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Açoriana - Azoriana - terceirense das rimas

Os escritos são laços que nos unem, na simplicidade do sonho... São momentos! - Rosa Silva (Azoriana). Criado a 09/04/2004. Angra do Heroísmo, ilha Terceira, Açores. A curiosidade aliada à necessidade criou o 1

Criações de Rosa Silva e outrem; listagem de títulos

Em Criações de Rosa Silva e outrem

Histórico de listagem de títulos,
de sonetos/sonetilhos
(940...pausa... 981)

Motivo para escrever:

Rimas são o meu solar
Com a bela estrela guia,
Minha onda a navegar
E parar eu não queria
O dia que as deixar
(Ninguém foge a esse dia)
Farão pois o meu lugar
Minha paz, minha alegria.

Rosa Silva ("Azoriana")

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Com os melhores agradecimentos pelas:

1. Entrevista a 2 de abril in "Kanal ilha 3"



2. Entrevista a 5 de dezembro in "Kanal das Doze"



3. Entrevista a 18 de novembro 2023 in "Kanal Açor"


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Três "p's": Parar Para Pensar

30.09.14 | Rosa Silva ("Azoriana")

“Escreves coisas tão bonitas”
Parece que ouço na mente
“Mas não sei se acreditas
No que lês na tua frente”.

É verdade! Podem crer
Não sei dar a mim valor
Mas também posso dizer
Que escrevo por amor.

Hoje lembro do meu pai
O homem de sete ofícios
Que da mente não me sai
E era contra desperdícios.

Se ele vivesse agora
Ficaria horrorizado
Com tanto carro à nora
Fazendo o céu cinzelado.

Há carros a mais na ilha
Terceira de Jesus Cristo
Nem sequer numa sextilha
Dava para falar disto

Tende cuidado ilhéus
Que andais tão apressados
Manchando os nossos céus
Poluindo os nossos brados.

Tanto carro pelas ruas
Entupindo a viação
E se assim continuas
Vítima és da poluição.

Se um “drone” sobrevoar
Nossa Angra do Heroísmo
Certamente vão notar
Que o verso tem realismo.

Não há lugar para parar,
Conduzir é um colosso;
Há que parar para pensar
Ou então está aberto o fosso.

Isto assim está ruim
E não há volta a dar
Também falo para mim
Com carro costumo andar.

Na minha casa é só um
Carro por necessidade
E não quero mais nenhum
Poluindo a cidade.

Mas há lares que têm mais
Em virtude de trabalhos
Diferentes e pontuais
Que vão por outros atalhos.

O que foi que aconteceu
Para haver tando deslize?
Ou tudo endoideceu
Ou então já não há crise?!

Ou gastamos sem medida,
Andamos em “faz de conta”,
Ou queremos gozar a vida
Mesmo com a cova pronta?!

Rosa Silva (“Azoriana”)

 

P.S. Após a divulgação destes versos chegou-me ao conhecimento um comentário pertinente e muito bem construído de acordo com a atualidade automobilista na ilha Terceira (e quem sabe noutras ilhas do arquipélago dos Açores). Ei-lo transcrito na íntegra sem colocar o nome do autor que gosta de anonimato:

 

 

(...) digo-te, efetivamente que, na nossa ilha, há carros demais a circular nas nossas estradas. Isto é o reflexo da preguiça e do comodismo que tomou conta das nossas gentes. Estamos quase todos com as veias e artérias entupidas de comer, beber muito e, depois, chocar as banhas no sofá. Alguns (as) para combater essa gula e preguiça excessiva, gastam fortunas em “podas” estéticas, outros procuram diluir o tecido adiposo nas academias mas, como temos o famoso “quinto toiro”, deitam tudo a perder com os proventos gastronómicos desse bicho generoso nas questões da culinária.

