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Açoriana - Azoriana - terceirense das rimas

Os escritos são laços que nos unem, na simplicidade do sonho... São momentos! - Rosa Silva (Azoriana). Criado a 09/04/2004. Angra do Heroísmo, ilha Terceira, Açores. A curiosidade aliada à necessidade criou o 1

Criações de Rosa Silva e outrem; listagem de títulos

Em Criações de Rosa Silva e outrem

Histórico de listagem de títulos,
de sonetos/sonetilhos
(940...pausa... 981)

Motivo para escrever:

Rimas são o meu solar
Com a bela estrela guia,
Minha onda a navegar
E parar eu não queria
O dia que as deixar
(Ninguém foge a esse dia)
Farão pois o meu lugar
Minha paz, minha alegria.

Rosa Silva ("Azoriana")

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Com os melhores agradecimentos pelas:

1. Entrevista a 2 de abril in "Kanal ilha 3"



2. Entrevista a 5 de dezembro in "Kanal das Doze"



3. Entrevista a 18 de novembro 2023 in "Kanal Açor"


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No último deste ano...

31.12.10 | Rosa Silva ("Azoriana")

O Charrua me inspira

 

José de Sousa Brasil - o selo comemorativo


O Charrua é titular
Dessa alcunha famosa
Tanto serve para lavrar
Como inspira esta Rosa.

Uma Rosa inspirada
Se converte logo em rima
Quando flor é perfumada
Se mulher dá mais estima.

E Charrua tem estima
De tantos, também de mim,
O verso vem ao de cima
E floresce em meu jardim.

Tenho um jardim de amores
Pétalas de alma sã
Posso não ser como as flores
Mas das rimas eu sou fã.

Rosa Silva ("Azoriana")

 

Uma tarde diferente

29.12.10 | Rosa Silva ("Azoriana")

Estou feliz, estou contente

Estou no ventre da semana.

Para qualquer residente

O seu berço canta hosana.

 

Hoje tenho a entrevista

Com a D. Dulce Teixeira

Ponho o meu ponto de vista
Às belezas da Terceira.

 

Estou seguindo o improviso

Que me ocorre nesta hora

A eles o meu sorriso

Antes de irem embora.

 

Canta a minha alma ardente

Nesta bela ocasião

Grata estou, cordialmente

Saúdo a televisão.

 

Rosa Silva ("Azoriana")

Casa Agrícola Brum - 120 anos

28.12.10 | Rosa Silva ("Azoriana")

Mui digna de registo
É a Casa Agrícola Brum.
Com o selo está visto
Que como ele não há algum.

Já completou cento e vinte
Anos, com vinho famoso,
É uma Casa de requinte
Com um Museu valioso.

Parabéns à geração
Que leva o bom efeito,
"Bagos d'Uva" na Região
É blog mais-que-perfeito.

O Verdelho da Terceira
Canta em tom afinado
Vai tomando a dianteira
No copo do aficionado.


Rosa Silva ("Azoriana")

Angra do Heroísmo, 28 de Dezembro de 2010

A Euclides Cavaco

25.12.10 | Rosa Silva ("Azoriana")
Feliz aniversário! Muitos parabéns
Poeta - Euclides Cavaco


Neste dia especial
Faz anos o meu amigo
Porque é Dia de Natal
Deus Menino está contigo.

Sorrindo, Ele aconselha
Que cantemos em alegria
Brilha hoje a sua estrela
No cálice da Poesia.

Poesia que nos encanta
No dom cortês e leal
Quando declama e canta
Todo o seu manancial.

Um abraço apertado
Com rimas do meu fervor
Que seja comemorado
Com a prenda do Senhor.

Rosa Maria

À D. Clarisse Barata Sanches, de Góis - Coimbra, e a resposta

22.12.10 | Rosa Silva ("Azoriana")

D. Clarisse Barata Sanches - Góis

 

Clarisse, flor de bondade

À mesa está uma flor
Benza-a Deus com seu amor
E lhe dê sempre a coragem
De seguir sua romagem.

A romagem dos escritos
Que são sempre tão bonitos
Medidos com precisão
Quais odes do coração.

Clarisse, flor de bondade,
Sua tese sempre há-de
Surtir-nos grande efeito
Na rima sempre a bom jeito.

