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Açoriana - Azoriana - terceirense das rimas

Os escritos são laços que nos unem, na simplicidade do sonho... São momentos! - Rosa Silva (Azoriana). Criado a 09/04/2004. Angra do Heroísmo, ilha Terceira, Açores. A curiosidade aliada à necessidade criou o 1

Criações de Rosa Silva e outrem; listagem de títulos

Em Criações de Rosa Silva e outrem

Histórico de listagem de títulos,
de sonetos/sonetilhos
(940...pausa... 981)

Motivo para escrever:

Rimas são o meu solar
Com a bela estrela guia,
Minha onda a navegar
E parar eu não queria
O dia que as deixar
(Ninguém foge a esse dia)
Farão pois o meu lugar
Minha paz, minha alegria.

Rosa Silva ("Azoriana")

**********

Com os melhores agradecimentos pelas:

1. Entrevista a 2 de abril in "Kanal ilha 3"



2. Entrevista a 5 de dezembro in "Kanal das Doze"



3. Entrevista a 18 de novembro 2023 in "Kanal Açor"


**********

Inspiração do dia (2015/05/30 lembrando 2004/05/30)

30.05.15 | Rosa Silva ("Azoriana")

Que este seja considerado um sinal do amor de Matilde Rosa Cota Correia à Serreta, à Senhora dos Milagres, à família e, sobretudo, às filhas Rosa Maria Correia da Silva e Humberta Maria Correia da Silva.

Leia-se, por favor, o artigo publicado no blog da mesma autoria Azoriana.


Linda flor

 
INSPIRAÇÃO DO DIA

Se és santa minha mãe
Seja esta mais uma prova
Para quem te queria bem
Esta escrita não é nova.

Traz o amor à Serreta,
Traz o amor aos ilhéus,
Traz amor à terra preta,
E um milagre dos céus.

Meus versos são tuas flores
Que queres dar a Maria
Mãe dos queridos Açores
Mãe de tanta Romaria.

Meus versos têm leves cores
P'ra se ver com distinção
O maior dos teus valores
Teu AMOR e DEVOÇÃO.

Rosa Silva ("Azoriana")

in Serreta em rimas

Serreta em rimas (e cores) - 2015/05/30 a lembrar 2004/05/30

30.05.15 | Rosa Silva ("Azoriana")

PARTE I
1
Benzo-me p’ra começar
A ladainha dos versos;
Ao Sacrário vou rezar
P’ra que eles sejam diversos.
2
Pensando, na minha cama,
Já o sol ia bem alto,
Com um sonho pela rama,
À Serreta dei um salto.
3
E com o livro na mão
Do bom Pedro de Merelim
Deixei-me ir na descrição
Desde o começo ao fim.

4

”Um sorriso do Bom Deus
Alegrou torva paisagem”
Estes não são ditos meus
Mas senti-os na passagem.

5

Vivi lá minha infância
E também a juventude,
Garanto que a distância
Traz saudades amiúde.

6

Pese embora os nevoeiros
Que assombram a freguesia
’Inda se veem terreiros
Na melhor parte do dia.

7

E ao som das badaladas
Que reuniam as gentes
Muitas palmas foram dadas
Nas festas sempre presentes.

8

Paredes, de pedra solta,
Deram lugar ao cimento
Nas casas ali à volta
Há o capricho do momento.

9

Na fé e prosperidade
Assentou esta freguesia;
Era eu de tenra idade
Tive uma grande alegria.

10

George Pompidou passou
Numa grande caravana
A Estalagem o hospedou
Na triunfante semana.

11

Neste lugar pitoresco
Propício à solidão
Tranquilo e muito fresco
Fez da lenda devoção:

12

Um padre de muita idade
Fez na Canada das Vinhas
Nascer a solenidade
Por entre ervas daninhas.

13

Refugiou-se com a Imagem
Da Virgem Nossa Senhora;
Prestou sua vassalagem
Pelo milagre d’outrora.

14

Ao século dezasseis
Remonta tosca ermida
Mas com a força dos fiéis
Sua Igreja foi erguida.

15

Mas foi p’ras Doze Ribeiras
Que a Senhora foi levada
Sem padre e sem maneiras
Da capelinha foi retirada.

16

Foi na zona do Queimado
Bem pertinho do Farol
Que aquele ser exilado
Via a Virgem e o sol.

17

Naquele santo esconderijo
Onde a Virgem se aninhou
Trouxe a fé e o regozijo
A quem dela mais se abeirou.

18

E nas margens da ternura
E nas flores de Maria
Paraíso de verdura
Fez surgir a romaria.

19

Desde então idolatrada
Como Nobre Padroeira
Na Serreta deu entrada
Vai além da ilha inteira.