Quanto aos problemas do meio ambiente, eles já nos estão a molestar, mas continuamos a assobiar para o lado julgando que isso só irá apoquentar os outros. Conheço pessoas, minhas vizinhas, que, várias vezes por dia, vão a casa dos parentes que distam duzentos ou trezentos metros uns dos outros nos seus popós de marca afamada. Ei home, isto o que é?!... E se quisermos abordar outras questões: os plásticos e os vidros que deveriam ser todos reciclados, teríamos aqui um tratado de revolta e repúdio por aquilo que vejo não fazer por aí. Em jeito de síntese, deixo o seguinte provérbio “Deus perdoa sempre, o Homem perdoa às vezes, a Natureza nunca perdoa”…

A propósito do artigo anterior (Lançamento do livro de João Leonel)

29.09.14 | Rosa Silva ("Azoriana")

Da sextilha que me fez
Tão linda, está muito bem;
Sinto que algo talvez
Tenha vindo do além,
Porque sinto muita vez
Um sinal da minha mãe.

 

João Leonel Retornado:

 

"Sigam os vossos caminhos,
Neto, filho, pai ou mãe;
Obrigada pelos carinhos
DA VIDA QUE VEM DE ALÉM.
Não há rosas sem espinhos
Mas esta Rosa não tem."

 

Há em mim alguns espinhos
Que aos poucos vou ceifando;
Há também fortes raminhos
Nas quadras que vou criando,
Mas perante seus pergaminhos
Meus espinhos vou curando.

 

Quem fizesse uma coroa
Para em ouro te ofertar
Lembrando que a pessoa
Erra quando tem de errar
Mas do céu bem me ressoa
Um sinal para mais te cantar.

 

Um lírio de alva cor
Viu no bordão S. José;
Uma marca por amor
A Maria, que Virgem é,
E a quem canta com fervor
Tem sempre um lírio ao pé.

Agora que posso fazer
Para florir minhas flores?!
A teu lado pude ver
Tão risonhas minhas cores.
Só que vou anoitecer
Sem cantar além Açores.

 

Rosa Silva ("Azoriana")

Lançamento do Livro - O Retornado - O Poeta das Cantorias

29.09.14 | Rosa Silva ("Azoriana")

Cantoria de homenagem com diversos cantadores

Sociedade da Ribeira Seca
2014/09/24

I Parte - Quadras

1 Fernando Alvarino

Aproveito este momento,
Que é em tudo diferente:
Entrego-te um cumprimento
Partilha com esta gente.

2 João Leonel Retornado

Este cantar é um hino,
Dum nativo português;
Deem palmas ao Alvarino
As outras são para vocês.

3 Ludgero Vieira

João Leonel, o Retornado,
Toda a gente o conhece;
Ele assim é chamado
Até o diabo o conhece.

 

João Leonel Retornado

 

Não és feio, nem és lindo,
Quando olhei p’ra ti eu vi;
Mesmo assim sejas bem-vindo
Ao lugar onde eu nasci.

 

4 Maria Clara

 

Meu ídolo, meu grande exemplo,
Homem de ternura e de perigo,
Grande poeta que eu contemplo,

Meu companheiro e amigo.

 

João Leonel Retornado

 

Povo e raça portuguesa,
Aonde o sol dá mais brio;
Vamos dar palmas à princesa
Das quadras ao desafio.

 

 

5 Manuel de Fátima

 

Te conheço há muitos anos
Apreciei tua valia:
És dos maiores açorianos
Na arte da poesia!

 

João Leonel Retornado

 

Emigrou de qualquer maneira,
São coisas que a vida tem;
Chora quando chega à Terceira,
Quando se vai chora também.

 

6 Eduíno Ornelas

 

És aquele colega delicado
Os colegas que cá tens à tua beira,
Mas vais sempre lembrado
Quando se falar na cantoria da Terceira.

 

João Leonel Retornado

 

Tu não mereces castigo,
Entre os homens há diferenças;
Olha eu sou mais teu amigo
Do que aquilo que tu pensas.

 

7 Rosa Silva (“Azoriana”)

 

O que é que vou cantar
A um nobre cantador?
Só minhas rimas posso dar
Embrulhadas numa flor.

 

João Leonel Retornado

 

Desta senhora a gente precisa
Porque têm rosas na roseira:
Uma grande poetisa
Da nossa ilha Terceira.

 

8 José Santos

 

Houve um Camões que é laureado
No continente e p’la terra inteira;
E houve um retornado…
Um poeta da Terceira.

 

João Leonel Retornado

 

Não quero que tu protestes,
Eu sei que tens água no rio;
Obrigado p’lo que fizestes
A quem canta ao desafio.