Todo o bem eu lhe desejo
Seja este verso um beijo
Que lhe dou com todo o gosto
Sorrindo pousa em seu rosto.

Boas Festas e Feliz 2011 na medida do possível contornando quaisquer crises.

Rosa Silva e Família para D. Clarisse e Cª.
Eis a resposta da D. Clarisse Sanches:

À boa Amiga e inspirada Poetisa Rosa Maria Silva
“Azoriana”

À mesa está uma flor

Amiga Rosa: é engano.

Só vê o Computador

E um livro em primeiro plano.


 

Hoje foi-se a inspiração,

Versos bonitos, nem escolho…

E as odes do coração

Vão sem medida e a olho.


 

Clarisse “ flor da bondade”

É exagero, meu bem,

Mas agradeço, Confrade

Que agora somos também.


 

Fui aos Açores, quem diria

Que a máquina digital

Estreava em fotografia

Deste modo original.


 

Um beijinho, igualmente,

Com todo o nosso bairrismo.

Viva Góis no Continente

E Angra do Heroísmo.


 

Feliz Natal e um 2011 cheio de bênçãos de Deus

 

Clarisse Barata Sanches - Góis

Silêncio (s)

20.12.10 | Rosa Silva ("Azoriana")

A cidade estava calma, silenciosa. A escola fechara as portas para férias da pequenada e o silêncio prosperava. Nas ruas, apenas alguns carros circulavam nas vias habituais. As pessoas eram escassas no percurso matutino. Envolvi-me, no (s) silêncio (s). Para mim, o silêncio é propício à maturação de ideias. Por outro lado, o meu silêncio pode ser mal interpretado por outrem. O silêncio é o meu melhor amigo: faz-me recordar o tempo que a parte melhor da casa, a sala que ficava reservada ao Presépio natalício.

Ainda lembro, que cedo íamos às “leivas” musgos, aos verdes aveludados que se arrancavam das pedras frias da lava da ilha. Recheadas de alegria, percorríamos as canadas onde a infância reinava. Voltávamos a casa para iniciar a tarefa feliz: construir a cabana com pedras, encher os caminhos de farelo da madeira que o meu pai serrava e se guardava para este fim, colocar os verdes a preceito ao longo do recanto da sala, que também tinha o cedro com o cheiro a Natal. As figuras dispostas, criteriosamente, completavam a aldeia cuja intenção era animar a nossa casa e dar-lhe felicidade festiva, relembrando que o Menino renascia nas palhinhas deitado.

Nas vésperas a azáfama era tal que nos criava uma expectativa fora de série. Enquanto a minha mãe preparava a consoada, tínhamos que fazer uma sesta não fosse o Menino Jesus, na Missa do Galo, apanhar alguma de nós com sono. Mesmo com um frio de rachar, os nossos sentidos estavam todos despertos na hora do «Beija-Pé» e de retorno ao lar, onde o sapatinho ficara à espera da bondade do S. Nicolau. Ao entrar em casa, corríamos com o coração a saltar pela boca fora, e os olhos esbugalhados no encontro de um brinquedo, nem que fosse de plástico. Depois… depois a animação fazia prolongar a noite até que o Galo se voltasse a deitar, primeiro que nós. O dia já ia alto quando voltávamos à brincadeira com aquela oferta bendita… Hoje, a saudade é que volta sempre ao sapatinho que permanece no coração.

Não haja dúvidas de que o Natal é das crianças. Mas quais crianças?! Hoje nem as deixam ser… Eu fui criança e em mim reinava a inocência.

Ao silêncio me recolho para voltar a ser criança nem que seja apenas por uma noite: a Noite do Menino!

Rosa Silva (“Azoriana”)

David Fagundes RIP

16.12.10 | Rosa Silva ("Azoriana")

 

David Fagundes

 

DAVID FAGUNDES – FIM DUMA VIDA

 

Liduino Borba

 

Na Páscoa de 2009, lancei na Fonte do Bastardo, freguesia de origem do biografado, numa cerimónia, muito participada, integrada na “Onda Cultural” da Câmara da Praia da Vitória, apoiada pela Junta de Freguesia, o livro “David Fagundes – Versos duma Vida”.


No dia 14 deste mês de Dezembro faleceu David Fagundes e apetece escrever “David Fagundes – Fim duma Vida”.


