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Açoriana - Azoriana - terceirense das rimas

Os escritos são laços que nos unem, na simplicidade do sonho... São momentos! - Rosa Silva (Azoriana). Criado a 09/04/2004. Angra do Heroísmo, ilha Terceira, Açores. A curiosidade aliada à necessidade criou o 1

Criações de Rosa Silva e outrem; listagem de títulos

Em Criações de Rosa Silva e outrem

Histórico de listagem de títulos,
de sonetos/sonetilhos
(940...pausa... 981)

Motivo para escrever:

Rimas são o meu solar
Com a bela estrela guia,
Minha onda a navegar
E parar eu não queria
O dia que as deixar
(Ninguém foge a esse dia)
Farão pois o meu lugar
Minha paz, minha alegria.

Rosa Silva ("Azoriana")

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Com os melhores agradecimentos pelas:

1. Entrevista a 2 de abril in "Kanal ilha 3"



2. Entrevista a 5 de dezembro in "Kanal das Doze"



3. Entrevista a 18 de novembro 2023 in "Kanal Açor"


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Último dia e domingo de novembro

30.11.14 | Rosa Silva ("Azoriana")

Fim de novembro. Último domingo do mês das almas. Sol acompanhado por uma brisa suave. Calma de vales, montes e águas. Saudades em evolução. Frases ao calhas no tempero da véspera do primeiro de dezembro, mês de natividade e partilha de carinho. Não há prenda maior que um abraço, um beijo e o calor da gente. Haverá pausa escolar. Alguns terão férias laborais. Outros nascerão, outros já partiram (ora com penas ora sem elas). No fundo só me apetece içar a quadra natalícia a partir de hoje:

 

Feliz Natal para todos vós
Na ilha ou outro local
Que nunca o passem sós...
Só com Jesus é Natal!

Bom dia vizinho, amigo,
Parente ou outros mais;
Feliz estou eu contigo
Na casa dos Folhadais.

Não ouses levar a mal
Isto que agora faço
Coroado pelo abraço...

Vai começar o Natal:
Sorri enquanto puderes
Paz aos Homens e Mulheres!

 

Rosa Silva ("Azoriana")

Espalamaca em Santo Amaro do Pico

17.11.14 | Rosa Silva ("Azoriana")

Louvo-te

Espalamaca foi ao mar
E do mar ela voltou
Para o Mestre a renovar
Conforme ela se formou.

Peça a peça manobrou
Esse que a sabe arranjar
Com afinco trabalhou
Desde aurora ao luar.

No porto de Santo Amaro
No estaleiro o reparo
Com engenho e alegria.

Vai erguer-se nova proa
E o meu verso já entoa
O louvor à freguesia!

Rosa Silva ("Azoriana")

«Folhetins de Fagundes Duarte - de 1 a 688», um dia quem sabe...

17.11.14 | Rosa Silva ("Azoriana")

FOLHETIM (688)

LUÍS FAGUNDES DUARTE

Ite, missa est

Durante os últimos catorze anos colaborei com estes folhetins, ininterruptamente - salvo em tempos de férias, ou aqui e ali quando os afazeres mo não permitiram-, no "Diário Insular". Neles, falei de política, de pessoas, de acontecimentos. Para eles, recorri às minhas experiências, aos meus conhecimentos, às vozes do povo. Por causa deles, abdiquei de outras actividades, de horas de sono, do convívio familiar. Com eles, cheguei a muitas centenas de pessoas, que por esta via me ficaram a conhecer.

Porém, chegou a altura de parar: é preciso saber-se quando se deve sair de cena.

Estes catorze anos coincidiram com os doze em que fui deputado, e com os vinte meses em que fui secretário regional. Se, no exercício das primeiras funções, o ter colaboração fixa em órgãos de comunicação social escrita era considerado normal e até útil - houve e há outros deputados que o fazem -, o mesmo já não aconteceu com o exercício das segundas: muita gente achou que eu, sendo membro de um governo, deveria ter interrompido a minha colaboração pessoal com os jornais; e estou mesmo convencido de que o facto de o não ter feito terá contribuído, por várias razões que me dispensarei de enunciar, para a minha demissão. Entendi, no entanto, que ser membro do governo não tira a capacidade de pensar de um homem, não o pode castrar, e sobretudo não lhe pode retirar a condição de homem livre.