 

9 Liduíno Borba

 

Faço aqui o meu papel
Em ambiente divertido;
Fiz o livro do Leonel
E não estou arrependido.

 

João Leonel Retornado

 

Para além de escritor
Mergulhas nas nossas almas;
Também é improvisador
Deem uma salva de palmas.

 

10 Valadão

 

João figura companheira,
P’ra mim das almas amigas;
Mesmo nascendo ao pé duma seca Ribeira,
É uma fonte de cantigas.

 

João Leonel Retornado

 

Eu sei que o nosso povo aposta,
Tirando o que lhe pertence:
Bem-haja aquele que gosta
Da cultura terceirense.

 

11 Amaral

 

Boa noite multidão,
Sábia, meiga e fiel,
Da Ribeira de Frei João
E de João Leonel.

 

João Leonel Retornado

 

Tu não tens ideia louca,
Para mim és um irmão,
Porque tu dizes com a boca
O que sentes no coração.

 

12 José Fernando

 

Este meu cantar sereno
Nesta sala se expande,
Mas faz-me sentir tão pequeno
Ao lado de quem é tanto grande.

 

João Leonel Retornado

 

Mas esta cultura acarinhas,
Tens seiva nas tuas flores:
És uma glória das Fontinhas,
E um orgulho dos Açores!

 

13 Francisco Ficher

 

Vou dar minha saudação,
Sem vos dar nenhum desvio;
Agora aperto a minha mão
A um poeta do desafio.

 

João Leonel Retornado

 

O arco-íris é um arco
P’ra quem conhece essa altaneira,
E S. Mateus é um marco
Da nossa ilha Terceira.

 

14 Hernâni Candeias

 

Vou lançar o meu tema,
Talvez uma grande questão;
Ofereço-te o meu poema
E também o coração.

 

João Leonel Retornado

 

Tu andas em linha reta,
Vasculhei no meu baú;
O povo chama-me poeta
Mas o poeta és tu.

 

15 João Ângelo

 

A cantiga que eu te faço
É para te dar parabéns,
E pores no teu regaço
Ao pé das outras que tens.

 

João Leonel Retornado

 

És grão da minha farda,
A casca da minha noz,
Nós somos da velha guarda
Mas há mais velhos do que nós.

 

II Parte - Sextilhas

 

1 Fernando Alvarino

 

Acabo desta maneira,
Com a ideia que me ocorre;
Gosto tanto desta Terceira
E da cultura que não morre,
E bendita seja a Seca Ribeira
Onde tanta água corre.

 

2 João Leonel Retornado

 

A sextilha é para o fim,
Relembro-vos desta vez;
Não sei se gostaram de mim
Mas eu gostei de vocês.

 

(Nota: Foi quadra)

 

3 Ludgero Vieira

 

João Leonel Retornado,
Canta sempre sem fadigas;
Vai deixar o seu legado
Para as pessoas amigas,
E vai ser sempre lembrado
Poeta das cantorias.

 

João Leonel Retornado

 

Sejas bem-vindo ao meu lado,
Tens calor e tens frio,
Um colega laureado
Que tem postura e tem brio;
O cantador mais pesado
Dos que cantam ao desafio.

 

4 Maria Clara

 

Lembro a noite em Santa Luzia,
Que te conheci da cabeça aos pés;
Foi nossa primeira cantoria,
Muito remei contra as marés,
Porque, na verdade, eu só queria
Ser metade do que tu és.

 

João Leonel Retornado

 

Este velho te acarinha,
Embora, não estou perdido,
Tens coroa mas és rainha…
O que é prometido é devido;
Eu dei-te tudo quanto tinha
Mas não estou arrependido.

 

5 Manuel de Fátima

 

E eu vou dar mais um passo,
É o que faço em seguida.
Quero construir um laço
Que tem a sua medida;
E agora vou dar-te um abraço
Pró resto da minha vida.

 

João Leonel Retornado

 

Quando alguém um abraço me entrega,
Eu sinto essa sensatez;
A verdade não se nega,
Já disse isto tanta vez,
Quando eu abraçar o meu colega
Estou abraçando vocês.

 

6 Eduíno Ornelas

 

Amigo que estás à minha beira,
É verdade, meus senhores,
Se não o é coisa verdadeira (?)
É o meu coração tem certas flores

Para abraçar a glória da Terceira
E uma das glórias dos Açores.

