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Açoriana - Azoriana - terceirense das rimas

Os escritos são laços que nos unem, na simplicidade do sonho... São momentos! - Rosa Silva (Azoriana). Criado a 09/04/2004. Angra do Heroísmo, ilha Terceira, Açores. A curiosidade aliada à necessidade criou o 1

Criações de Rosa Silva e outrem; listagem de títulos

Em Criações de Rosa Silva e outrem

Histórico de listagem de títulos,
de sonetos/sonetilhos
(940...pausa... 981)

Motivo para escrever:

Rimas são o meu solar
Com a bela estrela guia,
Minha onda a navegar
E parar eu não queria
O dia que as deixar
(Ninguém foge a esse dia)
Farão pois o meu lugar
Minha paz, minha alegria.

Rosa Silva ("Azoriana")

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Com os melhores agradecimentos pelas:

1. Entrevista a 2 de abril in "Kanal ilha 3"



2. Entrevista a 5 de dezembro in "Kanal das Doze"



3. Entrevista a 18 de novembro 2023 in "Kanal Açor"


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29/01/2024. Pincel de água

29.01.24 | Rosa Silva ("Azoriana")

Pincel de água

Última segunda-feira de um janeiro quase a virar a folha para amanhecer de novo fevereiro de 29 auroras. Como serão essas manhãs?! Como a de hoje?

Pincel de água

Na vidraça pincelada
De água fria e bem fresca
Não há vista pitoresca
Há negrume na estrada.

Ao longe nada, de nada,
Apenas sombra dantesca,
Pluma cinza, gigantesca,
Presa ao Monte, agarrada.

Eu... fico a cismar, somente,
Através de uma vidraça,
Que se veste fria ou quente.

No mural a fria cor,
Que até pode ter graça,
Para um pincel amador.

Rosa Silva ("Azoriana")

Que saudade tão imensa

27.01.24 | Rosa Silva ("Azoriana")

Que saudade tão imensa
Mais do que a gente pensa
Da "conchinha" desse mar.
Ao primeiro ano de idade
E além da puberdade
Fui feliz por visitar.

Conheci avós paternos,
Nos abraços e gritos ternos
Que nunca mais esqueci.
Tios, tias, primos, primas,
No trabalho das vindimas,
E da pesca onde me vi.

Do peixe, a dar c'um pau,
Não lembro é de bacalhau,
Dos inhames com linguiça;
Na volta, à terra de cá,
Vinha mais peso de lá,
E à salsicha submissa.

Vésperas, bolo-tijolo,
Que bonito aquele rolo,
Feito por mão consolada,
Molho verde, aguardente,
A brandura do pão quente...
Nem por isso massa sovada.

Barquinhos de canivete,
Da madeira da retrete,
Da pedra em cima da telha;
Dos porcos mui bem tratados
Gamelada em todos os lados
Quase sempre em aparelha.

Lembro a tia Margarida,
Dizem que sou parecida,
Foi a mais nova a partir;
Com os pais, marido e filho,
Já seguiram novo trilho,
Oxalá seja a sorrir.

Fecho os olhos e 'inda vejo,
O mar sempre em solfejo,
No seu belo marulhar...
Da ponta do alto muro,
Ainda no sonho apuro
A pena de não mergulhar.

Aos que se lembram de mim,
Há a saudade sem fim,
Há o grito pela volta...
Mas não sei o que acontece,
A vontade prevalece,
Só a ida não se solta.

Rosa Silva ("Azoriana")

ImaginAndo

26.01.24 | Rosa Silva ("Azoriana")

Rosto

A meu ver, tão somente,
Numa costa imponente
Há o lado que dá gosto
Costa alta e soberana
Cuja forma não engana
Se a nomear de Rosto.

Vê o mar que tudo engole
E a outros faz o rol
Do corrico para sustento
E fui eu que descobri
O lado que não se ri
Fustigado pelo vento.

A Serreta se orgulha
Deste Rosto que marulha
Numa lágrima salgada
Mas confia e vai por mim
Se o vês também assim
Tens a mente inspirada.

É autêntica beleza
Magistral de altitude
Espelho da natureza
Que espero que nunca mude.

Rosa Silva ("Azoriana")

Gostava tanto de ser

21.01.24 | Rosa Silva ("Azoriana")

Gostava tanto de ser
O que tu querias ver
Numa hora ou momento...
Mas o que sou e o que fui
Em nada mais se inclui
Porque vira como o vento.

E o vento é inseguro
Não se prevê se fará furo
Na minha imaginação...
Mas se o vento mal fizer
Que não seja o que quiser
Pra me tirar a razão.

A razão é tão sensata
Que a palavra me desata
Com apóstrofe ou não.
Mas eu tenho cá p'ra mim
Que se Deus me fez assim
É p'ra luz do coração!

Sou eterna prisioneira
Ao que deu a cabeceira
Numa terra de cometa
O meu ser veio a frio
Sei quem primeiro me viu
E me trouxe p'ra Serreta.

Rosa Silva ("Azoriana")

O mar de gente

13.01.24 | Rosa Silva ("Azoriana")

Somos onda de poesia
No mar alto a transbordar
Pela terra a bordar
A areia que extasia.

Somos praia que se cria
No verso de mergulhar
Que dança na foz do dia
Sem nunca querer parar.

Ó praia de Santa Cruz
Da bel'ilha de Jesus
Que na rima se asseia.

O teu mural é tão somente
A maresia de gente
Que por ti 'inda passeia.

Rosa Silva ("Azoriana")

A partida é...

13.01.24 | Rosa Silva ("Azoriana")

A partida é um luto
Para quem mais nos amou
Mas também será o fruto
Que em bom ramo ficou.

Não sei se alguém já disse
Aquilo que disse à hora
Mas também se for tolice
Que eu seja tola agora.

Rosa Silva ("Azoriana")

A José Maria Botelho

13.01.24 | Rosa Silva ("Azoriana")

Na casa da Azoriana
Pode vir a qualquer hora
Mesmo ao fim-de-semana
Abro a porta, sem demora.

Relíquias de antigamente
Em paisagem de encanto
É recordar que houve gente
Que por mim trabalhou tanto.

Sou grata pelo que tenho
Do tempo de tenra idade
Para lembrar que o empenho
É exemplo de verdade.

Quem gosta do que é seu
Não desbota seu passado
Porque houve alguém que deu
Presente mais alongado.

Abraço

Rosa Silva ("Azoriana")

Porco a nu, com rima

13.01.24 | Rosa Silva ("Azoriana")

Foi preciso vir janeiro
Para a matança chegar
E levar o ano inteiro
À espera de se banhar.

Tal banho eu nunca vi
Antes em nenhuma altura
Mas este que eu segui
É coisa que tudo cura.

É o porco mais famoso
A ver pla boa captura
José Eduardo é brioso
No trabalho que figura.

Só não entendo o formato
Da descida toda a nu
Da ideia não desato
Melhor de cara que c@.

Rosa Silva ("Azoriana")

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