20

São Jorge era o Orago
Da Igreja que a resguardou
Para tantos o afago
E a quem votos lhe prestou.

21

”Irmandade dos Escravos”
Foi assim reconhecida
Nos seus votos foram bravos
A promessa foi cumprida.

22

Padre Silva Figueiredo
Livro da Irmandade lavrou,
Do voto não fez segredo
E tudo mais se registou.

23

De Curato a Freguesia
No reinado de D. Luís
A Igreja se concluía
Com D. Carlos mais feliz.

2

Luís quem governava
Os destinos da Nação
Na Serreta se cantava
Uma grata oração:

25

”Oh Glória da nossa terra
Que tens salvado mil vezes
Enquanto houver portugueses
Tu serás a salvação”.

26

E no último reinado
Entra o rei D. Manuel
Dom Carlos assassinado
Finda assim o seu papel.

27

Doze anos a construir
O Templo alicerçado
Para em Agosto abrir
Ao culto abençoado.

28

Das esmolas decorrentes
E das preces atendidas
A matriz do povo crente
Vê suas pedras benzidas.

29

De Angra vinham romeiros
Para a “Sintra terceirense”
Com amigos hospitaleiros
Na estadia serretense.

30

Continuavam amigos,
Por muitas e boas festas
E desde os tempos antigos
Há amizades como estas.

31

Um centro de veraneio,
Que acolhia os Angrenses,
Cediam-lhes, com asseio,
As casas e seus pertences.

32

Imenso bouquet de flores
Tinge o Pico da Serreta
Lindo jardim de amores
Num cenário vedeta.

33

Numa moldura de graça
Aquelas flores humanas
Que veem toiros na praça
Ao tom das festas profanas.

34

Variedade de tons
Num quadro surpreendente
A natureza tem dons
Que cativa toda a gente.

35

Século e meio já fez,
A subida a freguesia
Logo no primeiro mês
Do Curato então saía.

36

Mais antiga do torrão
É também a Filarmónica
Que enfeita a Procissão
Numa alegria histórica.

37

Igreja em Centenário
Agosto – dois mil e sete -
Subiu a Santuário
Muito mais se lhe promete.

38

Ó nossa Mãe tão querida
Rainha de Portugal
Amar-Te-ei toda a vida
E Teu Filho por igual.

39

Sua porta sempre aberta,
Para o povo peregrino;
Sua Graça nos desperta,
O amor pelo Divino.

40

Na moldura deste verso
Mudo agora de assento
Bendita Mãe do Universo
Vou seguir noutro momento.

PARTE II

41

No sopé da fina serra
Estendida aquém-mar
Fica um bom naco de terra
O mote deste rimar.

42

O teu toque matinal
Num oásis de chilreios
É um dom celestial
Que alegra os nossos meios.

43

És a doce freguesia
Do folar e da rosquilha
Pão alvo na flor do dia
Que chama o resto da ilha.

44

Princesa do noroeste
Sonhando com a cidade
Belo berço que me deste
P’ra cantar com mais saudade.

45

Serreta tão pequenina
E de encantos tamanhos
Em cada ponto ou colina
O fulgor dos teus desenhos.

46

Em frente à Casa maior
Que nada fará ruir
Faço vénias ao Senhor
P’ro meu canto descobrir.

47

Santuário da Serreta,
Onde brilha a Padroeira,
Em Setembro na praceta
Brilha de outra maneira.

48

É na sua Procissão
Pelos arcos coroada,
Que se cumpre a missão
Para que foi destinada.

49

Destinada para amar
E também p’ra ser amada,
Quando volta ao Altar
É, por todos, aclamada.

50

Pelo caminho que passa
Abençoa todo o Povo
Quando dá a volta à praça (*)
Seu rosto brilha de novo.

51

(*) A praça daquele Pico
Que dá feriado à ilha
Um postal que lhe dedico
Colorida maravilha.

52

Um sorriso p’ra ex-Escola
Outro p’ra Sociedade
E p’ra outra portinhola
Casa do Povo e Trindade.

53

Em Outubro, Escola fecha,
E vão p’ras Doze Ribeiras,
Ainda há quem se queixa,
E dá-lhe negras bandeiras.

54

O luto do coração
É o que mais ali se sente
Fecha-se mais um portão
Cada vez falta mais gente.

55

Trindade é na Despensa
P’ro pão, vinho ou Bazar:
Espírito Santo a crença
Que bendiz este lugar.

56

A Junta de Freguesia
De Bandeiras enfeitada
Mérito e honra no dia,
Da casa muito estimada.

57

Mas eu tenho cá p’ra mim
Que depois do belo Império
Lança sorrisos sem fim
Ao mar e ao cemitério.