 

João Leonel Retornado

 

Vão-me fazer um favor,
Agradeço esse carinho;
Ninguém lhe chama cantador
Mas ele vem devagarinho
Porque o seu sentido de humor
É uma glória do Raminho.

 

7 Rosa Silva (“Azoriana”)

 

Gravem, gravem a homenagem,
Que se faz ao amigo João;
A vida é uma passagem
Para todos que aqui estão,
Mas jamais será miragem
Tuas cantigas na Região.

 

João Leonel Retornado

 

Sigam os vossos caminhos,
Neto, filho, pai ou mãe;
Obrigada pelos carinhos
Da vida que vem de além.
Não há rosas sem espinhos
Mas esta Rosa não têm.

 

8 José Santos

 

Houve uma Brianda Pereira
Uma mulher como é dado;
Um Frei João da Ribeira
Que por Deus já foi c’roado,
E a nossa ilha Terceira
Teve um João Retornado.

 

João Leonel Retornado

 

És tear das minhas mantas,
Não gostas de fazer intrigas;
Canteiro das minhas plantas,
Alma das almas amigas,
Quem disser que tu não cantas
Não entende de cantigas.

 

9 Liduíno Borba

 

Se algo eu sei fazer
Através da escrita pura,
A todos quero dizer
Duma forma bem segura:
Vou continuar a escrever
Em prol da nossa cultura.

 

João Leonel Retornado

 

Se esta cultura é um hino
Deste torrão português,
Pois eu nada vos ensino;
Obrigado pela sensatez
Eu agradeço ao Liduíno
E agradeço a vocês.

 

10 Valadão

 

És o brilho dos espelhos
E duma grande memória,
És como os infravermelhos
Que atuam com glória,
Nasceste entre dois concelhos
Angra e Praia da Vitória.

 

João Leonel Retornado

 

Meu amigo cantador,
Navegas a favor das marés,
Não me dês tanto valor
Eu não fico nos bicos dos pés,
Porque eu sou pecador
Tal e qual como tu és.

 

11 Amaral

 

Adeus povo de coragem,
E tocadores que aqui estão;
Adeus imortal imagem
Colega do coração;
Bendita a homenagem
Que fizeram ao João.

 

João Leonel Retornado

 

És ideia conhecida,
Ainda bem que apareces.
Tua imagem não é desconhecida,
Conheço-te tu me conheces,
E que Deus te dê na vida
Tudo quanto tu mereces.

 

12 José Fernando

 

És mais forte que uma fera
Quando anda de carreira;
És uma flor na primavera
No jardins desta Terceira;
Bendita a terra que gera
Um filho desta maneira.

 

João Leonel Retornado

 

Há o neto e o avô,
Cinco com cinco são dez,
Há o tempo que passou,
Já li a Bíblia de Moisés.
Sou somente aquilo que sou
Como tu és o que és.

 

13 Francisco Ficher

 

Adeus povo na verdade
Eu vos peço neste espaço
Há uma fonte de idade (?)
Para o colega sem embaraço,
E em sinal da nossa amizade
João dá-me o teu abraço.

 

João Leonel Retornado

 

Aceita abraços meus
Nos quais não há nostalgia,
Eles vão ser iguais aos teus,
Morre a noite e nasce o dia;
Leva abraços p’ra S. Mateus
Desta minha freguesia.

 

14 Hernâni Candeias

 

Os caminhos que a alma trilha
São sempre a voz da razão,
Gostava que fosse um hino à ilha,
Ao nosso querido torrão,
Mas é apenas uma sextilha
Que oferto ao João.

 

João Leonel Retornado

 

És as estrelas cadentes, (?)
Vocês p’ra mim são dos principais;
Quero amigos ou parentes
Não quero aqui rivais,
Porque embora todos diferentes
Nós somos todos iguais.

 

15 João Ângelo

 

João vejo se registo
Agora aqui, à tua beira;
Cantar p’ró povo a quem assisto
E nos ouvem de certa maneira;
Olha que eu nunca tinha visto
Uma cantoria desta maneira.

