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Açoriana - Azoriana - terceirense das rimas

Os escritos são laços que nos unem, na simplicidade do sonho... São momentos! - Rosa Silva (Azoriana). Criado a 09/04/2004. Angra do Heroísmo, ilha Terceira, Açores. A curiosidade aliada à necessidade criou o 1

Criações de Rosa Silva e outrem; listagem de títulos

Em Criações de Rosa Silva e outrem

Histórico de listagem de títulos,
de sonetos/sonetilhos
(940...pausa... 981)

Motivo para escrever:

Rimas são o meu solar
Com a bela estrela guia,
Minha onda a navegar
E parar eu não queria
O dia que as deixar
(Ninguém foge a esse dia)
Farão pois o meu lugar
Minha paz, minha alegria.

Rosa Silva ("Azoriana")

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Com os melhores agradecimentos pelas:

1. Entrevista a 2 de abril in "Kanal ilha 3"



2. Entrevista a 5 de dezembro in "Kanal das Doze"



3. Entrevista a 18 de novembro 2023 in "Kanal Açor"


**********

Segunda-feira de São Carlos 2015

28.09.15 | Rosa Silva ("Azoriana")

Tenho a terra lavrada
Com ajuda de alguém
Hoje nem estou cansada
Fazer muito não convém
Temos tarde de tourada
O resto virá por bem.

Ontem passeei na ilha
Terceira de Jesus Cristo
Foi mesmo uma maravilha
Afinal eu gosto disto
Um casal fez a partilha
De um almoço que registo.

Foi na Quinta dos Açores
Um almoço ajantarado
Até fiquei com calores
Mas andei por todo o lado
Na Praia rimei amores
No facho de braço dado.

Nossa ilha é tão bonita
Depois de estar na clausura
A paisagem é favorita
Misturando com doçura
Em cada canto, acredita,
Há pezinho de Cultura.

Que não seja publicidade
Isto que escrevo aqui
É uma forma de amizade
Que relato do que vi
E também da caridade
E do gosto que senti.

Hoje apetece rimar
A lava vem de seguida
É como a onda do mar
No rochedo sempre erguida
Só falta mesmo é cantar
O que sinto p’la cantiga.

Elas caem uma-a-uma
As cantigas que escrevo
Se não tem graça alguma
A mais eu até nem devo
Mas que sejam como pluma
Ou semente do meu trevo.

Eu sinto tanto encanto
Pela nossa Região
Nossa ilha é um espanto
No que toca à tradição
Cada vez que eu a canto,
Na escrita, dá paixão.

Mas não posso mais maçar
Quem isto está a ler
Nem gosto de atiçar
O que não me possa ver
Cada um no seu lugar
Há de a Rosa entender.

Para terminar em par
As sextilhas que urdi
Vem esta pra completar
O ramalhete que escrevi
E a todos saudar
Mesmo sem serem daqui.

2015/09/28 (tarde da Tourada de S. Carlos)
Rosa Silva (“Azoriana”)

Praia da Terceira (inédito)

27.09.15 | Rosa Silva ("Azoriana")

A baía é um abraço
Da Praia a quem visita
Um oásis no regaço
E cada vez mais bonita.

Uma visita fez à Praia
Fonseca e D. Guiomar
Que mais visitas atraia
O amor ao nosso mar.

Este mar que aconchega
A maré da amizade
Para mim é uma achega
Para quem vem à cidade.

Ó Praia de Santa Cruz
De valores sem igual
És da ilha de Jesus
És facho de Portugal.

Rosa Silva ("Azoriana")

São Carlos 2015 - Pézinho de Luís Bretão - 24 de setembro

27.09.15 | Rosa Silva ("Azoriana")

A “catedral dos cantadores”

Pezinho de Luís Bretão em memória de Marcelino Gaspar, falecido em junho de 2015.


Foi com grande emoção que Luís Bretão falou do seu braço direito, o grande amigo Marcelino Gaspar, que durante dezasseis anos o ajudou na organização do seu Pezinho, principalmente na parte que diz respeito aos “sacos de Luís Bretão”, oferta que não pode faltar como forma de presente aos cantadores que cantam uma (ou duas quadras) na moda do Pezinho, no seu Museu, ou como o próprio disse desta vez, a catedral dos cantadores.