Continuei a escrever - ou seja, a emitir opiniões e a exprimir emoções - enquanto fui secretário regional, e contra todas as normas do politicamente correcto, pelas mesmas razões por que o fazia de antes (e recordo, a quem o não saiba, que comecei a escrever em jornais de circulação nacional no início dos anos de 1980): porque me apeteceu. A quem agradou, agradeço: ter-lhes-ei sido útil; a quem não agradou, agradeço igualmente: foram-me úteis.

Por definição, as duas margens de um rio nunca se tocam. E no entanto, durante todos estes anos eu estive com um dos pés em cada uma das margens de um dos rios que correm pela minha vida - e a minha vida, pessoal e profissional, vai muito mais além do que fui e do que fiz nos dezoito anos em que estive na política activa -: o pé esquerdo na margem direita, e o pé direito na margem esquerda.

De cara a montante e de costas a jusante.

Porque foi assim, preocupado em conhecer as origens dos problemas e das situações de que me ocupava e não com a minha sobrevivência como político - e por isso me orientava para a nascente - que me assumi. Só conhecendo a origem do rio, e os seus acidentes de percurso até ao local onde o observamos, se pode saber porque é que ele às vezes seca, porque é que às vezes corre violento e outras calmo, e porque é que, também às vezes, transborda.

O meu rio transbordou.

Durante estes anos de política deparei-me com muitos problemas - uns que tinham a ver com as fraquezas e as forças das pessoas, outros com casos de polícia. Conheci muita gente: valentes e cobardes, seguros e inseguros, honestos e desonestos, verdadeiros e hipócritas.

Conheci lutadores e ratos de navio.

Conheci gente que me apoiou, e gente que me atraiçoou; uns, muitos, que foram meus amigos enquanto nas suas ficções pessoais eu podia constituir uma mais-valia, e que me escarneceram quando descobriram que eu já de nada lhes serviria - e outros, poucos, que continuam a honrar-me com a sua amizade. Aos primeiros, respeito-os - acreditando que o tempo dirá de que lado está a razão e a verdade; aos segundos, afianço que permaneço o mesmo, e que continuarei a escrever o que quiser, e onde e quando me apetecer - porque sou um homem da palavra.

A todos eu conheço o nome.

Não farei minhas as palavras que o evangelista Lucas (9:5) colocou na boca de Jesus dirigindo-se aos Apóstolos - até porque soaria a sacrilégio: "Se nalguma terra as pessoas não vos quiserem receber, quando saírem de lá sacudam o pó dos pés". Não sacudirei o pó das sandálias com que percorri todas as nossas ilhas, até porque a terra que servi é minha de direito próprio: foi nos Açores que nasci e fui criado. Sou açoriano, doa a quem doer.

Por isso, neste momento pensado, apenas direi: "Ite, missa est" - que em vulgar significa: "Ide, chegou a hora da despedida".

Como na Sapateia.


Fonte: DI. DOMINGO 16.NOV.2014. Transcrição completa.


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Nota da minha autoria: Rosa Silva, açoriana, terceirense, serretense e, atualmente, sancarlense.

Para quem me conhece escusado será escrever que o meu gosto é mais pela rima, sobretudo porque me faz feliz. Hoje escrevo em prosa corrida, assim por aí abaixo até completar alguns parágrafos, espero.

Depois de ler e reler o Folhetim 688, sinal de que nos catorze anos de escrita de Luiz Fagundes Duarte, conterrâneo, nascido no mesmo território que eu, deve ter escrito, por ano, uns quase cinquenta dos tais intitulados “Folhetim”.

Alguns li, outros reli, outros ri, outros emocionei-me, outros menos, outros mais, outros não lhe coloquei os olhos nem os sentidos, outros, ainda, guardei para memória minha, ora em cópia do jornal ou o próprio jornal.

Com a moda das redes sociais em tecnologia moderna, muitos dos “Folhetim” li-os através do ecrã minúsculo do telemóvel. Cheguei a comentá-los com a celeridade de escrita a que as teclas me impelem, tal como os sentimentos.