58

Cemitério centenário
Já tem Casa Mortuária
Dois mil e treze, o cenário
Entra na rota diária.

59

E p’ra jamais esquecer
A estreia desse “salão”,
Logo uma flor viu morrer
Tanto se chorou então.
60

Quase dois meses se contavam,
Pela porta ter aberto
Tantas lágrimas brotavam
Pela vizinha de tão perto.
61

Mas quem na terra faz bem
A morte não tira nada
Foi p’ra junto da sua Mãe
Pois na terra somos nada.

62

Agora eu vou voltar
A sorrir para Maria
Enquanto puder rimar
Rimarei pelo seu dia.

63

O Sorriso de Maria
Encanta qualquer paisagem
E nas lágrimas do dia
Emoção e homenagem.

64

E na senda da lembrança
Faz-se outra caminhada
Recordando a Briança
E cantadores na estrada.

65

José Fagundes “Palhito”
Por ser de casta pequena
Na percussão favorito
E na rima que lhe acena.

66

Presente na cantoria
Do Pezinho, mais o Simões,
Na Briança que seguia
O ritmo das procissões.

67

À frente, vão enfeitados
Os bezerros das promessas
Atrás muito animados
Os cantadores sem pressas.

68

O Simões do Porto Judeu,
Dá um ar da sua graça
Esse dom que Deus lhe deu
Está na rima que abraça.

69

Um espírito que impera
Junto à maior divindade
A seguir à primavera
Vem a flor de caridade.

70

É assim que eu te vejo,
Freguesia dos meus avós,
Agora nasce o desejo
De selar os nossos nós.

71

Com nossa Banda tocando
Melodias de outrora
A natureza vibrando
Com gente que vem de fora.

72

Que passam pelo caminho
Não importa o transporte
Doze Ribeiras e Raminho
Ladeiam a nossa sorte.

73

Da Fajã até à Mata
E na Ponta do Farol
Verde e azul só desata
Se a nuvem cobre o sol.

74

É na Ponta do Queimado
Que se ergue o tal Farol
Deixa o mar iluminado
Na despedida do sol.

75

Lugar bom para pescar
Muito alto nestas bandas
Mas também pode matar,
Porque ali não te comandas.

76

De resto é o paraíso
Que reina em terra e mar
É de perder o juízo
Tanto, tanto recordar:

77

Fontenário da Mata
”O Velho” junto da Igreja
De outras bicas ando à cata
E mais chafarizes eu veja.

78

Do Alves como lhe chamam
Mais um da praça de touros
Do Gaiteiro e Negrão vinham
As águas dignas de louros.

79

Terreiro e nos Biscoitos
Vala, Canada das Lapas,
Chafarizes eram oito,
E outras torneiras captas.

80

Fonte na fenda de lava
- Dizem de água azeda -
À beira-mar se quedava
E perigosa se queda.

81

No mirante a Estalagem,
Lá no alto a Lagoínha
E p’ra quem vem de passagem
O Altar da Mãe Rainha.

82

E n’“Aldeia dos Macacos”,
Onde em julho há tourada,
Se alguém fica em cacos
É pela festa animada.

83

Gente amiga e ordeira
Que guardo no coração,
Um Cantinho da Terceira
Que merece esta ovação.

84

Importa ainda cantar
O povo da freguesia
Quem foi e quem quis ficar
No rasgo de cada dia.

85

A Serreta me desperta
Um sorriso de ouro fino
A saudade quando aperta,
Solto o verso peregrino.

86

Minha mãe quando me inspira
Sinto o amor da Serreta
P’la fé na Mãe não me admira
Que esse amor não derreta.

87

Dos Milagres conhecida
Sem pecado original
Louvo-A, ó Mãe querida,
Por todo este ideal.

88

E quando por lá passares
Podes tirar o teu chapéu
Brilham foguetes p’los ares
A honrar a Mãe do Céu.

89

Na verdade deste verso
Fecho agora o assunto
Bendita Mãe do Universo
Agradeço este conjunto.

PARTE III

90

Para quem vai à Serreta
Da frescura não desata
E onde quer que se meta
Acaba sempre na Mata.

91

À Mata vou de passeio
De encontro à natureza
O verde reveste o meio
O azul dá-lhe pureza.

92

É centro de veraneio
P’rós de cá e os d’além
De certeza tal passeio
Nunca faz mal a alguém.

93

Tanta gente ali passou
E levou-a na lembrança
E nos versos me inspirou
As raízes de criança.

94

O antigo fontenário
Não escapa aos olhares
Quando viras ao contrário
Tens o Raminho e Altares.

95

À frente casa de abrigo
Noutro tempo importante
Ao lado teto amigo,
P’ro momento repousante.