É, para mim, uma honra também responder ao convite que o amigo Luís Bretão me faz desde que encetei conversa telefónica com ele, no ano de 2008, fez agora sete anos.

Nesta quinta-feira de setembro, dia 24, estava ladeado na sua mesa de honra, por José Fonseca de Sousa, amigo dos Açores e vindo do Continente propositadamente para estar com Luís Bretão e família no Pezinho que junta um número extraordinário de amigos ou outros convivas que encontram a porta sempre aberta a convidar à entrada, e, do outro lado, estava Roberto Gaspar, em representação do falecido pai - Marcelino Gaspar (uma pessoa fantástica, disse Luís Bretão a todos).

Este foi, sem dúvida alguma, um Pezinho para ser registado na história da Festa do Império de São Carlos, na memória coletiva e no coração de todos os presentes no Museu de Luís Bretão que esteve à cunha, para confraternização e audição do discurso do próprio e das cantigas de um grande punhado de cantadores e tocadores, bem como da Filarmónica que acompanhava o grupo.

Passo a dar-vos, agora, um relato escrito das cantigas que foram tecidas durante a presença dos cantadores, quer integrados no Pezinho da Festa, quer convidados e amigos de Luís Bretão. Todos são bem-vindos! Peço desculpa se alguma das quadras seguintes não estiver conforme o que foi cantado e isso só se deverá a não ter percebido bem o verso ou palavra. Vou ser o mais fiel possível à audição da gravação que foi feita, tanto por Fernando Pereira como por Hildeberto Franco. O primeiro é assíduo a este evento, e o segundo penso que terá sido a estreia. A rádio “Voz dos Açores” também se fez representar com Ildeberto Rocha.

“É muito bom ter amigos. A todos, obrigado pela vossa amizade! Muito obrigado”, disse Luís Bretão.

Cantadores por ordem de atuação e com a fita de recordação do Pezinho (Bruno Oliveira e Valentim Aguiar foram estreantes):

António Mota

E como é natural
As minhas cantigas vão
Desta vez na catedral
Da Casa do Luís Bretão.

José Eliseu

Por tudo o que eu já senti
E as minhas memórias consulto
Cantarmos Pezinho aqui
É quase um momento de culto.

Ludgero Vieira

Agora um brinde eu proponho,
Acreditem que é verdade,
Se a amizade é um sonho
Tu tornaste-a realidade.

Valentim Aguiar

É ao Divino Espírito Santo
Esteja no teu coração
E por ser a primeira vez que canto
Na Casa do Luís Bretão.

John Branco

Canto a Luísa e Luís Bretão
E ao Duarte com amizade,
Porque formam uma união
Como a Santíssima Trindade.

José Fernando

Do céu tu recebeste a graça,
O alívio prás tuas dores;
Que o Divino te faça
O que fazes p’los cantadores.

Marcelo Dias

Cantar em Casa do Luís Bretão
É sempre o nosso destino,
Mas cada quadra seja uma oração
Por alma do Marcelino.

Paulo José Lima

O Pezinho do Luís Bretão
É um historial de coisas antigas,
Um arraial de tradição,
Um solar para as cantigas.

Liduíno Borba

Boa noite meus senhores
E a todos que aqui estão,
O dia de alguns cantadores
Da segunda divisão.

Fábio Ourique

O Luís é pessoa pura,
Homem de bom coração,
Quando se fala em Cultura
Fala-se em Luís Bretão.

Rosa Silva

Que o meu verso seja um hino
Ao amigo Luís Bretão,
E em memória de Marcelino
Que tanto lhe deitou a mão.

Bruno Oliveira

E o Luís é homem forte,
Amante da Cantoria,
E se eu mandasse na morte
O Luís nunca morria.

Eduíno Ornelas

Pedi a S. Francisco Xavier
Na viagem me botasse a mão
Pra ver teu filho e a tua mulher
E cantar para ti Luís Bretão.

Roberto Toledo

Saúdo neste serão,
Saúdo com doçura,
Saúdo o Luís Bretão
Que é o rei da Cultura.

João Leonel

Tu és arado que lavras,
És vaga que tem marés;
Quem me dera tem palavras
Pra descrever tu quem és.

João Ângelo

A Casa do Senhor Bretão
Com o enchente que aqui está
Parece na Base um avião
Que veio da América ou Canadá.

Aplausos finais.
Até para o ano se Deus quiser!

