28.11.23 | Rosa Silva ("Azoriana")
Ando tão devagar ao compasso da vida Piso um golpe de água em conversa perdida Vejo o monte cerrado à vista de menina Nascida ao parapeito de bruma neblina. Sinto a pele viva à tona do mar Mesmo que me doa não saber nadar Vejo o monte aberto com cara de cão E falta-me tudo na palma da mão. Acho o corpo verde vestido de sol Finjo que adormeço na tez do lençol E vem-me à lembrança teu sorriso brando. E sonho contigo com laços de chumbo Na mente um deserto em que hoje sucumbo Só a rima me salva até não sei quando. Rosa Silva ("Azoriana")
22.11.23 | Rosa Silva ("Azoriana")
Onde encontro o que não quero Em qualquer outro lugar Onde o repouso sincero É presente sem rogar. É a paz que eu venero "A valsa onda do lar" E quanto mais dela quero Mais ela teima em se dar. Teima a vida ventania Teima uma onda selvagem Que impede uma viragem. E, com Deus, eu só teria O consolo de uma paz Que a vida não me faz. Rosa Silva ("Azoriana")
21.11.23 | Rosa Silva ("Azoriana")
Ser mãe é a maravilha Ser mãe é mesmo tão lindo Dar o beijo de bem-vindo No rostinho que nos brilha. E ser mãe de uma filha É reflexo do carinho O amor de nosso ninho Que se fixa numa ilha. Ser mãe foi o grande sonho Que em trio realizei E jamais esquecerei. Ser mãe é onde (re)ponho A letra do melhor fado Com meus três filhos ao lado. Rosa Silva ("Azoriana")
11.11.23 | Rosa Silva ("Azoriana")
Eis que o Bravo se apresenta No topo da pastorícia E quem com ele vai e tenta Deve ter bem certa a perícia. No prado é mestre de porte Para quem o vê da estrada E talvez tenha muita sorte Se nunca provar a cornada. Louvar-te que eu sempre possa Porque Bravo já és dos grandes Desta Casa que é bem nossa De José Albino Fernandes! Viva, viva a Festa Brava Da ilha Terceira Açores Que por tradição não se trava E tem grandes admiradores. Viva! Viva quem a estuda E a segue com alegria Da Terceira jamais se muda O Bravo da Ganadaria! Bem sei que não é que escolheste Ter do Povo toda a ternura Bravo touro tu já nasceste Com o laço da sã bravura! Rosa Silva ("Azoriana")
09.11.23 | Rosa Silva ("Azoriana")
Nasci no alto da serra Tecida com pé-de-flor É entre o mar e a terra Que o meu verso ganha cor. Corre em mim a teoria De tudo o que vi primeiro Seja de noite ou de dia O verso é meu companheiro. Rosa Silva ("Azoriana")
05.11.23 | Rosa Silva ("Azoriana")
Marinheira de Deus perto, Glória da sua gente, São Mateus a céu aberto É a Vila diligente. E é Vila abençoada Mais do que a gente pensa Com seu porto em arcada Numa calheta imensa. E as Torres que encimam O seu vale piscatório Apregoam e estimam, O sucesso meritório. Muito além do que se diga Há de cair sempre em graça No refrão de uma cantiga E na voz que bem lhe faça. Rosa Silva ("Azoriana")
Nota: inspirada na linda foto de capa do sítio da Junta de Freguesia (Vila de São Mateus da Calheta)
04.11.23 | Rosa Silva ("Azoriana")
Ai, quem me dera ouvir Tu a leres o que escrevo Tinha alegria a seguir E nem por isso te devo. E cantar? Com a tua voz De jovem ou mais madura Cada verso sai veloz Neste jardim de cultura. A cultura ideal É o ramo do ilhéu Com a raiz regional Entre terra, mar e céu. A raiz do ser humano Está no sangue da pessoa No caso açoriano Muito mais se apregoa. Rosa Silva ("Azoriana")