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Açoriana - Azoriana - terceirense das rimas

Os escritos são laços que nos unem, na simplicidade do sonho... São momentos! - Rosa Silva (Azoriana). Criado a 09/04/2004. Angra do Heroísmo, ilha Terceira, Açores. A curiosidade aliada à necessidade criou o 1

Criações de Rosa Silva e outrem; listagem de títulos

Em Criações de Rosa Silva e outrem

Histórico de listagem de títulos,
de sonetos/sonetilhos
(940...pausa... 981)

Motivo para escrever:

Rimas são o meu solar
Com a bela estrela guia,
Minha onda a navegar
E parar eu não queria
O dia que as deixar
(Ninguém foge a esse dia)
Farão pois o meu lugar
Minha paz, minha alegria.

Rosa Silva ("Azoriana")

**********

Com os melhores agradecimentos pelas:

1. Entrevista a 2 de abril in "Kanal ilha 3"



2. Entrevista a 5 de dezembro in "Kanal das Doze"



3. Entrevista a 18 de novembro 2023 in "Kanal Açor"


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Ao meu filho Paulo Borges: Trompista (de harmonia)

30.06.10 | Rosa Silva ("Azoriana")

Nasceste para a música e com a trompa de harmonia será mesmo a tua regalia.
Adorei ouvir-te na tua exibição final na Escola Tomás de Borba. Parabéns a ti, ao teu professor e ao teu maestro. O João Marcelino foi quem te deu as melhores oportunidades na tua vida de músico. Nunca esqueças isso ao longo da tua vida. A mãe é a tua primeira fã e mais virão, tenho a certeza.
Dou uma sugestão a quem de direito: que tal uma nova audição?



Obrigada ao António, ao João,
Ao professor e teus colegas,
A música está no coração
E a ela tu te entregas.

És dotado de harmonia
E na trompa tal e qual
Dás com pompa e alegria
O afino que é ideal.

Continua o teu encanto
E vai dando o teu melhor;
Oxalá que entretanto
Na humildade sejas maior.

Conserva o teu sorriso,
Tua paz e alegria,
O teu gosto mais preciso:
Trompista de harmonia!

A tua mãe
Beijinhos

Que SAUDADES!

29.06.10 | Rosa Silva ("Azoriana")

 

Santo Amaro do Pico (in Facebook)

 



Que Saudades...

 

Dessa linda tabuleta
Que transforma a nossa mente
Santo Amaro e a Serreta...
São meu ontem tão presente.

Capital do meu afecto
E de tantas alegrias
Desse monte de grã tecto
Que via por tantos dias.

Hoje fico na saudade
Que me aperta o coração
E não sei quando é que há-de
Romper esta dura paixão.

Lembro o mar beijando a costa
Lembro o porto harmonioso
E tudo o que a gente gosta
Nesse lar tão saudoso.

Primos, tias e amigos,
Casas, ruas e colinas
Os mistérios tão antigos
E as águas cristalinas.

Quero voltar para ti,
Renovar o meu abraço
Se ainda estou aqui
Feliz seria em teu regaço.

Rosa Maria, neta da Maria Vieira,
Filha do Carlos "Picaroto"
Que optou pela Terceira
Sempre com o Pico no goto.

Beijos para todos

Aniversário da amiga Joanina

29.06.10 | Rosa Silva ("Azoriana")

Já que temos o virtual
No desencontro real
Neste dia tão querido:
Venho dar-te os parabéns
Por mais um ano que tens
E que ele seja divertido.

São Pedro também festeja
E contigo sempre esteja
Com a chave da alegria;
És amiga especial
Hoje é teu o festival
PARABÉNS canto no dia.

Cantas tu e canto eu
E canta quem tem o teu
Coração com um sorriso;
A vida é uma graça
Quando por ti hoje se faça
A festa do improviso.

