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Açoriana - Azoriana - terceirense das rimas

Os escritos são laços que nos unem, na simplicidade do sonho... São momentos! - Rosa Silva (Azoriana). Criado a 09/04/2004. Angra do Heroísmo, ilha Terceira, Açores. A curiosidade aliada à necessidade criou o 1

Criações de Rosa Silva e outrem; listagem de títulos

Em Criações de Rosa Silva e outrem

Histórico de listagem de títulos,
de sonetos/sonetilhos
(940...pausa... 981)

Motivo para escrever:

Rimas são o meu solar
Com a bela estrela guia,
Minha onda a navegar
E parar eu não queria
O dia que as deixar
(Ninguém foge a esse dia)
Farão pois o meu lugar
Minha paz, minha alegria.

Rosa Silva ("Azoriana")

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Com os melhores agradecimentos pelas:

1. Entrevista a 2 de abril in "Kanal ilha 3"



2. Entrevista a 5 de dezembro in "Kanal das Doze"



3. Entrevista a 18 de novembro 2023 in "Kanal Açor"


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Dez anos conto da tua partida

28.10.13 | Rosa Silva ("Azoriana")

Olhos fechados p'ra sempre foi...
Há dez anos que eu conto
Mas esse fecho não me dói
Abriu os meus ponto por ponto.

Olhos abertos sem dilema
Às novas cores da vida
Na criação do poema
Com a verve tão sentida.

Um olhar também foi luz
Duma página criada
Que porventura supus
Ficar sendo sua morada.

A morada de um poema
Nascido para dar espanto
Há de ter vida suprema
Na voz que lhe der canto.

Rosa Silva (“Azoriana”)

 

Perante a dor e o sofrimento

27.10.13 | Rosa Silva ("Azoriana")

Não sei o que dizer, é verdade,
Perante a dor e o sofrimento
O silêncio é tudo o que me invade
Apenas uma palavra no momento.

Aguenta a força da amizade
Suporta com a fé o teu tormento
Olha o rosto da santidade
Aguenta firme com teu talento.

A vida é feita de sacrifício
Sempre na mira o nosso ofício
Que cada dia temos de abraçar.

Porque a vida outra Vida tem
No dia e hora que a todos vem
E ninguém sabe quando irá chegar.

Rosa Silva. ("Azoriana")

Aos Sonetos de João Mendonça

26.10.13 | Rosa Silva ("Azoriana")

Multicousas lindas, belas,
Que ainda ficam muito mais
Quando em letras e em aguarelas
São louvadas por jograis.

 

De "lava e incenso" as telas
De sonetos lindos sinais
Que brilham pelas janelas
E não se olvidam, jamais!

 

João Mendonça inaugura
Uma proeza literária
De jogral de sã cultura.

 

João Mendonça se evoca
Em verve extraordinária
Na chave de ouro nos toca.

 

Rosa Silva ("Azoriana")

Os “comeres” e os “beberes”

25.10.13 | Rosa Silva ("Azoriana")

O mesmo que dizer as comidas e as bebidas, em toda a sua parca abundância, estão na moda.

 

E porque este cabeçalho, ou melhor, título de artigo numa sexta-feira de que gostava imenso agarrar com unhas e dentes ao ponto de não mais largar, ou ainda, amarrar com atilhos resistentes o sábado e o domingo (dias que Deus nos deu de prémio para o descanso, pese embora, serem dias de trabalho para muitos e muitas que nem sabem o que é o descanso), digo, amarrar bem sem hipótese de desprendimento porque, no meu caso, é deveras bem-vindo o fim-de-semana seja ele de chuva, vento ou de um sol que tonaliza os ares de laranjas em novelos matinais de algodão.

 

[Faço aqui uma pausa para relembrar os leitores que em tempos avisei que ao escrever prosa linear não é bom sinal, isto é, prefiro a rima a escrever prosa ao comprido. A rima faz-me feliz porque só por si traz a melodia que há dentro de nós.]