96

Baloiços e escorregas
P’ra gosto da pequenada
Ao prazer tu não te negas
Duma boa petiscada.

97

Coroadas de chilreios,
As folhas desta pureza,
Os sentidos ficam cheios
De cantares e da beleza.

98

Na ilha é um tesouro
O Farol lá bem na Ponta
Com vista do Miradouro
Que da terra ao mar aponta.

99

No nicho Nossa Senhora
Que protege o caminhante
Outra veio noutra hora
Trazida p’lo viajante.

100

Tosca Capela na Canada
Perto da rocha e do mar
Para as Doze foi levada
Para melhor se aclamar.

101

Duas ermidas e Igreja
Abaixo da atual,
São Jorge bem lhe deseja
Nas Doze, foi ideal.

102

Mas o sonho da Rainha
Nossa Mãe e Santa Virgem
Nesta tese que é minha
É voltar sempre à origem.

103

Façam vénias à Senhora,
Quando forem ao Raminho
Presente a qualquer hora
Nesse nicho do caminho.

104

Um adeus ao povo amigo
Que ama a Cantoria
É um cantar já antigo
Mas que tem sempre valia.

105

Quem dera que o Pavilhão
Da pequena freguesia
Fizessem folia então
Com cantares da alegria.

106

Cada cantador convidado
Com vontade, sem vaidade,
Como quando foi lançado
“Serreta na intimidade”

107

Um livro que é primogénito
Na escrita de rima sã
Ficou sendo benemérito
Da Estrela da manhã.

108

Luís Bretão apresentou,
Luís Nunes fez brilharete,
Liduino Borba muito ajudou
No içar deste foguete.

109

Um foguete de cultura,
Como tantos já tem dado;
Fagundes Duarte a ternura
No Prefácio doado.

110

Escrita de Victor Rui Dores
Veio da ilha do Faial
P’ra Terceira dos Açores
Ter no livro bom final.

111

A Serreta ainda merece
Tudo isto e muito mais
Dela a gente não esquece
Basta olhar os postais.

112

Desde o mar até à serra
Há uma valsa de cores
Para embelezar a terra
E livrá-la de mais dores.

113

Tanta gente que visita
A freguesia milagrosa
Sobretudo quem acredita
Na Santinha tão formosa.

114

Se a olhares de lado
Conforme o teu parecer,
Verás um choro quebrado
Noutro alegria de te ver.

115

E nas flores de Maria
Que também servem a Coroa
Há a alva alegria
Do perdão que nos ressoa.

116

Duas do Espírito Santo
São Coroas com tradição,
Uma dá ouro ao canto
Outra canta a devoção.

117

Quem já partiu me dizia
Que elas tinham sua zona
P’ra cada lado da freguesia
Cada uma tinha “dona”.

118

Isso hoje não se opera
Julgo eu foi esquecido;
Interessa é quem a espera
Tenha pelouro merecido.

119

As inocentes crianças
Merecem ser coroadas
Com graça e esperanças
De alvura enfeitadas.

120

Ó Serreta és tão bonita
Inspiras o meu cantar
Neste abraço, acredita,
Meu amor te quero dar!

PARTE IV

Serreta, estrelinha

121

A Serreta é marcante
Para todo o caminhante
Que por lá passou ou passa.
Fica na recordação
A boa aceitação
Da Virgem Cheia de Graça.

122

Dr. Francisco Oliveira
Das Fontinhas, da Terceira,
Registou prosa poética
Logo a seguir ao primeiro
Dia do mês de Janeiro
Ano dois mil, com ética.

123

Seguiu com olhar atento,
Todo o bom envolvimento
Que rege uma romaria;
Desde os tempos mais antigos
Faziam-se grandes amigos
No rumo à freguesia.

124

Era tamanha a alegria
Que ali se aprendia
Deixando uma saudade;
Era doce a juventude
Que repleta de virtude
Plantava sua amizade.

125

As carroças noutra altura,
Numa viagem segura,
Ornavam o ar de festa;
De cantigas enfeitadas,
Tingidas pelas toadas,
Que um sorriso apresta.

126

Meu Deus, como é bom lembrar,
Os poderes daquele Altar,
Que atrai um mar de gente;
Romeiros da alvorada
Faziam a caminhada
Da promessa repetente.

127

Tomavam a refeição
Num ponto de eleição
Para forças recuperar:
São Carlos foi a primeira
Que o Dr. Oliveira
Resolveu retemperar.

128

Outrora os viajantes
Na coragem dos semblantes,
Tinham pontos de paragem:
Era a massa sovada
Vinho e festa animada
Que sortia a viagem.

129

O pico e sua praça
Que perfuma quem lá passa,
É centro de atenções;
Lembrava lápis de cores
Nos verdes ramos pintores
D'alegres recordações.