Muitos beijinhos e abraços
Da tua amiga Rosa Maria

"Aqui & Agora" - o blog de Carlos Tavares

27.06.10 | Rosa Silva ("Azoriana")

Um blogue que prima pelas excelentes imagens e do qual fiquei fã. Através do FB (facebook) fui apreciando a categoria das fotografias e das mensagens.

 

A primeira fotografia que Carlos Tavares captou da Azoriana foi no dia do Pezinho em Angra do Heroísmo - Sanjoaninas 2010. Cabe-me agradecer o registo deste encontro casual e amigável.

 

Ver "Aqui & Agora"... com comentário:

 

Adoro as suas imagens
Numa objectiva perfeita
Um regalo de vantagens
A que Angra se sujeita.

Angra é linda vista assim
E de qualquer outro olhar
É justo que diga enfim
Bela terra beijando o mar!

 

Rosa Silva ("Azoriana")

Vinte dias depois... (2010-06-06)

26.06.10 | Rosa Silva ("Azoriana")

"já não gosto de CHOCOLATES". Álamo Oliveira, 1999. (ver)

 

2010-06-26

 

Acabei, nesta data, de ler este tesouro literário. No fim, enxuguei as lágrimas teimosas da emoção e abracei o meu amor, sem comentários. Amaldiçoei a morte e desejei ficar abraçada ao meu amor, sem tempo e sem pensamentos.

 

Álamo é o meu escritor de eleição. Cada palavra, cada frase, parágrafo e páginas são autênticas pérolas que já não dispenso. Agora percebo o "já não gosto de chocolates" como uma arte extraordinária de uma verdade nua e crua ao redor da emigração.

 

Há uma parte do livro que li, reli e tornei a ler, deixando um sinal para facilmente lá voltar. Não pedi autorização ao seu autor mas julgo que não me condenará se a destacar neste artigo, com os devidos créditos:

 

(...) "Como gostaria de voltar a ver aquela pequena cidade sumida no meio de árvore, as suas casinhas pintadas da mesma cor e a sua igreja que, pomposamente, guardava a imagem da Senhora dos Milagres. Durante três dias, Gustine transformava-se no centro do mundo, a Serreta da Terceira em faz de conta. Ali, afluíam os ilhéus de toda a Califórnia, arrastados por uma devoção de réplica, travestidos da saudade dos ares nevoentos da Serreta, ouvindo sinos em repiques festivos, ladaínhas em latim, gentes pagando as promessas da aflição, emigrantes sortudos que viviam a festa real, o ar aromatizado pelo incenso das faias, das belas-donas, pelas alcatras, pela massa sovada e a Senhora dos Milagres, muito pequenina, cada vez mais milagrosa e rica, muito prezada com cordões de oiro, no seu andor forrado de flores, passeando no caminho sobre um tapete de pétalas, verduras e farelo de madeira. Seguiam-na as filarmónicas da ilha, com seu músicos fardados a rigor, interpretando o "Salvé, nobre Padroeira", enquanto os foguetes, estalando no céu, provocavam o berreiro dos anjinhos e cheiravam a dinheiro queimado. Os milagres da Senhora eram pagos piedosa e monetariamente, ficando os votos cumpridos na tourada do pico, pejado de mil cores, onde a bravura do toiro era confrontada com a coragem do capinha, o amor resistia às arrefiadelas do caipora e a amizade era bebida num copo de vinho na tasca. "Nossa Senhora dos Milagres, rogai por nós!""

 

In páginas 106 e 107 do livro "já não gosto de CHOCOLATES", de Álamo Oliveira, que me foi enviado junto com uma bonita colecção que me veio encher de contentamento. Ele acabou por saber da minha ânsia em possuir uma mão cheia de livros com a perfeição literária do meu "vizinho" do Raminho. E mais não sei escrever a quem tanto o sabe fazer, apenas AGRADECER emocionada. Obrigada!

