caminho e sinto que o primeiro passo foi dado. O resultado fica à vista, já a seguir.
Para ti, Xana, o meu muito obrigada e espero nunca te desgostar. Beijinhos e volta sempre. A porta está sempre aberta.
A propósito da leitura que estou fazendo, apaixonadamente, ao livro "Aurora e Sol Nascente", nascem-me quadras de improviso escrito. O cantado penso que não é tão fácil, daí que a Turlu foi (e é) a Rainha da Cantoria ao Desafio e isso ninguém ousa negar.
A magia da Cantoria (ao desafio)
A Turlu, eu abracei No retrato duma folha; E no livro procurei, Do autor, nobre recolha.
Na hora que aconteceu Esta honra especial, Alguém ligou e convenceu Acordo de um ideal.
Mais um sinal dos céus, Onde a Turlu estará, Olhando p'los seus ilhéus Que 'stão na banda de cá.
A surpresa num baú Guardei. Soube a Lua Nova; Hei-de cantar por Turlu Qualquer dia uma trova.
Ó Querida Angelina, Flor da terra e do mar; Cumpriste a tua sina: Bela Aurora a brilhar!
A paixão pela cantoria Tive sem te conhecer, 'Inda bem chegou o dia De ti tudo, enfim, saber.
"Aurora e Sol Nascente" Da Turlu e do Charrua É aro resplandecente Que nos corações actua.
Bem-haja o seu autor, Sobrinho da Cantadeira, Com seu estro de valor Fez-me lágrima certeira.
"A mãe 'stá a chorar por dentro, E agora chora por fora"; - As lágrimas vêm do centro E de mim não vão embora.
À cento e setenta e três, Página que estava a ler, Ouvi p'la primeira vez, O "Pipoca" (*) a tecer... Uma cantiga, talvez, Pelo bem de bem-querer.
Rosa Silva ("Azoriana")
(*) "Pipoca" é a alcunha do meu filho mais novo (11 anos) que segue, a par e passo, toda a minha inspiração e colabora, muitas vezes, quando lhe peço: "Vem depressa... traz a caneta e papel...", ao que ele responde: A mãe teve outra ideia?
Ultimamente, até quer antecipar-me a dar-me alguma ideia. Isso deixa-me muito feliz. As ideias vão passando de geração em geração. É por isso que na ilha Terceira talvez nunca acabe o gosto pelo improviso popular. Será que mais alguém faz ideia do quanto amo essa arte popular?
Mais uma publicação activa do Fri-luso, jornal periódico cujo autor é Jorge Vicente, que muito admiro pela sua persistência em acalentar o que os amigos vão produzindo. Desta vez a honra vai para D. Clarisse Barata Sanches que figura na primeira página.
Nas páginas seguintes podemos ler uma mão cheia de amigos que vão doando o seu amor à escrita.
Parabéns a todos, em especial à D. Clarisse, que comigo tece desgarradas, e Muito Obrigada pela parte que o caro amigo me presenteia nas suas páginas coloridas pela magia portuguesa em terras de Fribourg.