Rosa Silva ("Azoriana")

Outros instantâneos do dia 25 de setembro

25.09.15 | Rosa Silva ("Azoriana")

Por amizade

Cumprimento o meu amigo
Que já está no seu cantinho
Só resta dizer que o sigo
Com elevado carinho.

À vista daquele Coreto
Fiquei na mira da gente
Sei agora onde me meto
Na Festa daqui pra frente.

Junto com três elementos
Quatro na totalidade
Teremos de ter proventos
Pra maior festividade.

Doravante publicidade
Não falte e quanta queira
Pois o mote da saudade
Há de encher nossa Terceira.

Podem vir “filhos” da terra
Que aqui tiveram luz
No vale da pequena serra
Desta ilha de Jesus.

O que agora me compete
É pedir quem nos ajuda?
Nesta hora se remete
Um pedido que nos acuda.

Sempre que alguém quiser
Enviar seu contributo
Tenha em mira esta mulher
Grão-a-grão venha seu fruto.

A família emigrante
Da Serreta freguesia
Mesmo estando distante
Tem amor e a mais-valia.

Sóis nosso elo bendito
Bendita a Virgem Maria
Quero o seu largo bonito
Como bonito é seu dia.

Setembro dois mil e seis
Começa a partir de agora
Sejam pobres ou sejam reis
Vossa graça nos decora.

UMA BÊNÇÃO

Quantas flores abençoadas
São pétalas de oração
Suas cores espalhadas
Adornam a Procissão.

Quantas mãos são calejadas
Em girassóis do Verão
P’los vizinhos partilhadas
No alindar deste chão.

Toda a gente ou quase toda
Se apresta, que bem lembro,
Na Festa que é de setembro.

Todos saem para a boda
Que de flores continua
A ser a bênção da rua.

Nossa Senhora dos Milagres da Serreta

Tu vieste ó Mãe clemente
Por terrenos sossegados
Até chegares ao poente
Chilreios esvoaçados.

Depois viste tanta gente
Com os pés tão calejados,
Por rumar a ocidente
Pelos Teus dotes sagrados.

É por Ti, doce Maria,
É por Teu imenso Amor
Que Te canto este louvor.

Ajuda-me e dá a guia
A toda a Humanidade
Prá visita da Saudade!

Artesão

De vimes secos fizeste
A cesta para o trabalho
E agora até me deste
Palavras para o que talho.

Talho versos enlaçados
Como enlaçavas o vime
Em serões que foram fados
Só pra quem o fado estime.

Agora vivo lembrando
Passagens de outras eras
Que meu pai me foi legando
Em cestinhos de quimeras.

Não aprendi seu ofício
Que levava a preceito
Mesmo tendo sacrifício
Era feito com seu jeito.

O Pão

É farinha, é fermento
E tantos nomes lhe dão
Canto o feliz alimento
Que baila de mão-em-mão.

É de água, papo-seco
Ou carcaça, ou de leite,
Só não consta do livreco
Pão com bolor por enfeite.

Massa doce, bem sovada,
Massa sovada popular
A rosquilha arredondada
É de igual paladar.

Pão de véspera, dormido,
Pão de sol, sabe a aurora,
Que graça eu ter comido
Ázimo que não como agora.

Vem o pão da padaria
Não do forno entre o lar
Ai que bom que me sabia
Ele saindo a escaldar.

Pão da alma e da vida,
Pão de Cristo Redentor;
Pão numa mesa sofrida
Sabe a pouco e tem valor.

Pão dos Homens, Pão de Deus,
E da pobre criatura;
Pão que se dá “Pamordês”
Tem sempre graça futura.

Pão do sonho, pão talhado
Com a forma do talento,
É no mundo admirado
É do povo o sustento.

Se não fosse o nosso chão
Que ao trigo deu franquia
Hoje a nossa Região
Ter mais pão até podia.

Mas o trigo importado
Cai na saca que tem fundo:
Pra muitos ele é sagrado
Para outros vagabundo.

Repara bem se puderes
Tu que tens bom pão na mesa
Reparte só quando deres
O pão à nossa pobreza.

Há o pão que não tem dono
Fica sempre “ao deus dará”;
Há quem o faz quando o sono
É de outros que não estão lá.

“Coma bem, viva melhor”
É um lema que eu sei;
A parte sempre maior
É Pão, cereal de lei.