 

Sem mais rodeios e parenteses retos deparo que ultimamente os jantares, almoços, reuniões com beberetes e outras comilanças são o prato forte para angariar fundos para “x”, “y” ou “z”. De tanto repasto acabamos por nos recolher ao lar nem que seja para comer umas poucas sopas de pão numa malga de leite da nossa querida vaquinha. Isto é só um exemplo de como poupar na mesa no sólido e no líquido. Mas quem gosta de passar a sopas de leite?! Já não há boca que queira, salvo algumas exceções… Gosto muito de pão e gosto muito de leite, queijo fresco e todos os derivados do líquido precioso.

 

Com isto não quero desanimar os organizadores de esta ou aquela festa dos “comeres” e dos “beberes” e sei que isso além de dar uma trabalheira fenomenal acaba por dar algum lucro, suponho.

 

Mas sem este manancial de iguarias ou pratos sugestivos para qualquer época festiva que se atravesse ao longo do ano como seria para ganhar patacas suficientes para levar a cabo o festejo (ou o fim lucrativo ou a solidariedade social)? Não seria e ponto final.

 

Mas, insisto, como se vai conseguir satisfazer tantos “comeres” e tantos “beberes” que vão surgindo em catadupa? Sinceramente não é fácil… Se não veja-se: Se o manjar for gratuito ou em troca de algum contributo pessoal, a coisa ainda se aguenta (pudera… não custa mas assusta) mas, se pelo contrário, for em troca de notas e/ou moeda grossa a coisa já muda de figura e o repasto fica-se por meia dúzia de comensais…

 

Sugestão: Não há?! Poupe-se ou abra-se o FRUFUL - Fundo Regional Útil para o Festejo e Utilizações Lucrativas. Que tal? Esta sim seria uma "panela" sem fundo e com muito conduto. {#emotions_dlg.bunny}

 

Rosa Silva ("Azoriana")

Uma imagem (repetente) com palavras (repentistas)

24.10.13 | Rosa Silva ("Azoriana")

 

No seio do mar imenso
Há dos peixes a aventura;
Na terra há faia, incenso,
E o ventrículo da ternura.

Mar e terra num intenso
Mosto de sal e doçura...
Um véu de espuma suspenso
No rochedo em altura.

E o amor que de mim arde
No ventrículo da tarde
Com olhares para o poente...

Foi gerado pela mãe terra
No berço que uniu a serra
Ao mar que deu a semente.

Rosa Silva (“Azoriana”)

Ilha Brava e Doce (parece que voltou)

23.10.13 | Rosa Silva ("Azoriana")
Ilha brava e doce
Quem foi que te trouxe
Sempre junto do mar?


Ilha
Bordada de palavras
no bailado da brisa
entre um porto de aventura
e uma rocha de ternura

És magia
uma flor aberta ao dia
uma maré de amores
universo de mil flores
num decote de prazer
um doce amanhecer
da primavera da vida.

És regaço de ilhéus
És ventre de uma cratera
Que deixou de ser.

És embrião de esperança
um olhar doce de criança
cada vez que a deixas viver.

És farol de salvação
uma estátua verde
uma tela de vida
no horizonte traçada
e do mar erguida.

És o rebentar de emoções
na maresia dos sentidos
no patamar do mundo
nesse Atlântico profundo.

És Ilha
ancorada
aos meus silêncios.

@2007/11/01 Terceirense
 
Nota: Parece que voltou com uma conversa entre amigos...

“Mais vale cair em graça do que ser engraçado”, lá diz o provérbio…

23.10.13 | Rosa Silva ("Azoriana")

Diz o ditado na boca do povo. É assim mesmo e aplica-se ao dia-a-dia em ocasiões que se veem a olho nu. Recentemente veio-me à ideia esse velho provérbio. Quando se é popular e conhecido com graça tudo fica bem nem que seja uma pouca de m****. Quem, infelizmente, se quer fazer engraçado acaba por não ter graça nenhuma. Portanto, vale a primeira parte do provérbio: cair em graça!

Para mim tanto faz. Tanto uma como outra não me trazem comida para a boca e essa, sim, é que faz falta e muita, sobretudo nos tempos que vão correndo sem graça nenhuma.

Mas isto tudo para chegar a uma questão que me anda a apoquentar e não é de hoje, nem de ontem ou anteontem… Prende-se com os nossos tradicionais (consagrados ou não) cantadores do improviso nato, sobretudo os mais antigos com anos de carreira feliz e competente. Esses que, salvo melhor opinião, me parecem estar melindrados com uma certa “graça” que os novos vão tendo nos palcos por essas freguesias da ilha Terceira e não só.

