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Açoriana - Azoriana - terceirense das rimas

Os escritos são laços que nos unem, na simplicidade do sonho... São momentos! - Rosa Silva (Azoriana). Criado a 09/04/2004. Angra do Heroísmo, ilha Terceira, Açores. A curiosidade aliada à necessidade criou o 1

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Criações de Rosa Silva e outrem
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Aos Forcados Amadores da TTT - Tertúlia Tauromáquica Terceirense

15.07.12 | Rosa Silva ("Azoriana")

Grupo de Forcados Amadores TTT
(Tertúlia Tauromáquica Terceirense)
Acróstico dedicado

Grandes amigos do bravo
Rendidos à festa taurina
Unidos que aqui gravo
Pelo dom que não se ensina
Ou que a vós se destina.

Da Terceira sóis o condão
E sóis bravos de coração.

Força para enfrentar
O touro na investida
Rosto erguido a chamar
Com coragem pela vida
Austeros no seu lugar
Dando provas de seguida
Olhando o que vai chegar
Se a sorte não for traída.

A vossa conduta leal
Maravilha de forcado
A todos e por igual
Dão provas que têm ao lado
O motivo pelo qual
Raramente é maltratado
Esse bravo animal
Sempre por vós estimado.

Touro é nossa fortaleza
Terceira é o nosso lar
Tauromaquia arte e beleza
.... que os Forcados sabem dar.

Rosa Silva ("Azoriana")

Recordações quem não as tem?!

15.07.12 | Rosa Silva ("Azoriana")

 

 

«A mulher é uma flor
Na jarra da alegria
E a Mulher vai no andor
Que é a Virgem Santa Maria.»

Cantiga que proferi
Em São Carlos dois mil e onze
Num CD que tenho aqui
Talvez seja prata ou bronze?!

«Há a terra e há o mar
Há a lua e as estrelas
Ao seu lado a cantar
Ó meu Deus queria vê-las!»

Esta foi na cantoria
Lá na Cova da Serreta
Feliz por chegar o dia
Com Retornado, nosso vedeta.

«O que sair da minha boca
Com este cetro na mão
Há de ser sempre cousa pouca
Para toda esta devoção.»

Esta cantiga ao Império
De São Carlos, ano passado,
A mim não causou mistério
Porque o senti ao meu lado.

E se mais alguém lembrar
As quadras ditas por mim
Se as quiser partilhar
Bem haja mesmo assim.

Se minha mãe fosse viva
Não sei bem o que seria
Pois é algo que me motiva
E me dá mais alegria.

Cantar para o nosso povo
Com um tom adocicado
É trazer algo de novo
Ao que se fez no passado.

O despique dá tareia
E o povo gosta de rir
Mas por mim tenho a ideia
De a ninguém eu ferir.

Uma ferida mal feita
É como água no azeite
A água apenas se deita
E só serve de enfeite.

O azeite faz arder
O candelabro da fé
Se o pavio morrer
Outro virá para o pé.

2012/07/14
Angra do Heroísmo
Rosa Silva ("Azoriana")

Nuno Ferreira, jornalista a pé (passou na Serreta)

14.07.12 | Rosa Silva ("Azoriana")

A Nuno Ferreira

Pela Serreta passou
Um famoso jornalista
E da Praça retratou
O que lhe agradou à vista.

"Açores a pé p'las 9 ilhas"
É o lema deste vulto
Que percorreu tantas milhas
Do insular e do seu culto.

Viaja pelo seu pé
E vai dando o seu olhar
Entre as vistas sua fé
Frente à terra vê o mar.

Bem haja caro senhor
Que não vi e tenho pena...
Prova assim o seu fervor
Sua meta não é pequena.

Abraços açorianos
Com rimas do meu ensejo
Bravos são estes humanos
Que efetivam seu desejo.

Rosa Silva ("Azoriana")

TOBIAS, o gato fiel

13.07.12 | Rosa Silva ("Azoriana")



Apego

 

Apegamo-nos às coisas, aos seres, aos animais, não propriamente por esta ordem, pese embora não termos nada de nosso, mas quando perdemos as coisas, os seres e os animais (sobretudo os que estimamos) é que damos pelo sentimento que estava adjacente a cada um deles.

 

As coisas deterioram-se ou são conduzidas por uma data de validade; os seres nascem, crescem, fazem por cumprir sua missão e partem; os animais ditos irracionais dão-nos, muitas vezes, lições de vida.

 

Este introito serve apenas para me situar na escrita e no objetivo a que me propus escrever: lição de vida. Tive-a há bem pouco tempo.

 

Lição de vida

 

Num passado recente não era fã de animais apelidados de estimação. Via-os e não me apetecia tratar-lhes do pelo ou trazê-los encostados a mim. Até chegava, muitas das vezes, a afastá-los com alguma veemência.

Foi mais propriamente depois de ser mãe de três filhos, legítimos de um casamento interrompido, que me dei conta do quanto pudemos estimar um animal de pelo, seja gato ou cão.

O motivo de ter uma cadela e um cão teve também a ver com a proteção do reduto doméstico. O(s) gato(s) que já povoaram os meus/nossos aposentos foram mimados e tratados como se de humanos se tratassem, fazendo com que vozes, miados e latidos conseguissem unânime entendimento.

De 10 para 11 de julho p.p. (de terça para quarta-feira) guardei a maior das lições: a fidelidade e o amor entre seres e animais.

 

A morte

 

No chão da morte, o meu gato Tobias, que foi vítima de atropelamento num ápice e sem que se soubesse quem fora a autoria de semelhante crueldade, olhava para mim, após ser transportado para a cozinha, e como que num ato solene de pedido de desculpas, despedia-se com um miar diferente. Coitadinho do meu gatinho… Coitadinho… As minhas lágrimas e pranto foram a resposta àquele último adeus… Jamais pensei ter de assistir, novamente, a uma despedida triste como esta: Ver partir finitamente o que me deu alegrias, provas de amizade e fidelidade ao ponto de conhecer todos os meus passos e corresponder aos meus apelos.

Tudo e qualquer coisa, ser ou animal que tenha a nossa estima ao partir deixa-nos envoltos em “esses” (leia-se é-sses): Saudade e Solidão. Só o Amor (= estima) permanece na lembrança do que de melhor se passou na convivência.

Só agora é que consegui desembrulhar as palavras que estavam necessitadas de sair do meu interior para a visão mundana, para vos confirmar que só o Amor sobrevive às tormentas repentinas.

Rosa Silva (“Azoriana”)

Cantoria na Cova (da Serreta)

07.07.12 | Rosa Silva ("Azoriana")

(imagem da autoria de Ruben Alves)

«Sete vozes a cantar
Esta foi ideia nova
Na mente eu vou lembrar
A cantoria da Cova.»

Acho que cantei assim
Se não estou enganada
Estava quase no fim
Quando foi na desgarrada.

Mota, Valadão, Alvarino,
Eram três pra começar;
Eu, Ludgero, Eduíno
João Leonel estava a fechar.

A cantoria molhada
Com chuva e finas águas
Terminou com desgarrada
Brincando sem conter mágoas.

Fui e abri este serão
Plo Emanuel convidada
Para cantar com João,
Retornado com boa entrada.

«Há a terra e o mar
Há a lua e as estrelas
Ao seu lado a cantar
Ó meu Deus queria vê-las»

Esta jamais vou esquecer
Foi como que um alerta
Para homenagem fazer
Ao cantador com quadra certa.

E como anfitriã
Até me sinto inspirada
Adeus até amanhã
Venham todos à tourada.

Rosa Silva 2012/07/07

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