 

João Leonel Retornado

 

Mas vistes que ela foi assim,
Mais uma coisa aprendi.
Agora chegámos ao fim
Foi assim que te conheci:
Tu nunca te esqueças de mim
Que eu não me esqueço de ti.

 

Nota: Peço desculpa por algum lapso que tenha ocorrido na transcrição das quadras e sextilhas proferidas pelos cantadores, que em alguns casos tive alguma dificuldade em perceber. Se houver algum erro é favor comunicar que farei a correção.

 

Fonte: FGPereira - youtube

José Fonseca de Sousa / Liduíno Borba - João Leonel "O Retornado"

25.09.14 | Rosa Silva ("Azoriana")

2014-09-24

O sexto livro da coleção Improvisadores que Liduíno Borba leva a efeito e cujo lançamento foi efetivado na última quarta-feira de setembro do ano em que o homenageado fará os seus setenta anos (22 de dezembro p.f.) foi grandemente aplaudido.

Com a apresentação de Fernando Alvarino fico com a certeza de mais uma pérola na literatura açoriana.

Também o autor, José Fonseca de Sousa (em coautoria com Liduíno Borba), fez com que o homenageado, João Leonel “O Retornado” visse e ouvisse, em vida, uma roda de cantadores acompanhados por três tocadores, num oásis de cantares. Cantaram, cada um, uma quadra e uma sextilha, que tiveram, uma e outra, a resposta imediata do cantador, ou melhor, O POETA DAS CANTORIAS, como assim está feita a designação em livro.

O que é que eu vou cantar
A um nobre cantador?!
Só as rimas posso dar
Embrulhadas numa flor.

Foi esta a minha quadra (mais palavra menos palavra) que proferi da melhor forma possível perante uma plateia que recheava por completo o pequeno espaço da Sociedade da Ribeira Seca, da ilha Terceira, dos Açores.

Foi, sem sombra de dúvida, uma noite especial e fantástica, coroada por cumprimentos amistosos e abraços sinceros, sorrisos e bons ares de festa relacionada com a arte popular do improviso. Cada um dos cantadores presentes no lançamento do livro de João Leonel, “O Retornado” deu de si o melhor para agraciar um companheiro que já conta com mais de cinquenta anos de cantigas poéticas, as tais que levaram ao subtítulo do título do tão esperado livro.

Três coisas ficam guardadas no meu coração sensível:

- Ter sido convidada a prefaciar esta obra, pelo autor José Fonseca de Sousa;
- Ter recebido um belo autógrafo do biografado que me toca o coração;
- Ter cantado, junto com os cantadores, a cantadeira Maria Clara Costa e o poeta Hernâni Candeias, uma quadra e uma sextilha, no redondel de homenagem, com resposta imediata do homenageado.

A ficha técnica do livro (112 páginas / ISBN 978-989-8569-08-0), é digna de começo de leitura, bem como os capítulos e os depoimentos de amigos e convidados a registar o seu tributo ao amigo, colega e cantador dos mais antigos da ilha Terceira.

Não posso deixar de ler bem alto e guardar no coração uma das quadras da “Introdução” feita por José Fonseca de Sousa:

“Chamam-lhe o Retornado
A alcunha seria mais reta
Se todos no mesmo brado
Lhe chamassem só Poeta.”

Em suma, esta quadra, a meu ver, tem todo o sentido e objetividade. É um Poeta sim! Poeta do povo, da ilha, da Região e do mundo das cantigas ao desafio com o traje da poesia.

Como é lindo ser cantador! Como é belo o improviso! Como é bom ser desta sorte e ter um dom assim tão forte!

Que Deus seja sempre o condutor da sua vida e a saúde seja mais fortalecida para nos puder agradar com os dotes poéticos firmados em quadras, sextilhas e outras variáveis da arte do improviso e cultura popular das ilhas açorianas.

Para findar esta dedicatória eis uma sextilha que não cantei mas canto agora:

Bem-haja caro amigo
Que inspiras rima e prosa.
Adorei estar contigo
Numa noite grandiosa;
És um cantador que digo:
Tens arte maravilhosa!

Rosa Silva (“Azoriana”)

Angra do Heroísmo, 25 de setembro de 2014

Dia de aniversário do meu primogénito;
Dia de Pezinho e Cantoria de S. Carlos, da ilha Terceira - Açores

Vão pelo mundo... (a Oldemiro Silva)

24.09.14 | Rosa Silva ("Azoriana")

Vão pelo mundo os barcos
À quilha do pensamento
Onde as marés de talento
Molduram madeira em arcos.