Quem sabe talhar o pão
É feliz, eu sei que sim,
Põe na mesa, à refeição,
Pão nosso é um festim.

Rosa Silva ("Azoriana")

P.S. Artigo relacionado

Apontamento pessoal sobre as Festas (de âmbito civil ou profano) da freguesia da Serreta

22.09.15 | Rosa Silva ("Azoriana")

É costume ouvir dizer, sempre que se fazem peditórios para a Festa da Serreta, que se realiza na segunda semana de setembro de cada ano, que o Santuário é “rico”, que tem dinheiro para fazer as festas de âmbito civil ou profano e podia dar um grande quinhão para todos os dias da festa noturna. E porque não o tem feito ou faz?! Espero um milagre!

Se o faz com algum “donativo” é se tem ordem superior ou vontade de quem comanda os destinos das promessas. Cada pessoa que dá ouro em brincos, anéis, etc e dinheiro em numerário ou outro tipo de valores é porque passou por grande desgraça e se despoja dos bens materiais como forma de agradecimento a Nossa Senhora dos Milagres pela graça obtida. Usar esse dinheiro para a festa profana é como que fazer daquela ação um divertimento, que o próprio peregrino não tinha essa intenção. Penso que o pagador da promessa não irá ficar satisfeito de ver a sua oferta por outros caminhos. Enfim, a Festa da Serreta propriamente dita realiza-se de sábado a quarta-feira, conforme a tradição. A exceção tem acontecido na quinta-feira com uma vacada que alguém resolva patrocinar.

Deixa ver se explico bem a mensagem que quero passar ao povo da ilha, da freguesia e fora dela, nomeadamente aos emigrantes, “filhos” da freguesia da Serreta:

Vamos trabalhar por Nossa Senhora” é o lema que constantemente me assalta a mente.

Para o ano de 2016 fui nomeada mordoma da festa, com mais três elementos: Paulo Simão, Sónia Melo e Dinarte Pavão.

Seja com rifas, seja com festivais (alcatras disto ou daquilo, sopas, etc.), ofertas, donativos e patrocínios diversos, são ideias para o melhor caminho a procurar para financiamento da festa diurna e noturna. Vejamos:

* No sábado é tradição haver o concerto da Filarmónica Recreio Serretense e o fogo preso.

* No domingo da missa solene e da procissão da Nossa Senhora dos Milagres, a parte noturna é patrocinada por apoios de quem quer ajudar a ter algo para diversão.

* Na tradicional segunda-feira (e que vem tendo despacho governamental para tolerância de ponto para a ilha inteira) há a tourada na praça, abrilhantada pela Filarmónica Recreio Serretense. Há custos que também tem de ter apoios de aficionados ou não. À noite convém continuar a divertir o povo que não se quer triste porque já bem basta alguns dias tristes do ano.

* Na terça-feira é ocasião também para o tradicional Bodo-de-Leite, com o que melhor se puder arranjar, mas que tenha alguns animais para serem benzidos pelo Reitor do Santuário, ou então nada feito. Da parte da tarde há a procissão de Santo António com a distribuição de merendeiras (“brindeiras”) e a brilhante atuação da Filarmónica de Recreio Serretense. Claro que à noite é necessário divertir o público que espera sempre ter algo de jeito para ver e ouvir.

* Na quarta-feira, vem de longa data, a tourada na via pública, junto ao Santuário, com um arraial marcado com os riscos nos lugares habituais e em todos as canadas, início e fim da mesma, e com toda a espécie de licenças e taxas, segundo ouço falar. Nunca estive integrada numa ação destas mas vai caber-me, junto com os restantes mordomos, essa tarefa que custa mais a quem a dá do que a quem a vê.

* Se for para continuar com uma vacada na quinta-feira só se for implorada e patrocinada em tudo, porque é sempre mais a gosto dos emigrantes que voltam à sua freguesia natal e estão saudosos de ver “uma brincadeira” na praça da Serreta.

O fim é que é nostálgico… Vê-se a Serreta cheia e barulhenta e depois fica o silêncio de casas, ruas e pessoas. Talvez só fiquem descansados os que foram nomeados mordomos, depois de tanto fazer para ter uma festa apresentável e digna de boa lembrança, e com caminhos varridos de toda a espécie do que se “atira ao caminho”. Precisa zelar-se pelo ambiente e não lixá-lo.

