29.09.19 | Rosa Silva ("Azoriana")
As ilhas tem outra cor Na pequenez do seu nada O verde tem seu valor E o azul maior camada. As ilhas tem outro cheiro Natureza perspicaz Tem um quadro pioneiro Em tudo o que o ilhéu faz. Só quando a mãe natureza Se exalta em algum dia Faz pausa na sua beleza E um traço na alegria. Mas ao passar da tormenta Volta a ser pura e bela Naquilo que não sustenta Nós cuidaremos dela. Ai tanto que eu já vi, Nestes rochedos do Mar, Com a Terra aprendi O que tira e pode dar. E quando há réstia de medo Aprendi ao Céu orar Olhando a Cruz do segredo Que faz o medo passar. Em oitenta nasci de novo Numa ilha a balançar Entre pedras e um povo Que reconstruiu o seu lar. Brinquei, chorei e... sorri, Amei ao ritmo de ilhoa; E se ainda estou aqui É p'ra rimar sem que doa. 29/09/2019 Rosa Silva ("Azoriana")
29.09.19 | Rosa Silva ("Azoriana")
É cantador calmo e fino Com recorte inspirado Tem proteção do Divino E a fama do seu lado. Se à Praia um dia for Carregando o meu alforje Será para ir compor Quadras com o Paulo Jorge. De S. Carlos sou agora E já me vejo à rasa Não deixei Nossa Senhora Mas deixei a minha casa. A Serreta não me escolhe Pra cantar na freguesia Talvez para mim não olhe Com os olhos da cantoria. No Pezinho de Luís Bretão Estive na tua fileira Segui minha inspiração Feliz à minha maneira. Estava aquela casa bela Cheia de gente ouvinte Há onze anos fiz naquela A primeira e a seguinte. Nossa moda do Pezinho É um canto de doçura, Uma graça, um carinho A quem ama a Cultura. Não me vou alongar mais Neste que é vício meu Quando achares que é demais Responde com o canto teu. Rosa Silva ("Azoriana")Resposta de Paulo Jorge Martins Ávila: Ó grande cantadeira Ó exímia poetisa Ó pérola da Terceira Ó jóia que improvisa. Ó deslumbrante poetisa Ó sílaba e mestria certa Ó humildade de alegria Ó perfil minha porta aberta. Ó Rainha a Deus consagres Ó profecia pura da serra Ó brisa sabes, os milagres Ó briosa só fora da terra. Ó alegria do pezinho Ó coração de bondade Ó riso de tanto carinho Ó pureza de humildade. Ó pulsar do coração Ó circular da veia fria Ó sábia o Luis Bretão Ó brio ele sabe de poesia. Ó estimulante fulgor Ó sincero coração Ó Rosa o que tem valor Ó voz entra na casa do Bretão. Ali é a Catedral das cantigas Lá se encontra verbo amar E levas o selo para que sigas Direta para o palco cantar. A minha época passou Dizem os pensamentos Sou um pano que voou Para estes novos talentos. A improvisar nada faço Por ser pobre no improviso Dedico-te um beijo e abraço E estou às ordens se é preciso. 29/09/2019 Paulo Jorge