Vão pelo mundo escritores
Com o tempero de mar
Lançam letras de encantar
Com palavras de mil cores.

Vão e não vêm como as ondas
Que dão voltas incessantes
Como outrora navegantes
Pelo mar em suas rondas.

Vão embalados de sonhos
Da sua terra natal
Ou doutra que afinal
Foi tida em laços risonhos.

Ó ilha do meu barquinho
Lancha de sonho à proa
Da raiz de uma pessoa
Que me legou mais carinho.

Ó ilha de Santo Amaro
Reino do labor naval
Do construtor regional
Que merece o bom reparo.

Quem me dera um dia dar
Em palavras de amor
O verso ao navegador
Que me atiçou a rimar.

Há gente que eu admiro
Que tem o leme na mão
O lápis com o coração
Como faz o Oldemiro…

Oldemiro é terceirense,
Emigrante americano
De berço açoriano
Com raiz santamarense.

Escreve o que dá encanto
Ler de um fôlego somente
Uma escrita diferente
Que louvo, hoje, no meu canto.

2014/09/24
Rosa Silva ("Azoriana")


Nota: Escrito no dia seguinte depois de ter falado, pela primeira vez, com Oldemiro Silva, nascido na ilha Terceira, filho de pais da freguesia de Santo Amaro da ilha do Pico, emigrante nos Estados Unidos da América.

A propósito de um Veleiro e bons escritos

24.09.14 | Rosa Silva ("Azoriana")

«Cada um tem a sua formação, os seus talentos, os seus valores e ideais e aplica-os da forma como acha melhor.» - Expressão de Heliodoro Tarcísio Pacheco da Silva num dos seus artigos em http://popeye9700.blogs.sapo.pt.

E a propósito de um Veleiro eis a minha criação instantânea, à vista de uma imagem:

O VELEIRO

O "Popeye" é um veleiro
No mar alto a navegar
É valente marinheiro
Nos picos de cada mar.

Quem pudesse velejar
Num mar de terno baloiço
Ir de encontro ao luar
Pelas ondas em retoiço.

Mar ilhéu acostumado
Às maresias da vida
Tendo o céu iluminado
À proa da vela erguida.

Como é lindo viajar
Com golfinhos companheiros
E a um cais atracar
Haja sol ou nevoeiros.

Seja este mar temperado
De versos à correria
Que viajem ao teu lado
Sempre em boa companhia.

Rosa Silva ("Azoriana")

Lançamento do livro de João Leonel

24.09.14 | Rosa Silva ("Azoriana")

 

Hoje, 24 de setembro de 2014, irá decorrer a cerimónia de lançamento do livro do cantador poeta, João Leonel, mais conhecido por Retornado.

Desejo muito estar presente na Sociedade da Ribeira Seca, para assistir à sessão de apresentação do livro levado a efeito pelo autor José Fonseca de Sousa e co-autor Liduíno Borba.

O meu contributo amistoso está patente no prefácio, a convite do autor que é um amigo de relevo da cantoria e cultura açorianas. Bem-haja!

Rosa Silva ("Azoriana")

Construtor naval - Santo Amaro do Pico

24.09.14 | Rosa Silva ("Azoriana")

 

 

Minha homenagem ao
Mestre João Alberto

No batel do teu olhar
Passa o mar todo a eito
E nas mãos vejo passar
Um trabalho tão perfeito.

No batel da tua vida
Há marés com muito jeito
Nem sequer uma perdida
Nem sequer lhes vi defeito.

João, o homem do leme
Na terra que também treme
Com a trincha e o martelo...

Na vida és um artista
Porque tens golpe de vista
Teu batel sempre foi belo.

Rosa Silva ("Azoriana")

 

Nota: Gostava imenso de ter o livro "Mestre João Alberto - No Reino dos Barcos".

 

Procissão da Senhora dos Milagres - Serreta - apontamento

22.09.14 | Rosa Silva ("Azoriana")

Desde que tenho blogue que registo o acontecimento serretense, nomeadamente de procissões e outros festejos religiosos/profanos que ocorrem na segunda semana de setembro.

