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Açoriana - Azoriana - terceirense das rimas

Os escritos são laços que nos unem, na simplicidade do sonho... São momentos! - Rosa Silva (Azoriana). Criado a 09/04/2004. Angra do Heroísmo, ilha Terceira, Açores. A curiosidade aliada à necessidade criou o 1

Criações de Rosa Silva e outrem; listagem de títulos

Em Criações de Rosa Silva e outrem

Histórico de listagem de títulos,
de sonetos/sonetilhos
(940...pausa... 981)

Motivo para escrever:

Rimas são o meu solar
Com a bela estrela guia,
Minha onda a navegar
E parar eu não queria
O dia que as deixar
(Ninguém foge a esse dia)
Farão pois o meu lugar
Minha paz, minha alegria.

Rosa Silva ("Azoriana")

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Com os melhores agradecimentos pelas:

1. Entrevista a 2 de abril in "Kanal ilha 3"



2. Entrevista a 5 de dezembro in "Kanal das Doze"



3. Entrevista a 18 de novembro 2023 in "Kanal Açor"


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O Queimado na Serreta

15.07.23 | Rosa Silva ("Azoriana")

Ó que lugar que me prende
O olhar quando o vejo
Caio logo num solfejo
Na maresia que entende.

Ó que foto maravilhosa
Do Queimado, diz-se bem,
Noutro tempo esta Rosa
Não o via assim, do além.

Como é lindo nesse plano
Bordado de uma alvura
O rochedo açoriano
Que eleva sua figura.

Muita gente já pescou
E também já viu pescar
Uns tantos também levou
Afunilados no mar.

Quando um dia eu me for
Atirem uma rosa ao mar
Assinalando o Amor
Que eu tinha por este lugar.

Mais flores eu não preciso
Quero apenas tua rosa
Vestindo meu improviso
Na rima harmoniosa.

Rosa Silva ("Azoriana")

Devaneios

14.07.23 | Rosa Silva ("Azoriana")

O gato mij@ na cama
A gata c@g@ na banheira
E a máquina não derrama
O técnico abre a torneira.

A dona partiu pratos,
Ficou sem congelador,
E as "pipetas" para os gatos
Já vieram pra se pôr.

E com tanto prejuízo
Ao longo de uma semana
Está perdendo o juízo
Esta Rosa Azoriana.

Ainda faltam as janelas
E o conserto do portão
Se vierem mais mazelas
Tenho de ter mais um patrão.

Pois quem tira e não põe
Como dizia o ditado
Minga e não se repõe
Fica o caldo entornado.

Mas já chega de contar
Aquilo que nem se deve
Pois alguém vai "escutar"
E ao riso já se atreve.

Agora a tosse maldita
Anda à noite a rondar
Nem por isso é bonita
E rouca me faz andar.

Se isto fosse a cantar
Talvez tivesse outro efeito
Mas eu gosto é de rimar
Seja assim ou de outro jeito.

Rosa Silva ("Azoriana")

Metade

14.07.23 | Rosa Silva ("Azoriana")

Mote:

Não pedi para nascer
E na certa não pedia
Se soubesse que ia ver
Tanto mal no dia-a-dia.

Glosa:

Pode a terra virar mar
Pode tudo acontecer
Continuo a afirmar:
Não pedi para nascer

Pode o sol vencer a lua
Pode a noite virar dia
Não peço a sorte crua
E na certa não pedia.

A sorte é de quem a tem
E até pode nem a ter...
[Só te via q'rida Mãe]
Se soubesse que ia ver.

Tudo pode ser metade
Da metade que se cria...
Pena ver na minha idade
Tanto mal no dia-a-dia.

Rosa Silva ("Azoriana")

Um poema

10.07.23 | Rosa Silva ("Azoriana")

Só, às vezes dou por mim, sem me ver,
Recôndita na minha concha fria,
Que para alguém nem sequer, a cru, se via,
Um cálice de ânimo de bem-querer.

Não quero, e não posso, ficar em mim,
Corpete de cantar, sem sal na voz,
Sem tal maresia, do ser veloz,
Que me versa qual clarão de alfenim.

Enfim, nasce um poema, todo meu,
Esculpido na valsa de um "Cireneu"
Que nem me ajuda a carregar a cruz...

Se a cruz fosse a sorte que me faltava?!...
Deixem que ela me soletre, toda brava,
E me faça acreditar que sou da Luz.

Rosa Silva ("Azoriana")

A Serreta é minh'alma

08.07.23 | Rosa Silva ("Azoriana")

A Serreta é minh'alma
Minha fonte, minha oração,
Um louvor digno de palma
A quem lhe deita a mão.

A Serreta minha raiz,
Minha sorte, meu anzol
Da capela e chafariz,
Do coreto e do farol.

Continua sendo minha,
Mesmo depois de sair,
Mora lá Nossa Rainha,
Que nos chama a seguir.

Serreta de mil razões,
Para sempre lá voltar,
Nem que seja em refrões
Com a musa de rimar.

Rimo a rima do meu ser
Para ti que me acarinhas
E mesmo que não queiras ler
... procura nas entrelinhas.

A entrelinha é justa
Cabe bem no teu olhar
E para ti nada custa
Se a souberes divulgar.

Rosa Silva ("Azoriana")
Sociedade Filarmónica Serretense nas Sanjoaninas 2023- Reportagem de Honorato Lourenço/Rui Nogueira
Imagem da reportagem de Honorato Lourenço/Rui Nogueira

Desenhos

08.07.23 | Rosa Silva ("Azoriana")

O guarda-sol pró capinha
A corda para o pastor
A coroa pra rainha
Hóstia de Nosso Senhor.

Agulha prá costureira
A tela para o pintor
Um corno à cabeceira
Fará sempre algum furor.

O corno pode furar
E causar tamanha dor
E quem do corno provar
É da sopa provador.

E de cornos e cornadas
Há quem os tenha e faça
Mesmo as maiores marradas
Podem trazer a desgraça.

Rosa Silva ("Azoriana")

Bravura lilás, Bravo a quente

08.07.23 | Rosa Silva ("Azoriana")

Na mansidão do mato
O Bravo se pastoreia
Retendo na minha ideia
A doçura de um retrato.

É animal com bom trato
No mato onde passeia
De puro couro se asseia
No negrume do seu fato.

Ei-lo lindo, lindo amigo,
Só em letras te consigo,
Dar aquilo que mereces...

Fica assim, mesmo de frente,
E quando investires a quente
Mais bravura nos ofereces.

Rosa Silva ("Azoriana")

Nota: inspirada na foto de José Maria Botelho

Amargamente

04.07.23 | Rosa Silva ("Azoriana")

Não quero rios, nem mares,
Nem sóis, nem más ventanias,
Nem pedras, nem agonias,
Não quero a morte dos ares.

Não quero toldos, teares,
Nem ramos, nem cotovias,
Nem palmas, nem profecias,
Não quero ver mais esgares.

Se a vida é flor de carmim
E rosa em botão de mim
Que seja enquanto sou viva...

A vida é tábua de dor
Porquanto avesso do Amor,
Sem ver-te é mais que ferida.

04/07/2023

Rosa Silva ("Azoriana")