O meu relacionamento com David Fagundes vem dos anos setenta, como Guarda Fiscal, quando trabalhei na Agência dos Barcos, na Praça Velha, entre 1970 e 1981, mas apenas em termos profissionais, porque não o conhecia como improvisador.


O meu conhecimento sobre a existência de David Fagundes, como repentista, aconteceu numa conversa com Norberto Bettencourt, funcionário do Museu de Angra e proprietário d’”O Arado”, aquando da minha recolha de Velhas, em 2005, para a publicação de um livro, que poderá conter cerca de um milhar delas, distribuídas por cerca de meia centena de autores.


Nessa data mostrou interesse em deixar “uma recordação para familiares e amigos”. Do nosso relacionamento, percebi a qualidade dos seus versos, «que se lê com muita fluidez» como disse Victor Rui Dores. Em 2008, depois de uma conversa com ele e com a esposa ficou decidido fazer o livro.


Segundo Victor Rui Dores, em 6 de Fevereiro de 2009, no Prefácio do livro, «… este terceirense veicula, nos seus versos, uma inabalável fé cristã, escrevendo, com os olhos da memória, sobre o fluir do tempo, a saudade, a distância, a ausência, a viagem, o afecto, o amor, a vida e a morte no registo mais sentido de uma escrita pessoalíssima e profundamente humana. Eis um homem que através das suas rimas se dá aos outros, ele que é portador de uma consciência crítica e de um apurado sentido de justiça, dando disso conta no que escreve e na maneira como escreve.»


Escrever sobre a morte não é nada fácil, mas David Fagundes fazia-o com muita mestria e à vontade. Sobre a sua, que fez tudo para adiá-la, e que tinha algum receio como me confessou, escreveu nove quadras alusivas ao tema, que a família teve a feliz ideia de as publicar no folheto da funerária aquando da morte. Por estarem dívidas em dois temas no livro, juntei-as:

 

«Algumas quadras para mim

 

Há anos, que faço quadras para diversos fins, mas nunca tive o desembaraço de fazer umas para mim. Aqui vão elas:

 

Até que resolvi fazer

Embora pobres mas singelas

Comecei-as a escrever.

Com simplicidade, vão elas.

 

Sino que dobras para alguém

Que acaba de sucumbir

Um dia dobrarás também

Para mim, que te estou a ouvir.

 

Sino que entoas a tua voz

Enquanto a vida vivemos

Duas vezes tocas para nós

Ao nascer e quando morremos.

 

Com mais ou menos sorte

Sem neste mundo já progredir

Luto até que venha a morte

A que não posso fugir.

 

Sem lamentos nem dissabores

Cada um pode rezar.

Detesto grinaldas de flores

Que não me iriam salvar.

 

Tenho uma farda linda e nova

No meu quarto a jazer

P’ra ir comigo p’rà cova

Um dia quando morrer.

 

Podem pôr sobre o meu caixão,

De qualquer cor de tecido,

Um letreiro a pedir perdão

Aos que sem querer tenha ofendido.

 

Podem pôr a minha estampa

Na sepultura a mim incumbida

E ponham as flores na campa

Que me foram dadas em vida.

 

Rezem vezes a miúdo

Porque em vida muito rezei

Se com a reza eu não for tudo

Sem ela nada serei.

 

28 de Setembro de 2006».

 

Só os grandes improvisadores conseguem escrever assim. Faleceu o David Fagundes, fechou-se mais uma biblioteca.


Paz à sua alma!

 

Casa da Terra Alta, 16 de Dezembro de 2010.

 

 

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Quão dolorosa partida

Para quem lhe tinha amor

Ele perdeu por cá a vida

Pra seguir na do Senhor.

 

Foi no mês do nascimento

Do Divino Redentor

Pra que o seu falecimento

Fosse tido sem mais dor.

 

Cristo o levou para o Céu

Junto de anjos e arcanjos

E o seu irmão ilhéu

Fica com os seus arranjos.

 

Homem bom e repentista

Que seu livro teve e viu:

Continua o nosso artista

Nas rimas que bem urdiu.

 

À família enlutada

Com sofrimento atroz

A palma lhe seja dada

Que feliz foi ele por vós.

 

Ó meu Deus, mas porque dói,

Tanto assim a despedida...

Bem-haja quem lhe constrói

Os Versos na outra Vida.

 

Rosa Silva ("Azoriana")

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