A grande homenagem ao cantador JSBCharrua na Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Angra do Heroísmo

25.06.10 | Rosa Silva ("Azoriana")

Eis o desenvolvimento da Homenagem Póstuma no Centésimo Aniversário do Nascimento de José de Sousa Brasil CHARRUA, levada a efeito pela Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Angra do Heroísmo, no dia 25 de Junho de 2010. Foi inaugurada a Exposição Comemorativa deste Centenário com o espólio literário e fotografias deste cantador, que foi chamado de Mestre do Improviso, pelo cantador João Ângelo que também nasceu a 24 de Junho, dia de São João.

 

Jamais esquecerei esta efeméride e evento de capital importância para a nossa Região e para quem ama a nossa cultura popular e, mais propriamente, as cantigas de improviso. O Director da Biblioteca fez a apresentação digna desta Exposição, estando presentes o Director Regional da Cultura, o Presidente da Junta de Freguesia das Cinco Ribeiras, cantadores da actualidade, nomeadamente António Mota, Marcelo Dias, Agostinho Simões, José Fernando, Eduíno Ornelas, Manuel Castelão, Eng. José Eliseu Costa, Hélder Pereira, Maria Clara, João Leonel e João Ângelo, tocadores José Domingos Mancebo e António Martins, a família de Charrua – a filha Maria do Socorro Costa Brasil, o neto, a neta, a bisneta, funcionários da Biblioteca e outras pessoas convidadas para este evento, onde me incluo.

 

Foi assinado o livro de recordações pelos presentes e postos à disposição panfletos e uma biografia com transcrição fiel e exata das notas pessoais do poeta Charrua.

 

Após a apresentação seguiu-se as cantigas de improviso em homenagem ao maior cantador de todos os tempos. Perdoem-me as falhas na captação escrita do momento. Eis o que consegui anotar para vos dar a conhecer:

 

Primeira rodada de cantigas com cantadores actuais acompanhados pelos tocadores José Domingos Mancebo e António Martins.

 

1º António Mota

 

Boa tarde nossa gente

Que com a gente continua

Que presta sinceramente

Homenagem ao Charrua.

 

2º Marcelo Dias

 

Charrua homem que ainda brilha

Lhe presto homenagem com afecto

Saudando a sua filha,

Sua nora e seu neto.

 

3º Agostinho Simões

 

Charrua tanto que cantastes

Só nos resta recordar

Mas é pena que não deixastes

Quem faça o teu lugar.

 

4º José Fernando

 

Foi um rei sem usar coroa

Foi um doutor entre os sábios

Graça a tanta coisa boa

Que saiu dos seus lábios.

 

5º Eduíno Ornelas

 

... Camões no Continente

Com fama na sua poesia

Mas o Charrua no meio da gente

Tem a mesma categoria.

 

6º Manuel Castelão

 

Charrua pessoa pioneira

Conheci-o ... profundo

Porque levou o nome da Terceira

Às quatro partes do mundo.

 

7º Eng. José Eliseu Costa

 

Foi contido na alegria

Comparsa no divertimento

Foi sublime na poesia

Profundo no pensamento.

 

8º Hélder Pereira

 

A sua sã sabedoria

Trouxe à vida algo de novo

Agora a sua poesia

Vive na mente do povo.

 

9º Maria Clara

 

Minha homenagem já está aí

E vou saudar todos vós

Pois hoje posso e senti

Que ele está entre nós.

 

10º João Leonel

 

Quem seu passado conhece

Na sua curta passagem

Sabe bem que ele merece

Esta humilde homenagem.

 

11º João Ângelo

 

Deixou a imagem marcada

Que ainda hoje continua

E a moda a ser tocada

É sempre a moda do Charrua.

 

 

Segunda rodada:

 

1º António Mota

 

Morreu já não está cá

Jão não mexe mais o lábio

Creio que tarde será

Que nasça um outro sábio.

 

2º Marcelo Dias

 

Cantou na América e Canadá

Nesses Estados está presente

E não morreu porque ainda está

No pensamento da gente.

