Os escritos são laços que nos unem, na simplicidade do sonho... São momentos! - Rosa Silva (Azoriana).
Criado a 09/04/2004. Angra do Heroísmo, ilha Terceira, Açores. A curiosidade aliada à necessidade criou o 1
Julgo que não se levará a mal que se trabalhe pouco nos dias de Carnaval.
Logicamente, se o lema é divertir, que nos divirtamos, cada um à maneira que melhor lhe convier. Há quem se divirta cantando e dançando pelos palcos da ilha e, muito mais, nos ensaios preparativos das diversas atuações. Acredito que, após os ensaios e com tanta repetição das mesmas cantigas e enredos, acabe por se tornar rotineiro o que, inicialmente, seria motivo de largas risadas.
Afinal o que mantém o divertimento?
Não sendo eu perita em crítica carnavalesca, tenho a impressão que o que continua a fazer parte do divertimento contínuo, ao longo de sábado, domingo, segunda e terça-feira, são os esquecimentos momentâneos que dão lugar a novo improviso para que o público quase não perceba que houve uma pausa ou “falha” no discurso. O que, a meu ver, não pode pausar é o canto ou o pé de dança. Se a nota principal quebrar fará com que o grupo derrape para uma pausa difícil de recuperar. Para quem sabe tornear as situações, há sempre um jeito ou um gesto de recuperação imediata para que o bailinho ou a dança prossiga de forma a lançar um novo sorriso, ou mesmo, risada espetacular, quer entre os atuantes quer no público exigente. É sobretudo neste que está a crítica acentuada. De ano para ano, noto que estou mais criteriosa para as cantigas de saudação, de assunto e despedida. O “teatro” ou enredo surte melhores efeitos quando os atores têm perfil adequado ao papel.
Cantigas de saudação
Uma boa apresentação é, em parte, o que salva a fachada do bailinho ou dança. O guarda-roupa, os bailarinos, os instrumentos musicais, o amor à arte têm peso e medida mas, na minha simples opinião, as cantigas de saudação são o ponto de partida para todo o resto. Sabe tão bem aos nossos ouvidos o desfile de autênticos poemas coloridos pela magia de vozes e melodias de fazer arrepiar o coração. Não desprezando a diversidade de escritores/poetas que vão surgindo atualmente tenho a destacar um que já reconheço mesmo que esteja num cansaço momentâneo … o nosso poeta por excelência: Álamo de Oliveira! Ele preenche toda a categoria que se quer numa cantiga de saudação. O meu aplauso surge com vivacidade e maior alegria. É sublime a sua arte de poetar. Bravo! Bravo! É nosso, é ilhéu. O bailinho do Raminho disso foi prova, entre outros, com cantigas altaneiras.
O enredo
Depois da maravilha de cordas vocais e instrumentais, passa-se ao momento que tantos esperam: a crítica social, política ou de factos da atualidade coloridos de sátira estratégica para atingir objetivos concretos. Chamar a atenção para o que de pior (ou de melhor) se foi fazendo no antecedente ato real dos dias, meses e ano é comum. É como trazer a revisão do tempo que fomos passando. Sem dúvida que a crise, os impostos, os políticos são o prato forte para um manjar de risos que nos fazem iludir a atualidade numa fuga ao desânimo, à perda e à tristeza. Há quem crie verdadeiros pergaminhos dignos de preservar. Hélio Costa e João Mendonça continuam a ser os meus eleitos em matéria de mexer com risos e aplausos, entre outros que, porventura, vão dando notas altas ao teatro popular itinerante, que percorre praticamente todos os palcos da ilha onde se junta povo do nosso povo.
As transmissões audiovisuais
Sendo o Carnaval um tema universal que é lidado com diferentes máscaras há que salientar o Carnaval da ilha Terceira, sem dúvida alguma. Ao invés do que acontecia noutras décadas, agora é possível visionar qualquer atuação por via da captação in loco e transmissão direta pela rádio/internet, e, também, por via televisiva selecionada. Temo que, por via disso, alguns se fiquem pelo monitor ou pelo ecrã, mas é de louvar esta faceta que possibilita que todos possam alegrar-se portas para dentro com o que se faz a bem da saúde mental e física. Nada melhor que o Carnaval para levantar o ânimo e o da ilha Terceira é prova singular de arte e magia.
adj. Que é próprio e essencial: qualidade intrínseca. Que existe por si mesmo, fora de qualquer convenção: o valor intrínseco de uma moeda é o seu valor conforme o peso do metal precioso à cotação comercial. Interior, interno. (Antôn.: extrínseco.)
Sempre ouvi dizer que auto elogiar-se, auto mencionar-se, auto vangloriar-se é deveras feio e de mau tom. Que falar de si mesmo sem alguém para lhe apontar qualidades ou defeitos é monólogo insípido… Mas… mas, hoje apetece-me um autoexame e meter-me nesses auto ditos porque cheguei à conclusão que a profissão de jornalista (ou repórter, comentador, escritor para bom português ler) é deveras aliciante. Sinto que, nesta altura de escritos, me posso considerar apta a ser tida como um desses profissionais, em part-time e sem fins lucrativos, mas com bom aproveitamento.