E agora?! Onde ir buscar a doçura das palavras, a sabedoria da escrita, as farpas que algumas contém, mesmo que não sejam com o objetivo de causar ferimentos graves, onde ir buscar o ímpeto de resposta imediata como que a abraçar o conteúdo de alguém que já escreveu sobre mim de uma maneira que ficou lavrada em livro, o meu primeiro… Onde? Onde? Poderia continuar a discorrer frases de inquietação e busca de justificação para o agora terminado “Folhetim”… Auguro que germinem novas crónicas com o bom saber das escrituras sobre tudo e mais alguma coisa, como a gente gosta, e eu gosto.

Caro “vizinho”, amigo, não me coloque jamais nos oportunistas, não me coloque jamais nos que balbuciam palavras menos boas a seu respeito. Da sua vida pessoal quase nada sei nem preciso saber. Da sua vida profissional sei o que se publica, quer em papel quer em vias tecnológicas. Uma coisa apenas e agora lhe digo e oxalá lhe chegue ao olhar, aos ouvidos, ao coração: sempre gostei de saber que era açoriano, terceirense, serretense e que domina a língua portuguesa por todas as juntas. Ainda mais quando escreve como a nossa gente fala, tal e qual.

Prof. Dr. Fagundes Duarte não importa o seu credo mas creio que, para mim, será sempre um nome a figurar na nossa alma serretense que vai muito além da ilha, das ilhas.

Bem-haja por tudo o que escreveu e deu ao mundo. Agora fico à espera de uma coletânea intitulada: «Folhetins de Fagundes Duarte - de 1 a 688».

Angra do Heroísmo, 17 de novembro de 2014.

Uma questão de toques

17.11.14 | Rosa Silva ("Azoriana")

Já perdi a conta às vezes que pensei (ou disse): este é o melhor que escrevi!

Podem acreditar que até a mim me surpreendo com o que, bastas vezes, escrevo. É algo que não terá explicação que não seja aos olhos do coração, da inspiração, portanto. Escrever na forma tradicional em sebenta, caderno, papel propriamente dito é muito raro eu fazer. A minha melhor opção quer dizer, a melhor ajuda ao meu impulso de escrita é tido por via de toque célere de teclas alinhadas por uma norma infalível, se formos a ver pela técnica, rapidez e sonoridade. O próprio teclado quando pressionada tecla-a-tecla com os dez dedos bem posicionados dá-nos um cântico novo, um amistoso acompanhante do que flui da mente, com os acordes do coração. Não há melhor melodia que esta, toque após toque, até se formar uma imensidão de palavras sonantes sem serem audíveis. Quando muito teremos de recorrer ao altifalante para colocá-las audíveis a um público que pode, ou não, surpreender-se pela grandeza do que foi registado a toque de toques.

Graças a uma excelente professora de datilografia que tive num ano já distante, a D. Dores Ávila, já falecida, é que cheguei à perfeição do uso das teclas da escrita. Outras teclas não sei se teria tanta afinidade como as de um aparelho de uso diário, quer pessoal quer laboral. Até de olhos fechados sei a posição das teclas e isso, sem dúvida alguma, devo-o à minha, tão bem lembrada, professora. Na altura tinha que usar uma tampa para o teclado, feita de madeira que cobria a zona das teclas de letras e números. Tinha que aprender a usar a fila do meio até à exaustão, a do meio combinada com a superior e depois a inferior ao ponto de saber a posição de todas as letras, em primeira instância, e só depois aprendi os números quer na fila acima das letras, quer no lado direito, melhor adaptado para sequência de cálculos.

Teclado

E fui muito feliz assim, com uma aprendizagem que me deu o caminho do futuro laboral porque comecei a trabalhar por ter superado um concurso com sucesso, à custa de me desenrascar muito bem com o teclado e o seu uso com rapidez. Daí por diante foi sempre um teclado fosse ele de máquina de escrever com teclas, fosse em equipamento informático, que me levou à especialização de toques… Não me perguntem é quais os dedos desta ou daquela letra, perguntem sim: onde devem estar, sempre, os dedos nas teclas de partida. Direi que nas de “asdf” e “çlkj”, zona central do teclado, obrigatoriamente. As outras letras vem derivadas da posição central e mais nada!

Rosa Silva (“Azoriana”)

Lá fora a chuva canta... o desenho da alma

17.11.14 | Rosa Silva ("Azoriana")

Alma açoriana

Quem gosta de escrever
O que emerge do centro
Certamente irá ter
Sua alma aqui dentro.