130

O povo de toda a ilha
Que a romagem partilha
Nunca mais dela olvida
Se junta a devoção
E ventila a oração
Tem ali santa guarida.

131

Sábado da Tradição,
Domingo da Procissão
Ao crente a alma inflama;
O sorriso da Senhora
Já vem dos tempos d'outrora
E para quem muito a ama.

132

Dos Milagres, a Rainha
Da Serreta, do «estrelinha»
Que na encosta da serra
Faz o ninho florestal
E atrai mais pessoal
À beleza que encerra.

133

Há quem ainda não viu
Esse pássaro sadio
Pelos ares da natureza;
É pequeno nesse maciço
De verdura ao serviço
Desse padrão de beleza.

134

Terreiro do Azevinhal,
Pico do Negrão central
E o Pico da Lagoínha,
São terceto deslumbrante
Para qualquer visitante
Cuja volta se adivinha.

135

Julgo que o Cedro do Mato,
Fica bem neste retrato,
De verde a perder de vista;
Fetos, Tamujo e Louro,
Folhado, Negrito são ouro,
Numa capa de revista.

136

Quem nos conta tudo isto,
Merece de Jesus Cristo,
Cristalina recompensa;
Nasci lá e nunca fui
Ao altar que em campo flui
Numa verdura imensa.

137

Sonho com a Lagoínha
Num dia de manhãzinha
Com a aurora a crescer;
O trilho sendo rupestre,
Íngreme encosta terrestre,
Gostava de conhecer.

138

Urge guardar pensamento,
Que dedico ao povo atento
À lendária ravina:
Tromba-d’água a cavou
E seus pés a Mãe lavou
Na contemplação divina.

139

A água além ficou
E também não transbordou
Embelezando o local:
O «estrelinha» é residente
Que ali vive contente
Cantando seu ideal.

140

Dr. Francisco Oliveira
Se estiver na Terceira
E voltar àquele encanto...
Pergunte então por mim
Para que no seu jardim
Preserve as rimas que canto.

141

Canto à Virgem Maria,
Que a seguir ao seu dia
Tem brava Segunda-feira;
Ela gosta de Tourada
Com a praça adornada
Da folga da ilha inteira.

142

E nasceu o novo plano,
Santuário Mariano,
D'Imagem original;
É centro de santidade
Do emigrante saudade
Quando dali natural.

143

Serreta, terra de encanto,
E dela gostamos tanto,
Mesmo antes do que lembro;
Todo aquele que é natural
Honra o santo portal
Na dezena de Setembro.

144

Avé, ó Cheia de Graça,
Livrai-nos da ameaça
E dos perigos mundanos;
Abençoa os pecadores
Que no auge de suas dores
Se rendem aos santos planos.

145

Ó Santa Virgem Maria
És a Mãe da Romaria,
És amparo das nações,
És a Mãe do Sacramento,
Da Serreta e do talento
Que povoa os corações.
És rainha imaculada
De Jesus, Mãe adorada
O Mistério universal
És uma flor dos Açores
És a fonte de valores
Rainha de Portugal.

Rosa Silva ("Azoriana")

 

Nota: Escrito em diferentes datas mas publicado a 30/05/2015, o dia que faz onze (11) anos da Coroação da minha irmã Humberta Maria Correia da Silva. Que este escrito seja pela alma da nossa mãe que queria uma Briança na Função de 30/05/2004, quando já era falecida (28/10/2003).

Que este seja considerado um sinal do seu amor à Serreta, à Senhora dos Milagres, à família e, sobretudo, às filhas Rosa Maria Correia da Silva e Humberta Maria Correia da Silva.

 

INSPIRAÇÃO DO DIA

Se és santa minha mãe
Seja esta mais uma prova
Para quem te queria bem
Esta escrita não é nova.

Traz o amor à Serreta,
Traz o amor aos ilhéus,
Traz amor à terra preta,
E um milagre dos céus.

Meus versos são tuas flores
Que queres dar a Maria
Mãe dos queridos Açores
Mãe de tanta Romaria.

Meus versos têm leves cores
P'ra se ver com distinção
O maior dos teus valores
Teu AMOR e DEVOÇÃO.

Rosa Silva ("Azoriana")

Modesto CA. José Ávila, Diniz Borges em "Maré Cheia", por Hernâni Candeias

29.05.15 | Rosa Silva ("Azoriana")

Tribuna Portuguesa_15_06_2015_Mare_Cheia

Clique na imagem para ampliar e ler

Fonte: Tribuna Portuguesa. Modesto CA.

 

Bem-haja a todos os que recordam quem deu tanto de si para o seu próximo em poemas manuscritos e declamados duma forma única e sonante...