Com o parágrafo anterior não quero lançar lume na fogueira nem acender a discussão nem o diz-que-disse… Nada disso! Quero apenas ALERTAR os mais novos (onde me incluo muito pela rama pois não me sinto cantadeira nem para lá perto ainda) para uma situação que já me apercebi mesmo sem estar diretamente envolvida na contenda. Há que dar valor aos “velhinhos” cantadores do desafio (e em certa medida tem-se dado com homenagens e muita ovação) porque são eles que vão legando maravilhas quais pérolas preciosas do improviso cujo dom não se estuda, não se compra nem se vende, tem-se.

Para vincar essa maravilha, julgo eu, foi precisamente criada a Associação de Cantadores e Tocadores ao Desafio dos Açores para solidificar e apetrechar de vénias o que é tão genuíno das ilhas açorianas e da sua cultura popular.

Penso que ainda não coloquei por escrito o que me vai na alma com este floreado texto… Será que já conseguiram entender o que quero dizer?!

“Para bom entendedor meia palavra basta” é mais um provérbio que aplico neste final porque não quero ferir suscetibilidades. Acho que está na hora de atribuir o mérito devido aos nossos “velhinhos” cantadores não com “blá-blá-blá” mas com a sua presença em certos acontecimentos que os deixam de fora e deviam estar dentro para se puder chamar um verdadeiro festejo açoriano com valores que não há quem derrube.

E os “velhinhos” cantadores também não se devem ofender demasiado com o facto de ainda não lhes ser dada a “carteira profissional” porque se formos a profissionalizar ou a elevar demasiado o que o povo gosta puro e são, estamos sujeitos a entrar por uma área que se perde a beleza, a autenticidade e o amor ao que vem da alma de ilhéus.

Penso, ainda, que está-se a entrar por uma categoria demasiado elevada das cantigas ao desafio que restringe, à partida, os que querem e não podem ir diretamente para o estrelato atual. Será mentira o que estou a desabafar?!

Os arraiais não mentem… nem tão pouco o povo que se habitua a uma qualidade (em itálico porque tenho algumas dúvidas, confesso) que dificilmente irá ter retrocesso. É como diz o ditado: Mais vale cair em graça do que ser engraçado!

Rosa Silva (“Azoriana”)

22 de outubro: Santa Rita de Cássia

21.10.13 | Rosa Silva ("Azoriana")

Por ser digno de registo e divulgação, transcrevo, na íntegra, um poema histórico da autoria do Sr. Fernando Mendonça, sobre Santa Rita de Cássia, sua padroeira, cuja Festa se celebra amanhã na Igreja do Juncal - Santa Rita, do concelho da Praia da Vitória.

 



Dia 22 de Outubro vamos celebrar:
O dia da nossa amada Padroeira,
Com missa e honras para louvar,
Uma Santa adorada em toda a Ilha inteira!

Rita de Cássia, essa Santa se chamava.
De Cássia pelo nome do convento,
Onde teve o resto da vida passada,
Depois de ter vivido tanto tormento!

Nasceu em Itália, numa aldeia remota,
Filha de pais austeros, e idade avançada,
Queria era ser freira, por ser muito devota,
Mas os pais entenderam não ser essa a sua alçada.

Obrigaram-na a casar com um jovem adolescente,
Que mais tarde deu na bebida e até a maltratou.
Nunca desanimando, foi seguindo sempre em frente
E com seu procedimento seu marido modificou!

Mais tarde seu marido foi então assassinado,
Do qual tinha dois gémeos que o quiseram vingar.
Como não queria ver mais sangue derramado,
Implorou, rezando a Deus para isso não se dar!

Uma doença mortal a tal vingança impediu
Ficando então Rita sem filhos nem marido,
E foi então aí, que sua vocação seguiu:
Entrando no convento, como a Deus tinha pedido!

Entretanto sua vida piedosa, a Cristo consagrou,
Um espinho da cruz de Cristo em sua fronte apareceu,
Criando-lhe uma chaga que nunca mais sarou!
Aceitando sua cruz, em vez de chorar, agradeceu!

