21.10.11 | Rosa Silva ("Azoriana")
Desenhos de alma!
São desenhos de uma vida Feita de escritos sem fim, De uma pétala garrida Que vai caindo por mim.
São "tags", coleccionadas No ventrículo do carinho São como folhas beijadas Pela brisa do caminho.
Pétalas de amor-perfeito Longe de serem perfeitas Que a perfeição não existe.
Do coração a preceito São as palavras sujeitas À visão que lhes assiste.
Rosa Silva (“Azoriana”)
21.10.11 | Rosa Silva ("Azoriana")
Tenho saudades de vocês, Porque a saudade açoriana Sente-se por muita vez E a Saudade não engana.
Saudade palavra tiranaQue choca em altivez É aguda, nunca é plana, Não tem hora, não tem mês.
Hoje sinto que a saudade De uma palavra apenas Fere muito de verdade.
Há palavras, é sabido, Que são ditas às centenas, Com Saudade no sentido.
Rosa Silva (“Azoriana”)
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21.10.11 | Rosa Silva ("Azoriana")
Há buraco na Madeira Há buraco na Diocese Há buraco na carteira Há buraco na minha tese. Há buraco na estrutura Há buraco no tijolo Há buraco na assinatura Há buraco até no bolo. Há buraco sem tafulho Há buraco desmedido Há buraco do gorgulho Há buraco por nós sentido. Há buraco a toda a hora Há buraco no dia-a-dia Há buraco que não vai embora Há buraco na alegria. Há buraco na algibeira Há buraco no funil Há buraco na traseira Há buraco no perfil. Há buraco neste mundo Há buraco da cratera Há buraco ao segundo Há buraco na nova era. Com tantos e tais buracos Nosso mundo está em crise Daqui a nada é só cacos E não há quem organize. Prestai todos atenção Tende cuidado, abri o olho, Não tarda uma explosão Que nem sobra um repolho. Rosa Silva ("Azoriana")