A morte é triste mas a morte dos poetas deixa-nos reler o que de bom eles tinham: a poesia! Bem-haja a quem deixa viver a poesia feita com alma e coração!

Ao Pipoca (na sua feição toda)

29.05.15 | Rosa Silva ("Azoriana")

O Pipoca

Com essa tua alegria
Como que me abraçando
Parece que por esta via
A saudade vou matando.

Seja de noite ou de dia
Saudades vão delirando
À espera que a companhia
Chegue depressa mas quando?!

Três filhos Deus me doou
Para criar com algum jeito
Mesmo que tenha defeito.

O sonho se realizou
E os três são uns amores
Da mãe e dos seus Açores.

Rosa Silva ("Azoriana")
2015/05/29

Terceirense das rimas - o novo cabeçalho do blogue

28.05.15 | Rosa Silva ("Azoriana")

O nome que me foi dado
Quando vim a este mundo
De Rosa ele foi bordado;
Singela dura um segundo
Mas se tivermos cuidado
Seu perfume é profundo.

De verde me adornei
Talvez seja como os olhos
O verde sempre avistei
Em minha casa aos molhos
Nesse clube já não sei
Se guarnecerei de folhos.

As rosas são belas flores
Mas não tive tal beleza
Sorte tive em ver as cores
Que nos dá a natureza
Sou feliz pelos Açores
Que de rosas tem riqueza.

Venha daí um sorriso
Pode ser leve e suave...
Apenas o que preciso
É voar como uma ave
Nas rimas do improviso
Que no cimo tem a chave.

Rosa Silva ("Azoriana")

Ainda sobre o Dia da Região Açores 2015

28.05.15 | Rosa Silva ("Azoriana")

Dia da Região Açores 2015
25 de maio
Dia da Região Açores 2015


Alvo-marinho o cenário,
Nobre e ilustre o Dia,
Lajes das Flores campanário
De numerosa companhia.

Lindos e brandos discursos
Flores em cada ovação
Distinguidos os percursos
De quem ama a Região.

Frescas e belas Bandeiras,
Prosa de luxo e estima;
Apaixonantes roseiras
Que vos ofereço em rima.

Louvo todos os que falaram
E louvo quem recebeu
Insígnias que persignaram
O amor ao que é seu.

Açores, nove marés
Beijando o rosto do cais...
Desde a proa ao convés
Zelam por valores iguais.

A seguir, em pedestal,
Um de dois belos ofícios:
Um discurso triunfal
De quem nos deu bons princípios.

Rosa Silva (“Azoriana”)



************

E não me canso de ler esta maravilha que transcrevo, na íntegra, da fonte in ALRAA



Discurso de Sua Excelência a Presidente da
Assembleia Legislativa da RAA,
Ana Luísa Luís,
na Sessão Solene Comemorativa do
Dia da Região 2015



Açorianas e açorianos, Hoje é dia de Festa!

É dia de celebrar a nossa Região e as nossas gentes.

É dia de partilhar, sob a égide do Divino Espírito Santo, o pão e o vinho, as alegrias e as amarguras, a força e as tormentas.

É desta fibra que somos feitos, é esta coragem que nos faz avançar, é este mar e é esta bruma que nos caracterizam enquanto açorianos.

Muito obrigada a todos pela vossa presença e um agradecimento especial à Vila das Lajes das Flores - em festejos duplos que contemplam os seus quinhentos anos de existência; parabéns! -, e aos florentinos, que acolheram este Dia da Região de forma tão calorosa.

Esta ilha, com a Fajã Grande e o ilhéu Monchique junto de si - ponto mais ocidental da Europa -, onde muitas vezes se vive a insularidade dentro da insularidade, onde os verdes são mais verdes e a paisagem deslumbrante nos transporta a uma quietude difícil de encontrar noutras paragens, deu aos Açores e ao país nomes de vulto na literatura.

Roberto de Mesquita, poeta simbolista, que Vitorino Nemésio considerou o poeta das ilhas, por trazer uma ilha dentro de si, foi um desses nomes, expoente da expressão do microcosmos insular, na atitude de exílio, na metaforização do tema, na vivência do isolamento, no sentimento de abandono.

Neste Dia dos Açores, na açorianidade do século XXI, é portanto, indesviável uma referência em jeito de homenagem a dois poetas da ilha – Roberto de Mesquita e Pedro da Silveira –, porque são os poetas obreiros profundos do sentimento da açorianidade, também celebrada nesta Segunda Feira do Espírito Santo.

Pedro da Silveira, na sua fidelidade poética à ilha, na sua abertura a novos espaços, nas suas pesquisas temáticas, na sua inquietação ávida de saber, revelou igualmente muito da diversidade conformada de sentimentos que podem congregar-se no conceito de açorianidade.