Sinto isto a cada passo,
Cada letra (sem papel)
Basta seguir o compasso
Da rima a que sou fiel.

Meus leitores de segunda,
Terça, quarta ou outra feira,
Se a escrita de mim abunda
É por ser "made in" Terceira.

Nada como prosseguir
Neste desenho da alma
Mesmo que sem conseguir
Arrecadar douta palma.

Quem me dera de mim ler
Noutra hora de evento
O que consegui escrever
Sem remendar um acento.

O que escrevo é furtivo
É ditado pela mente
É como se fosse vivo
O que jaz eternamente.

Que lindo é o que leio
À medida que é solto
Para alguns será asseio
Para outros mar revolto.

Não me prendo nas marés
Que batem noutros rochedos;
Venham ler de lés-a-lés
O que escrevem os dez dedos.

Dedos correm no teclado
Que navega em circuitos
Que levam a qualquer lado
Muito mais que os meus intuitos.

Pra finalizar em dezena
Nove quadras já contei:
É uma conta pequena
Da maior conta que dei.

Rosa Silva ("Azoriana")

Hoje penso nisso...

16.11.14 | Rosa Silva ("Azoriana")

Hoje penso nisto: lenço à foliã, avental ao pescoço, mangas arregaçadas, alguidar de barro, farinha, fermento, ovos, açuçar, sal, mãos lavadas e prontas a sovar a massa que ganha desprendimento à medida que é sovada, forno aberto com lenha trazida nas vésperas do mato, lamparina acesa, primeira mecha de lume para acender o forno com a dita lenha bem seca, primeiro clarão em sinal de que pegou o lume, lenha a crepitar à medida da queima, lados do forno avermelhados em sinal de aquecimento ideal, pá a arredar a cinza para o borralho, ou seja para a porta do forno; pão lêvedo em cima da mesa protegido com linho branco atapetado de farinha para não haver pega da massa, que mesmo assim está deposta em cima das folhas de jarroca apavonada nas pontas e alinhadas a preceito, rostos felizes a levar a massa à pá que vai depositando no forno aquecido e a modos de não queimar o solo da massa que vai ganhando uma cor rosada como que a convidar a que a primeira a sair do forno fosse experimentada pelas bocas desejosas de provar o resultado do arranjo que levou algumas horas de dedicação e sabedoria da culinária tradicional... e lá vai mais um bocadinho que nem é preciso partir com a faca porque a mão já lhe sabe tirar a medida exata do desejo de massa quente com um salpico da manteiga que a doura ainda mais, escorrendo da cabaça feita de um retalho alvo de neve, onde se deposita um naco de manteiga para barrar a massa que vai continuando a sair do forno, já em modo de final da tarefa doméstica, em dias em que o galo se levanta cedo e dá o mote às galinhas para se aprontarem para o cântico matinal de despertar uma família inteira para os cuidados de fé, esperança e caridade... Sim, porque no meio disto tudo, lá se ia colocar um bolo de massa ainda quentinho, embrulhado em papel vegetal, em cima da parede do caminho mais próximo, onde os transeuntes já sabiam que aquele era um presente com intenção, em louvor de Santo António, ou pela boa realização da tarefa ou por alma de alguma alma mais necessitada. E surtia sempre bom efeito no contentamento daqueles(as) que por detrás do cortinado fino e rendilhado, espreitavam a quem calhava levantar o bolo de massa sovada, dourada como o sol, fresca e boa como a vida de tantos heróis da vida familiar.

Massa sovada, para St António

De um fôlego, como quem bebe um licor caseiro, escrevi o parágrafo antecedente como quem regressa ao passado, por volta dos meus dez ou mais anos, para me matar a saudade que vive acotovelando o viver presente. E tu, leitor que gostas do que dou a conhecer ou relembrar, o que tens a contar da época que já se avista entre a bruma dos dias e o luar fusco das tardes e anoitecer dos dias que te douram a imaginação?

Como eram esses dias? Tardes, Noites? Como te vias e já não te vês mais, como eu, que nem sei talhar o pão-nosso-de-cada-dia, de comer e chorar por mais?