 

3º Agostinho Simões

 

Foi forte na poesia

Vou-vos dizer a verdade

E pra qualquer que o ouvia

Só lhe resta a saudade.

 

4º José Fernando

 

Para o Charrua toquei

E olha que foi mais que um dia

Tal pena que não cantei

Com esse Rei da Cantoria.

 

5º Eduíno Ornelas

 

Povo que está à minha beira

Minhas senhoras e senhores

Foi a beleza da Terceira

E a beleza dos Açores.

 

6º Manuel Castelão

 

Foi a beleza dos Açores

E deu-nos doutas maneiras

Foi até pai de cantadores

E glória das Cinco Ribeiras.

 

7º Eng. José Eliseu Costa

 

Ele foi no último milénio

O cantador mais erudito

Para mim ele foi um génio

E julgo que está tudo dito.

 

8º Hélder Pereira

 

Foram grandes saberes seus

Desde o mar até à serra

Hoje canta junto de Deus

E que não foi dito na terra.

 

9º Maria Clara

 

O Charrua calou o pio

A cantadores de Portugal

E a cantar ao desafio

Não haverá outro igual.

 

10º João Leonel

 

Penso estar escutando

Incutindo o meu respeito

Continua passeando

Na calçada do meu peito.

 

11º João Ângelo

 

Muitas cantigas ele fez

Pelos salões e pelas ruas

Eu nem sequer uma vez

Fiz uma igual às suas.

 

Terceira rodada:

 

1º António Mota

 

A vida ligeira corre

Os vivos desaparecem

Mas uma pessoa só morre

Quando os vivos o esquecem.

 

2º Marcelo Dias

 

Foi poeta de grandes obras

Talvez o melhor português

Eu só queria metade das obras

Que um dia o Charrua fez.

 

3º Agostinho Simões

 

Agora amigos meus

Nesta hora morta e calma

Eu só quero pedir a Deus

Que dê paz à sua alma.

 

4º José Fernando

 

Foi Charrua que lavrou

Muitos regos com magia

E a seguir neles semeou

As sementes da poesia.

 

5º Eduíno Ornelas

 

Doutor tens vantagem

E nela tens categoria

De fazeres esta homenagem

A gente da tua freguesia.

 

6º Manuel Castelão

 

A homenagem está perfeita

Certo peso em nós aqui recai

Porque a sua filha aceita

A sabedoria do pai.

 

7º Eng. José Eliseu Costa

 

Qualquer que fosse o tema

Fazia com elevação

De cada quadra um poema

Do poema uma lição.

 

8º Hélder Pereira

 

Muito andou por essa rua

Subiu aos palcos afinal

Mas onde cantava o Charrua

Estava cheio o arraial.

 

9º Maria Clara

 

A Charrua dizem obrigado

Pois agradava a toda a gente

Ele foi cantador no passado

Mas está vivo no presente.

 

10º João Leonel

 

Às vezes eu ficava raivoso

Dizia ao Charrua quem sou eu

Mas hoje sinto-me orgulhoso

Das lições que ele me deu.

 

11º João Ângelo

 

No estrangeiro ou nos Açores

Que a gente tenha algum juízo

Quando se falar em cantadores

Ele é Mestre do Improviso.

 

Agradeço reconhecidamente a todos que contribuíram para a felicidade e emoção que, de certeza, estavam estampadas no meu rosto, nomeadamente ao convite que me foi dirigido pelo Dr. Marcolino Candeias para estar presente neste acto inaugural. Agradeço também ao amigo Luís Brum, autor do blog “Bagos d’Uva” pela cedência de algumas fotografias que tanto pode ver no seu blog como no meu álbum de fotos do SAPO.


 

Charrua

1910-2010

 

Não deixem de visitar

Esta nobre Exposição

Espólio a perpetuar

O Cantador de eleição.

 

Uma homenagem sentida

Feita por quem lhe quer bem

Lembrarei por toda a vida

O poeta que o céu tem.