Valha-nos Nossa Senhora dos Milagres e os que sabem orientar-nos na execução de tudo a gosto do freguês, por já terem feito as mesmas tarefas de angariação de fundos, em anos anteriores.

O “Pão-por-Deus”, o S. Martinho, o Natal, o Carnaval, a Páscoa, os Bodos do Espírito Santo, o Dia da Freguesia, a oferta dos “filhos” emigrados da freguesia, os peditórios anuais, etc, serão sempre oportunidades de se fazer algo a favor da Festa da freguesia mais pequena na população e maior na devoção.

O que de ti desprenderes
Mesmo em pouca quantidade
Serve para ofereceres
À nossa necessidade
E serve para receberes
Honras da localidade!

Escrito em 22 de setembro de 2015, com validade prolongada e ao vosso dispôr desde agora até 2016.

Rosa Silva (“Azoriana”)

O "meu" Pico é lindo!

21.09.15 | Rosa Silva ("Azoriana")

O Pico com espiral de nuvem

(desconheço o autor, por favor, avise-me se é o autor da imagem)

O “meu” Pico é lindo de mais
Catedral de excelsa beleza
Que inspira os nossos jograis
A cantar a sua realeza.

Pico alto é de formas tais,
É montanha da nossa riqueza;
Não t’esqueço ó Pico, jamais:
Tu és pão e rosquilha na mesa.

Estás assente no reino de pluma
De azúis e alguns cinzelados;
Me cativas por todos os lados.

Espiral de chapéu há só uma
Numa união celeste, ao céu…
Ó que lindo é o Pico ilhéu!

Rosa Silva (“Azoriana”)

Após dez dias ausente, eis-me de volta...

21.09.15 | Rosa Silva ("Azoriana")

Muito há para contar depois desta ausência feliz. Em vez de palavras, troco-as por imagens que podem aceder através do meu Kanal, com o que consegui captar através do meu telemóvel e com a emoção contente. Estive ausente para o lado ocidental da ilha Terceira, escusado será escrever que foi para a Serreta e sua Festa anual, na segunda semana de setembro.

A maior das surpresas de uma terça-feira p.p. é que fui nomeada mordoma das Festas de 2016, junto com três elementos: Paulo Simão, Sónia Melo e Dinarte Pavão. Ideias não faltam, tradições a manter, trabalho nos espera. A Festa tem de se fazer com a colaboração dos residentes (poucos), dos amigos da Serreta e quem de nós se lembrar.

Uma coisa é certa... a nossa porta está aberta para vos receber.

Por agora fiquem com as imagens em slide e em vídeo, no vosso aparelho televisivo.

Canal nº 855035 – Azoriana no MEO Kanal

Também no Facebook se encontram alguns vídeos e imagens com a qualidade que se pode arranjar com o meu meio de captação.

Parabéns à Comissão das Festas da Serreta 2015 e que o seu testemunho nos possa abrir caminhos de inspiração.

Rosa Silva ("Azoriana")

"Histórias d'Assombração", do Dr. Luiz Fagundes Duarte

11.09.15 | Rosa Silva ("Azoriana")

de Luiz Fagundes Duarte

Aos onze dias do mês de setembro do ano de dois mil e quinze chegou-me à mão e visão, por via dos CTT de Angra do Heroísmo, um livro de noventa e seis páginas, cujo título é “Histórias d’Assombração”, do autor Luiz Fagundes Duarte, que, por sorte, é meu conterrâneo desde que calcorreei os mesmos caminhos e ruelas que ele, pese embora a faixa etária ser um nadica diferente.

Logo de início, página 14 (1+4=5) encontrei algo que me fez pensar. A data de março de 1986, quatro meses antes de o meu primogénito nascer. Tem data de 22 a 30 de março e o primogénito nasceu a 25 de setembro. Deu-me logo um toque no coração. Que distraída estava eu para não saber destas escritas que tanto gosto de ler com todas as atenções.

E o resto? Ai, meu Deus e Nossa Senhora! À página 19 já as lágrimas me impediam de descortinar as letrinhas miúdas para a minha vista que se vai tornando fraca e pouca. Estou como que a ver o “filme” todo do que se passava noutras eras com a devoção a Nossa Senhora dos Milagres. Tudo escrito de forma cénica e verdadeira, como esta parte “era a senhora grande de corpo pequeno, a imagem pobre de riquezas adornada” (página 20).