Se antes me escondia atrás do anonimato, agora sinto-me confiante para estar na poltrona da frente porque muito já dei de mim, de outros e outras coisas da ilha ou fora dela, da Região, ao mundo virtual que tende a dar um salto imediato para o real, nem que seja ao fim de algumas semanas.
Tenho ou não razão?!
Caso não tenha, que me apontem ou atirem a primeira pedra…
Vá, digam-me se devo continuar ou simplesmente quedar-me no silêncio das letras. Acreditam que cumprirei esse veredito?
Susana é ilha em punho É uma quadra de junho É solstício de verão É voz do mar e da terra É tudo o que da alma descerra.
Susana é a voz da Terceira, Ilha brava e festeira, Porto de abrigo e luar Onde a música é salutar. Susana por ondas navega E a voz toda entrega No regaço de cada dia Numa doce maresia...
Teu canto é açoriano Chega longe é veterano Esvoaça qual gaivota Neste céu que não desbota.
É a ilha que nos cria ... Essa eterna melodia...
Rosa Silva ("Azoriana")
Tradução de Xana Du
What about Susan?!
Susana is an island in hand It is a court in June It's Summer Solstice It is the voice of the sea and land That's all the soul unlocks.
Susan is the voice of the Third, Island and wild partying, Haven and moonlight, Where music is salutary. Susana wave surfing And the voice of all delivery In the bosom of every day In a fresh sea air ...
Your singing is Azorean Comes out is a veteran Gull flits which In the sky that does not fade.
It builds on the Island ... this eternal melody ...
Hoje, dei por mim a reler o sol da vida, a luz da arte... e nada me consolou, nada me tirou este negrume do peito, nada me tirou os males de um mundo que se dilacera pela quantificação e não pela qualificação, por um inferno de atitudes em vez de olhar como se governam os pássaros, as borboletas, as aves todas do mundo... O que será que uma ave, se pudesse falar com o Homem, diria?!
- Tenho asas e tu não tens Tenho penas iguais às tuas Para onde vou tu de lá vens Ando no céu e tu nas ruas.
- Tenho um bico e umas garras Tens uma boca e a moral Se muito apertas pouco agarras Só me reservo do temporal.
- Da liberdade tenho usufruto No meu voar não me condeno Enquanto que tu estás de luto Envolto estás no teu veneno.
- Sou ave livre no meu voar Pouso aqui e pouso além Às vezes até te vou cantar A melodia que te faz bem.
Emergência?! nos "Destaques" do nosso amigo "SAPO".
É verdade, senhor Coelho. Não tarda nada (aliás ao tempo que andamos nisso) temos todos de fazer as malas e ala, que se faz tarde, para um lugar qualquer que aceite a gente. Parece-me é que não vão querer velhinhos, doentinhos, mirradinhos, criancinhas de colo, analfabetos e outros inhos que há, porque os há, que embora tragam uma fatiota apresentável, se formos a explorar internamente não se encontra nem um inho para contar ou fazer história.
Senhor, senhores e senhoras, caríssimos:
Enquanto a receita mensal for inferior à despesa mensal não vamos a lado nenhum.
Não sou política, financeira, economista, gestora, nem sequer governo o que quer que seja, porque normalmente tenho é que obedecer a portugueses, chineses e outras línguas que possam abancar no nosso território, mas sempre ouvi dizer que "Quem tira e não põe, minga e não cresce". Ora bem!
A gente, que é tábua rasa, tira para:
a renda ou prestação da casa,
prestação do veículo(s),
prestação das ofertas que às vezes são preciosas para desencalhar alguma necessidade importante,
água,
luz,
televisão em condições
acesso ao mundo atual (que está de bradar aos céus),
mercearia,
sapataria (só quando já se sente o chão a magoar o pezinho),
produtos de higiene pessoal cíclica e frequente,
higiene doméstica e dos respetivos animais de estimação,
refeições do pessoal e dos ditos bichanos e cães de guarda (para evitar que nos levem o pouco que nem é nosso, mas, enfim...),
surpresas que aparecem sem a gente prever mas que estão sujeitas à medicina geral e familiar e/ou à veterinária.
E quando vamos verificar o saldo.......... ?! Ena, já se foi tudo e ainda falta tanto para o pay day!
Podia até crescer as linhas e paragráfos deste desabafo (que oxalá o senhor Coelho espreitasse, se lhe sobrar uma milésima de segundo dos debates que ainda não decidiram que a eutanásia é ponto assente para os casos moribundos por esse mundo fora (já há lista?), e que Deus me perdoe esta leiva) mas não vou escrever mais nada sobre politiquismo porque para mais escrever teriam de me arranjar uma cadeira para me sentar junto dos senhores da República para ir dando umas cotoveladas meiguinhas cada vez que saísse "estamos num estado de emergência" e, ao mesmo tempo, acrescentava muito pianinho, que "eu não disse que assim como está e com este bendito euro não vamos sair de estado algum" e nem os outros lá de fora estão para aturar as nossas carinhas murchas e um montinho de malas a sair da bagageira de qualquer comboio ou avião que chegasse a um destino incerto.
Eu só não escrevo uma palavra feia porque seria malcriada e isso não quero ser, mas que me apetecia, apetecia MESMO.