 

Estas quadras repentinas

Carregam o meu afecto

Português das cinco quinas

Meu cantador predilecto.

 

Charrua, ilustre poeta,

Rico de tantos louvores,

Atingiste a tua meta

Muito além dos teus Açores.

 

Hoje tiveste ternura

Nas cantigas de homenagem

Na exposição que inaugura

Teu espólio e imagem.

 

Meu amor pela Cantoria

Já deu provas cordiais

Hoje maior alegria

Trouxe para os Folhadais.

 

No Bilhete de Identidade

Tinha o ano rasurado

A mim deu felicidade

Plo toque que me foi dado.

 

Se for viva em Agosto

No dia da tua freguesia

Quando o sol se fizer posto

Cantarei como alguém queria.

 

Angra do Heroísmo, 25 de Junho de 2010

 

Rosa Silva (“Azoriana”)

 

 

P.S.: Eu já tinha escrito outro texto e quadras, mas devido à emoção perdi tudo o que tinha escrito. Voltei a escrever e surgiram novas quadras. Começo a acreditar em coincidências…

Dia do Pezinho - 24 de Junho - Sanjoaninas 2010. Apontamento de Liduino Borba

24.06.10 | Rosa Silva ("Azoriana")

Depois de alguns meses

 

JOÃO ÂNGELO VOLTA A CANTAR

 

Liduino Borba (*)

 

Depois de alguns meses afastado dos coretos da Terceira, João Ângelo voltou a cantar, no dia 24 de Junho, dia do seu 75º aniversário, no Pezinho das Sanjoaninas. Esteve convidado para a cantoria do dia 20, também das festas da cidade, que se realizou no Jardim Público da Terceira, mas a tosse forte que o atacou fez cancelar a sua presença.

Os meses de interregno ficaram a dever-se, em primeiro lugar, à operação a que foi submetido em Dezembro, e, em segundo, à morte da única irmã que tinha, mãe da, também, única sobrinha que tem.

No Pezinho, participaram sete cantadores: Mota, Eliseu, José Fernando, Maria Clara, Hélder, Retornado e João Ângelo. Começou junto da Câmara Municipal, na Praça Velha, depois caminhou pela Rua Direita até ao Sport Clube Angrense, subiu a Rua de São João e cantaram ao Santo das Festas, seguindo-se a Sé Catedral dos Açores, o Sport Clube Lusitânia, e terminou em frente do Secretariado das Festas. Em todos os lugares, e de todos os cantadores saíram cantigas dignas de registo. Das doze que cada um improvisou ficam aqui algumas.

António Mota, junto da Câmara, sua entidade patronal, disse para a Andreia Cardoso, a presidente:

 

Esta Câmara é tão bela

Revestiu-se de linda cor

Quem olhar p’rà porta dela

Vê a mais bonita flor.

 

João Ângelo, ainda junto da Câmara, terminou com esta quadra, aludindo às brasileiras e ao negócio dos chineses:

 

As senhoras são mais melgueiras

Tem sempre mais delicadezas

De noite temos as Brasileiras

E de dia as Chinesas.

 

O Eliseu, também funcionário do quadro da Câmara, com a categoria de Engenheiro do Ambiente, disse na Rua de São João, junto do Angrense, referindo ao Luís Gonçalves:

 

O Angrense actualmente

Honra todas as condições

E tem um presidente

Que fica lindo de calções.

 

José Fernando, tesoureiro do Município Praiense, cantou junto da imagem de São João, no canto da mesma Rua, e disse:

 

São João ao nascer

Era filho de Zacarias

Para depois de morrer

Ser santo nos nossos dias.

 

E João Ângelo, como os outros, aludiu à fraca beleza da imagem:

 

Eu por acaso nasci

Na data de São João

Mas quando olho p’ra ti

Tenho dó dessa posição.

 

O Retornado, ainda junto de São João, não deixou de criar as rimas de sentido profundo, como ele sabe fazer:

 

Isabel deu-te à luz

Que era prima da virgem mãe

Se és primo de Jesus

És nosso primo também.