E assim, nesse convento acabou for falecer
Onde seus restos mortais continuam imperecíveis
Ficando assim todo o mundo Santa Rita a conhecer!
E hoje ainda a chamam: A dos milagres impossíveis!


2013. Fernando Mendonça


Nota: Muito obrigada, amigo, por me concederes esta honra!

Análise pessoal

21.10.13 | Rosa Silva ("Azoriana")

Uma quadra que cantei durante o I Festival da Cantoria dos Açores, que decorreu a 19 de outubro de 2013, na Praia da Vitória, foi a seguinte:

 

A cantiga vai no mar alto
A palavra vai por terra
A rima só dá um salto
Se do coração descerra.

 

Quando a pronunciei repentinamente e na continuação de idolatrar a cantiga e a palavra, não tinha a mensagem descodificada em pleno mas sabia o que me ia na alma, metaforicamente. Na ocasião que os versos saem velozes e a ritmo de viola e violão (ou vice-versa) não dá para se explicar o que nos salta à mente. Depois, e já nas lides normais diárias, é que fica a pairar o que se deixou no ar.

 

Ao longo dos tempos houve muitas cantigas de improviso que se descodificaram também nas mentes do próprio e dos ouvintes que, segundo me apercebo, captam o que de melhor ouvem e gravam na memória até que sejam finitos.

 

E foi precisamente no sábado que, durante o jantar que reuniu um salão de gente que gosta do improviso ao desafio, tive a oportunidade de conhecer um senhor da Vila de S. Sebastião que tem uma memória sã e profunda de tudo quanto foi captando ao longo da sua vida, cuja cabeleira já se vestiu de branco. Ele conseguia relatar quadras que ouviu, durante a sua vida, ao pormenor e com um gosto percetível, dos antigos e dos novos cantadores ao desafio. Impressionante! Também de historiador tem muito que se lhe diga… Conseguiu captar a atenção dos que o rodeavam na mesa da refeição para a história da Batalha da Salga, que se não fosse o início da cantoria da noite, teria concluído o relato de uma forma clara e entusiasmante. Parece uma enciclopédia açoriana e vê-se que é uma pessoa de poucas letras mas instruída pelo curso da vida quotidiana e de muito que também já deve ter lido ao longo da mesma. Pena que não fixei o nome mas acho que não perdi a fisionomia e o reconhecerei em qualquer parte da ilha.

 

Voltando à quadra. O que ela quer dizer verso por verso é:

 

A cantiga vai no mar alto

 

As cantigas já atingem um patamar de maior nível e apenas tem valor maior as que se consagram ou são melhor apreciadas. Comparativamente só vai no mar alto todo aquele motor que se aguenta quer em bonança quer em tempestade.

 

A palavra vai por terra

 

A palavra é pronunciada por toda a gente que vive e labuta no dia-a-dia, onde quer que esteja. É em terra que se vive a maior parte do tempo, independentemente de ter ou não qualidade. Fala-se e pronto.

 

A rima só dá um salto

 

Este termo - salto - refere-se propriamente ao atingir um nível superior, isto é, de relativa qualidade. Nem toda a rima tem o tónico para atingir a qualidade se desfasada de contexto. Há uma evolução se a prática for continuada, isso não haja dúvida.

 

A rima só dá um salto, Se do coração descerra.

 

Juntando o terceiro verso com o quarto que não se podem dissociar, encontramos a definição exata do poder da rima que se for ditada pelo coração terá um valor precioso. É precisamente do coração que saem muitas das rimas das cantigas que ouvimos no mundo do improviso e que perduram na mente dos populares que amam o que é nosso e genuinamente ilhéu.

 

Não sendo uma quadra com sentido objetivo direto e percetível sem recurso ao exame verso a verso, é o meu tesourinho. É isto o que eu sinto depois de ter encetado nestas andanças que jamais me parecia vir a trilhar: A verdadeira rima só dá um salto se do coração descerra. É por isso que chego a emocionar-me com a minha própria escrita (ou atuação) em determinadas ocasiões.

Bem-haja quem me proporciona estas reflexões e, neste caso, foi o I Festival da Cantoria.

 

Rosa Silva (“Azoriana”)

 

N.B. Artigo relacionado com o anterior.

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