21.07.24 | Rosa Silva ("Azoriana")
Mote: Ao trabalho me entreguei P'ra viver à força toda Do muito que já sonhei Nem por isso fiz a boda.
Glosa: Foi por forma de contrato Seguindo a força da lei Sempre cuidando do tratoAo trabalho me entreguei. Ia e vinha como tantos, Até areia vira ioda, Me escondia entre prantos,P'ra viver à força toda. Muito aprendi então, Nada no mundo inventei, Só fiz bem à RegiãoDo muito que já sonhei. Se o mal pode advir, De nos pôr cabeça loda, Afugentei, deixei ir,Nem por isso fiz a boda. Rosa Silva ("Azoriana")
21.07.24 | Rosa Silva ("Azoriana")
Amigos de cá ou lá Eu sei que podia ter Na América, Canadá, Bem mais que pudesse ser. Visitar também queria, Levar o dom que Deus deu, Celebrar a Cantoria, Ao peito do verso meu. Mas tenho a dor maior, De não ser aventureira, De me render ao pior, Que é "atar-me" à cadeira. Uma cadeira de ilusões, De amores e de penares, De medos e frustações, De risos e menos esgares. Sobretudo a inveja, Quero de mim afastar, E não haja quem se veja, Na pele do meu lugar. E viva mais quem por bem, Se abeire por ser querido, O dobro tenha também Do que tenha em sentido. Um beijo e um abraço, A quem me queira salvar, De ver flores no regaço, Pelo que possa doar. A ti, que ora me lês, Com gosto ou nem por isso, Não contes mais do que vês, Só conta o bem por serviço. Rosa Silva ("Azoriana")
21.07.24 | Rosa Silva ("Azoriana")
Em maio foi Espírito Santo, Em junho Sanjoaninas, Em julho de calor tanto Há festas pelas "vitrinas". Vitrinas da nossa ilha Que logo se envaidece De tanto que se partilha De tanto que não se esquece. São foguetes a estalar, São brindes de "fogo preso", São palmas que vão p'ró ar E ninguém se sente leso. Rios de gente no mar, Sorrindo, também gritando, Uns porque sabem nadar, E outros talvez pensando. E as estrelas ao luar, Convidam a ir à rua, Em cada festa e lugar A vontade se acentua. Os toiros de ganaderos, De novos e mais antigos, Se marram serão severos Mas jamais terão castigos. O povo vai porque quer, Enfrenta tal toiro bravo, Até se vê que a mulher Toureia, prova o que gravo. Só é pena que os carros, Inundem nossos folguedos, Valiam os autocarros, Outrora lindos enredos. Importa que haja festa A Santos e Padroeiros, Quem muito se manifesta São risos pelos terreiros. Os motes p'rá Cantoria, Encantam os Cantadores, Em quadras que são magia Nas ilhas destes Açores. E agora p'ra não maçar, Um discurso sem final, Só sei que quero Amar Para sempre o Carnaval. A alma do terceirense, Se expande em qualquer lado, A quem a voz também vence, Terá palco estrelado. Rosa Silva ("Azoriana")