Em 2004/09/12 houve procissão;
Em 2005/09/11 houve procissão;
Em 2006/09/10 houve procissão;
Em 2007/09/09 houve procissão;
Em 2008/09/14 houve procissão;
Em 2009/09/13 houve procissão;
Em 2010/09/12 houve procissão;
Em 2011/09/11 houve procissão;
Em 2012/09/09 houve procissão;
Em 2013/09/08 houve procissão;

Em 2014/09/14 não houve procissão motivado pelo mau tempo devido à chuva abundante na hora que a mesma se realiza.

Antes mesmo de 2004 não me recordo da procissão não se fazer. Até dava a ideia que a Senhora dos Milagres gostava de sair à rua acompanhada por romaria de gente devota. Porque será que no ano de 2014 a Senhora preferiu ficar apenas no andor dentro de portas do Santuário?

Em 2014, pela primeira vez na história da Serreta, houve rainha das festas profanas, com desfile no sábado, ladeada por outras rainhas das freguesias do concelho de Angra do Heroísmo; julgo que, também, pela primeira vez se viu uma senhora para carregar o andor ao ombro e um jovem estudante universitário com o traje completo com a mesma intenção; houve o dia dos cedros (sexta-feira), o dia dos arcos (sábado), houve tapetes de flores em todo o percurso destinado à procissão, colchas pelas janelas, faias na berma do caminho junto às casas, foguetes, bandas musicais, com a da Serreta a tocar no interior do Santuário a Nossa Senhora no seu lindo andor, muito bem ornamentado… mas não houve procissão.

Houve tourada tradicional na praça do Pico da Serreta, que foi alvo de reconstrução de todo o mural à volta e local de acesso das gaiolas, com portões feitos propositadamente para embelezar o cerrado taurino;

Houve bodo de leite, na terça-feira, com um cortejo da “Ida à Serreta”, em trajes antigos da época dos carros de bois, carroças e mesmo a pé com tudo o que era necessário para festejar a festa da Serreta (de todos os tempos);

Houve tourada no caminho do Santuário (na quarta-feira) bem como a vacada (na quinta-feira), novamente na praça do Pico da Serreta;

Houve concertos/músicas de palco no exterior, fogo-de-artifício, Stand Up Acores, comédia, cantoria animada com a presença de numerosa plateia; tascas e tasquinhas; risos e lágrimas; rezas e coros; sinos e foguetes… só não houve procissão?!

E não houve trompa de harmonia… Senti a falta de ambas, da procissão e da trompa… Senti a melancolia de não ter os filhos (todos) à minha volta, exceto minha filha e genro;

Senti frio, vento e chuva… Só não consegui despedir-me de algumas pessoas e imagens… Levei o tempo todo a pensar porque não houve procissão e, ainda, não me deram o principal motivo… Só Ela sabe! Uma coisa é certa, Ela deixou fazer todo o trabalho preparatório até às 17:00 e só depois desabou o aguaceiro…

Só Ela sabe mesmo!

Até 2015/09/13, próximo ano e domingo de procissão, com a incógnita.

Rosa Silva (“Azoriana”)

Meu SOPRO DE VIDA (livro não editado)

21.09.14 | Rosa Silva ("Azoriana")

Para mim, o Sopro de vida.pdf, é mais um, que por falta de apoio das entidades culturais açorianas, vai ficar-se pela “maquete”, pois a valorosa autora não tem suporte financeiro que lhe permita realizar a sua edição.

É uma pena, mas é uma realidade, que por razões meramente economicistas, obras de grande interesse cultural, como é o caso, se ficam pela “gaveta”, a aguardar melhores dias.

Quanto ao livro em si, este SOPRO DE VIDA, entendo que é a vida num sopro, (instantes de inspiração), onde a autora Rosa Silva (Azoriana) consegue transmitir-nos as vivências, os factos, os acontecimentos e até os sonhos, duma forma em que a clareza da descrição, transforma os poemas e os relatos, em verdadeiras mensagens a quem ninguém pode ficar indiferente.

Só me resta incentivá-la a que não desista, para que a cultura popular açoriana, não perca mais um veículo da sua divulgação.

José Fonseca de Sousa
(Lisboa)

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