Que este domingo seja para ti o que está a ser para mim: reflexão, saudade e escrita com a rapidez de um fôlego tecnológico... que outrora nem se sonhava.

Um beijo doce no teu rosto, minha madrinha do batismo, a única viva, de um punhado de familiares que já pertencem ao outro lado da vida: A VIDA ETERNA!

Obrigada por me leres até ao ponto final. Deixa-me um pouco da tua ternura escrita em sinal do teu olhar, leitura e carinho. Faz-me companhia na solidão das tardes domingueiras onde não tenho tão assíduas as presenças dos meus três rebentos: Luís Borges, Aida Borges e Paulo Borges. Beijos para vocês, meus filhos.

Para quem vive diariamente o meu respirar... um beijo saboroso.

Rosa Silva ("Azoriana")

VERSOS DOS SENTIDOS

15.11.14 | Rosa Silva ("Azoriana")

Só, na chuva que bem cai,
Com a tua companhia...
Digo-te, Virgem Maria,
Hoje o verso por ti vai...

Na lembrança tenho o pai,
Tenho a mãe que sempre via;
Ausentes da luz do dia,
Presentes no que me sai.

E tu, ó meu chão aguado,
Que cantas mesmo calado,
Onde o meu verso é gemido...

Ó minh'alma que na rima,
Chove em ode que dá estima
A quem vem ou foi sem ter ido.

Rosa Silva ("Azoriana")

"O Santo Nome de Deus em Vão". SOARES, Ana Rocha e Silva

15.11.14 | Rosa Silva ("Azoriana")

Um evento lindo para um livro, o primeiro! Gostei do livro e das palavras. Gostei de sentir a emoção feliz por vê-la, a autora, feliz, iluminando felicidade. Sei o que isso é. São momentos de cumplicidade. Feliz, também, é a leitura da obra literária. Parabéns à chefe, amiga e escritora que já conhecia antes e agora tive a prova. "O Santo Nome de Deus em vão" não foi em vão e mais virão.

O livro

Lar açoriano

13.11.14 | Rosa Silva ("Azoriana")

Longe vão os tempos, ou melhor, perto vêm as palavras que se diziam que “grão a grão enche a galinha o papo” para vos dar a conhecer a minha estranheza na avalanche de recintos e/ou lojas ao cuidado dos “novos” residentes de outra raça que não a portuguesa legítima, ou ainda, da açorianidade. Sim, porque somos viventes das ilhas dos Açores com tudo o que temos de melhor e soberano, ao longo de uma eternidade de sonhos e realidades. Mas, voltando aos entrementes, estava a escrever que achava estranho a ocupação por parte de gentes provenientes de outros lugares longínquos… os conhecidos chineses… Sim, conhecidos porque a cada passo, ou melhor, a cada rua citadina (ou quase) é notória a marca “made in China” e ficamos de olhos esbugalhados perante a imensidão de artigos postos à disposição das bolsas açorianas e das de quem passeia pela nossa sempre nobre e leal cidade.

Portanto, já não me faz maior estranheza a abertura de nova loja, aqui ou acolá, porque já me habituei ao proliferar desta nova aquisição. Se dá lucro, ou não, isso já não me diz respeito. Apenas chamo a atenção aos nossos ilustres residentes que observem o modo de trabalho dos novos residentes e apreciem a multiplicação do mercado chinês. Trabalham de sol-a-sol e o descanso não se fez para este povo que, digo eu, talvez já se tenha apercebido que também de festas e touradas, arraiais e comensais vivemos bem e damos fruto que baste (q.b.). Pena é que a conversão do escudo a euro tenha feito ruir tanta da alegria que se tinha e os rendimentos tenham caído em flecha pelas ruas da amargura.

Não vou adiantar mais texto sobre assuntos que nem têm retorno ou abono maior, exceto para quem dá duro para vender o produto que, mesmo que seja de uso curto, tem ganho e angariado território bastante. Pena que não sejamos nós os gloriosos mas sim meros perdedores de terreno e nobreza. Enfim, venha quem vier, que seja por bem e para bem da ilha, da Região e da Pátria!

Entretanto deixo um ar de minha escrita rimada que tem um pouco (ou não) a ver com o estado das coisas de ilhéu e com o gosto de ser ilhoa colada às tradições terceirenses/açorianas (aZorianas).

 

Açoriana com Z

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