Pedro da Silveira saiu da ilha mas nunca perdeu a ilha dentro de si e o regresso era uma constante na sua poesia. Dizia o poeta:

“Aqui, longe,
num café de Lisboa,
quase à beira do Tejo turvo das fragatas,
a olhar um paquete que vai na direcção da barra, subitamente é como se eu também partisse.
E só de pensar-me partindo embarco e, deslumbrado, imagino-me chegado às ilhas.”

Quantos de nós já não vivemos este eterno sentimento de regresso, mesmo quando a vida que percorremos nos coloca nos antípodas dessa realidade?

Estou certa de que todos os açorianos que, por imperativos da vida, procuraram noutras paragens trabalho, realização pessoal ou aventura permanecem, em mente e coração, na terra que os viu partir.

A todos os que sentem e vibram com os Açores, nos quatro cantos do mundo, do Uruguai ao Brasil, dos Estados Unidos ao Canadá, e na Bermuda, uma palavra de reconhecimento e de agradecimento por manterem viva a cultura, a tradição e os saberes açorianos, pela capacidade de transmitirem às novas gerações o conceito de açorianidade e por continuarem, mesmo longe, a contribuir ativamente para a promoção dos Açores.

Convosco, continuaremos a ter voz em terras longínquas e a engrandecer a nossa Região.

Na comunhão entre o Espírito Santo e a Autonomia, hoje homenageamos os que pela sua intervenção pública e cívica, também ajudaram na construção dos Açores, prestando o devido tributo àqueles que já não se encontram entre nós. Na política ou na cultura, com a sua participação social ou profissional, os agraciados de hoje contribuem para o crescimento e desenvolvimento da nossa Região, sendo um exemplo de cidadania ativa.

E por isso é também nosso dever agradecer-vos, desejando que o vosso exemplo seja continuamente replicado por outros que também se revêm na vossa ação.

Açorianas e Açorianos, Hoje é dia de Festa!

A nossa Região, Autónoma por direito constitucional, celebra hoje mais um dia politicamente escolhido como símbolo da nossa identidade cultural e social, de fé e de partilha.

O sonho da primeira geração de autonomistas açorianos concretizou-se, efetivamente, no modelo de autogoverno (e não de simples administração) político, legislativo e financeiro que a Constituinte abraçou e que as sete revisões constitucionais que se seguiram confirmaram.

Estamos, assim, perante duas condições que consolidaram a autonomia: o quadro constitucional/legislativo do Estado e a vontade de um povo, percursor dos ideais autonomistas e da defesa da livre administração dos Açores pelos açorianos, como refere o preâmbulo do nosso Estatuto Político Administrativo.

É tempo, portanto, de celebrarmos e lembrarmos os que abriram o caminho, os que ousaram sonhar com a Autonomia dos Açores e os que ajudaram a sua construção, nos órgãos de governo próprio, ou nas instituições – e saliento entre as demais a Universidade e a RTP Açores, em festa de quatro décadas, como marcos diários na estrutura que tornou mais visível a projeção dos Açores no mundo e a chegada mais célere do mundo aos Açores.

É tempo de honrar, pois, os que com o seu trabalho, esforço e sacrifício, muitas vezes pessoal, desenharam os traços do edifício autonómico que hoje conhecemos.

É igualmente tempo de agradecer aos que ainda estão connosco e recordarmos os que já partiram, mas que, estou certa, estão também hoje connosco celebrando o Divino Espírito Santo. Uma referência sentida ao mais recente desaparecimento de um ativo colaborador da Autonomia constitucional que desempenhou os mais altos cargos desta Região: Alberto Romão Madruga da Costa.

Açorianas e Açorianos, Hoje é Dia de Festa!

A única festa que é de todas as nove ilhas, irmanadas com as décimas dispersas pelo mundo.

Hoje celebramos a nossa unidade e a nossa coesão.

Hoje é o dia dos Açores: nove partes que são uma só, nove ilhas ligadas por este imenso mar que nos envolve, nove identidades, nove paisagens, nove estrelas que guiam os Açores!

Em comunhão, pela nossa autonomia, como dizia a brilhante Natália Correia na letra que deu cor ao hino dos Açores.

Não existe floresta sem cada uma das suas árvores, pelo que devemos fazer das nossas diferenças e particularidades o fio condutor para um desenvolvimento harmonioso, que contribua para o efetivo progresso da nossa Região.

Respeitando a pluralidade e a diferença, é imperativo que se continue a falar a uma só voz, como o fizemos no passado, na defesa da terceira revisão do Estatuto Político Administrativo, da Lei de Finanças Regionais e em muitas outras matérias.