 

Junto da Sé Catedral dos Açores, foram improvisadas quadras de fino recorte, que não podem ser todas aqui inseridas. Maria Clara, com a sua juventude cheia de futuro, disse:

 

Como esta não há igual

Onde param os oradores

Pois é Sé Catedral

Das nove ilhas dos Açores.

 

O Hélder também não deixou os seus créditos por mãos alheias e enalteceu a Catedral:

 

Ó santa igreja da Sé

A quem canto em pormenor

Enquanto houver alguém com fé

Tu serás sempre a maior.

 

José Fernando, referido a São João e São Salvador, disse:

 

Agora dizer me resta

Uma coisa que é verdade

São João vigia a festa

São Salvador a cidade.

 

O Retornado improvisou:

 

Rezem comigo neste segundo

Minhas senhoras meus senhores

Pedindo ao Salvador do mundo

Rogai por nós pecadores.

 

E João Ângelo rematou, que nem sempre se faz o que se diz:

 

Há palavras apreciadas

Nesta fiada seguida

Que depois não são usadas

Nos dias da nossa vida.

 

Já junto da sede do Lusitânia, e antiga casa de D. Violante do Canto, a Música que acompanhava o Pezinho tocou os “Parabéns a Você”, para os 75 anos de João Ângelo.

Maria Clara soube enaltecer o grande Clube da Rua da Sé, que esteve quase a fechar portas:

 

Canto a campeões bem posso ver

Com rimas de tal tamanho

Se forem dos que sabem perder

Já têm o vosso jogo ganho.

 

E o Retornado concluiu:

 

Ele já tem seiva na planta

Pois nem tudo está perdido

Porque quem cai e se levanta

Não conta o ter caído.

 

O Pezinho terminou do lado contrário da Rua, a cantar ao Secretariado das Festas Sanjoaninas de 2010. Seguem-se as quadras de Mota, Eliseu, Maria Clara e Hélder, respectivamente:

 

Letícia das mentes finas

Não encontras obstáculo

Até agora as Sanjoaninas

Estão que é um espectáculo.

 

Tens dado passos seguros

Esses são o teu abono

E esses óculos escuros

Encobrem olhos de sono.

 

Aqui ao entrar qualquer humano

Sabe que tem trabalho profundo

Mas conseguiram este ano

Fazer d’Angra Jóia do Mundo.

 

Tu tens mostrado que és capaz

De montar toda esta cena

Depois tu vais olhar p’a trás

E pensar que valeu a pena.

 

 

(*) Autor do livro “João Ângelo – O Mestre das Cantorias”, e outros.

Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Angra do Heroísmo - Homenagem a Charrua - 25 de Junho a 24 de Setembro de 2010

24.06.10 | Rosa Silva ("Azoriana")
Exposição



 

É com elevada satisfação que soube que irá ser inaugurada a exposição de HOMENAGEM a José de Sousa Brasil CHARRUA desde o dia 25 de Junho até ao dia 24 de Setembro de 2010, comemorando assim o centenário do seu nascimento.

Este evento foi possível graças ao empenho do Director da Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Angra do Heroísmo, Dr. Marcolino Candeias, que também era vizinho de Charrua, nas Cinco Ribeiras.

Fico muito feliz por me ter informado desta excelente notícia que, espero sinceramente, seja do agrado de toda a população que gostava de o ouvir, e recentemente de ler, sobre o poeta popular repentista da nossa ilha e Região.

Um bem-haja ao Dr. Marcolino Candeias e todo o pessoal envolvido neste evento extraordinário.

O cartaz supra já está colocado na fachada do Palácio Bettencourt, desde 14 de Junho, na esquina da rua da Rosa com a Carreira do Cavalos.

A inauguração será a 25, devido à agenda das Sanjoaninas para o dia 24.

Visitem a Exposição!

A minha criação

Índice tematico: Serreta na intimidade

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