Daqui para a frente até à página 28 li com atenção desmedida. Maravilhei-me como quem faz uma “descoberta” de um tesouro. Percebi, finalmente, a importância do que se deixa escrito para os vindouros e, igualmente, percebi o que “mais conto menos conto” ouvia dizer dos acontecimentos seculares que também gostava de vasculhar.

Na próxima parte, não menos interessante mas mais intrigante, continuei ávida por conhecer mais estórias… e ri-me com a página 30 (“livros na Serreta eram coisa de espanto”) noutros tempos longínquos, já se sabe. E aquela parte de “evoluções das tripas da terra” foi uma expressão de mestre, do Dr. Fagundes Duarte.

Com a mesma idade de Jesus, estagnei na mesma página 33: uma morte na Serreta! Assassínio, quem diria!? Tenho que continuar a ler… Ufa!… É esta a lava de escrita que nos faz rebentar de assombro… Continuo a leitura, é impossível parar agora, mesmo depois de apreciar a expressão poética “uma baixa à flor das ondas”. Ei que coisa linda! Ai rir que apetece na página 38… e só parar a risada na 42… Veremos se vem mais atração nas restantes.

Ai palavras que aprendi a escrever certinhas e não de ouvido… Assim é que é. Aprender até morrer.

Já em avançada leitura estremeci eu “um filho reconhece sempre a voz da mãe”… é certo, confirmo! Tenho de perceber os "sinais" da minha falecida mãe, é certo. (página 64, número corresponde aos dois últimos dígitos do ano em que eu nasci)…

A da terra tremer durante o mês de “um maio” e da procissão dos abalos sempre de 30 do mesmo mês, eu sabia, mas a expressão de “arrotos da terra” essa é novidade poética, com um “brilho” na leitura. E também foi em maio de 1760 que a Capelinha de Nossa Senhora dos Milagres surgiu na “nossa” Fajã, fez em maio de 2015 os seus 255 anos. Ninguém se importará, pois não? Fagundes Duarte e eu e mais alguém, tenho a certeza, importamo-nos e muito. Só não sei do araçaleiro que seria suposto ainda subsistir a tudo e todas as intempéries.

Querido Fagundes Duarte posso chamar-lhe assim, posso? Amei o seu livro! Adorei! Seja ficcionado ou não, seja pequenino, seja o que lhe quiserem atribuir, o que sei é que acabei com gotas escorrendo do olhar da lembrança de uma terra que me orgulha e muito de ter tido um berço na Canada da Vassoura, com um mar inteiro na minha frente e uma serra pequenina no costado.

Da próxima vez que nos virmos, frente a frente, quero dar-lhe um abraço daqueles que se sente o coração a pulsar de satisfação por ter lido as suas “Histórias d’Assombração”, tudo por causa de um tal Tavares...

Bem-haja, Dr. Luiz Fagundes Duarte!

2015/09/11

Rosa Silva (“Azoriana”)

À "Rádio Voz dos Açores", sediada em Santa Bárbara - ilha Terceira

10.09.15 | Rosa Silva ("Azoriana")

Viva quem dá sua voz
À rádio açoriana
Com a língua dos avós,
Genuína e soberana.

"Do Atlântico para o mundo"
É o lema estruturante
Que na verdade é no fundo
Séquito do emigrante.

Viva quem faz o bem
Sem sequer olhar a quem
Com Açores em sintonia.

Santa Bárbara, Terceira,
Para quem ouve é primeira:
Voz dos Açores é alegria!

Rosa Silva ("Azoriana")

 

Atenção: A "Rádio Voz dos Açores" e o programa "Voz dos Açores", de Euclides Álvares estará em direto no sábado (à noite) e domingo da Festa da Serreta 2015 acompanhando o evento maior da Senhora dos Milagres. Fui convidada para acompanhar na emissão o amigo Euclides Álvares que está de férias na sua terra natal - Santa Bárbara, da ilha Terceira.

Se gostas do que é nosso e que se ouve além fronteiras sintoniza a Diáspora Group: Rádio Portugal USA e/ou a Rádio Voz dos Açores, nos diretos quase, quase em emissão (12 e 13 de setembro de 2015)

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