Como, estou certa, continuaremos a fazer quando estiverem em causa os princípios autonómicos que nos regem, perante pensamentos e posturas centralistas que não compreendem, ou não querem compreender, as singularidades da nossa existência e os custos inerentes à nossa insularidade.

Os Açores, na aproximação dos seus 40 anos de autonomia, enfrentam hoje desafios diferentes mas não menos importantes.

A consolidação democrática e, simultaneamente, o aprofundamento autonómico, colocam os Açores, mesmo com a sua ultraperiferia, insularidade e escassez territorial, no mundo global onde pontuam os centros de debate nacional e europeu, onde se forma a opinião pública e onde se toma a decisão política.

A nossa Região deve estar preparada, na evolução presente, para as mudanças que se aproximam e para empreender uma intervenção pública nas matérias relacionadas com o ambiente e o mar.

A extensão de mar dos Açores coloca-nos numa posição privilegiada, perante aqueles que debatem as potencialidades de uma área ainda hoje pouco conhecida.

São estas riquezas do Atlântico profundo que teremos de saber salvaguardar redimensionando, assim, a nossa posição estratégica no país e na Europa.

Hoje, mais do que nunca, é importante estarmos atentos e vigilantes para que possamos integrar a modernidade, a inovação e proporcionar à agricultura, à pesca, à indústria e ao turismo o profissionalismo e a qualidade que as conduzam a um futuro promissor.

A nossa sociedade transformou-se e se estamos no centro do mundo, devido às novas tecnologias de informação, também é certo que estes meios devem dar-nos a capacidade de fixarmos ativos nas nossas ilhas, de permitir que os nossos jovens regressem às suas origens, rejuvenescendo assim a população e firmando as nossas perspetivas de futuro.

Açorianas e Açorianos, Hoje é Dia de Festa!

E que feliz foi o legislador ao fazer coincidir o Dia dos Açores com a Segunda Feira do Espírito Santo!

Porque a essência da nossa vida é intrínseca à fé que nos move e aos ensinamentos deste Dia Maior: paz, solidariedade e partilha.

Com coragem e trabalho construímos uma nova história que as gerações vindouras, por lhes correrem nas veias a açorianidade, irão reinventar sempre com o respeito pela memória do passado.

É imperioso, nos tempos difíceis que atravessamos, saber olhar para aqueles que mais sofrem, para aqueles que deixaram de acreditar, para aqueles que já não têm esperança.

E esses cidadãos que vivem um período de sérios desafios e de algum desencanto que a crise económica faz alastrar, não podem baixar os braços nem optar por um certo afastamento do representante que elegeram, com a demissão do seu dever, optando pela abstenção.

É na livre escolha e na manifestação inalienável das nossas opções que a democracia ganha raízes tais que não há perigo que a estremeça. É na aproximação de dois sentidos, entre eleitores e eleitos, que se consegue trabalhar em conjunto para o progresso da nossa terra.

Os eleitos estão em cada uma das ilhas a trabalhar com esse sentido e para atingir esse objetivo. Reconheçam-nos e formem com eles uma parceria de interesse: o interesse superior da nossa terra merece a união, na diferença, entre todos nós.

Façamos como Medeiros Ferreira, que apreciava nascer todos os dias e dizia gostar das pessoas que sabem ressuscitar, no sentido vivencial da expressão.

Podemos e devemos, nesta segunda feira do Espírito Santo, tão sagrada para a nossa História, ressuscitar de indiferenças e de antagonismos estéreis e agrupar as nossas forças e a nossa vontade de partilhar, no bem, a nossa terra.

Os eleitos hoje, mais do que nunca, têm de colocar a Autonomia e os instrumentos fiscais e jurídicos que a Autonomia lhes concedeu ao serviço da comunidade.

Que a responsabilidade que nos foi conferida, pelo voto do povo, nos faça estar cada vez mais próximos do outro, a ouvir cada vez mais os agentes ativos da nossa sociedade. Só assim é possível avaliar e decidir corretamente, só assim é possível cumprir o desígnio de ir ao encontro das expectativas de quem nos confiou o seu futuro.

Só assim, com humildade e sentido de serviço, será possível realizar o propósito para o qual fomos eleitos.

Que o Espírito Santo nos ilumine e nos dê clarividência para continuarmos a apoiar todos: idosos, jovens, empresas, trabalhadores.

Não há, nem deve haver, compartimentos estanques entre o direito e o dever da intervenção cívica e política. Somos um só povo, com uma só História e uma geografia que nos identifica. Saibamos honrar esta força e esta beleza!

Açorianas e Açorianos, do Corvo a Santa Maria, nascidos ou de coração, residentes ou espalhados pelo Mundo,

Hoje é dia de Festa! Hoje é o nosso Dia!

Disse.

Lajes da Flores, 25 de maio de 2015

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