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Açoriana - Azoriana - terceirense das rimas

Os escritos são laços que nos unem, na simplicidade do sonho... São momentos! - Rosa Silva (Azoriana). Criado a 09/04/2004. Angra do Heroísmo, ilha Terceira, Açores. A curiosidade aliada à necessidade criou o 1

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Meditações (glosAndo)

06.08.08 | Rosa Silva ("Azoriana")

Um livro é um tesouro nas prateleiras do mundo. Assim sendo, já tenho um bom quinhão a emoldurar as prateleiras da pequena sala de um apartamento sujeito às intempéries dos dias.

Esta introdução vem a propósito do livro que recebi, esta semana, vindo de Góis - Coimbra - Portugal, da simpática amiga D. Clarisse Sanches, que me recheou a dita sala, e principalmente a mim, de mensagens preciosas.

Mensagens cuidadas, bem medidas e perfumadas de talento é a conclusão a que eu chego. Algumas inspiraram-me glosas, que também aprendi com esta senhora, que nos dá uma rima calma e segura, ao contrário da minha, que é rápida e intempestiva. A prova está abaixo, que foi feita em pouco tempo e nem sequer a reli na altura que escrevi. Peço perdão pelos meus erros.

Na página 73, do livro "Quadras do Meu Outono", ressaltou-me esta quadra:

Mesmo caíndo, caíndo,
Com chagas e ligaduras...
Deus recebe-nos, sorrindo,
Levantados, nas Alturas.


C.B.S. (Clarisse Barata Sanches)

Glosa

Contra a dúvida, a certeza;
Contra o belo, vem o lindo;
Andam muitos em pobreza
«Mesmo caíndo, caíndo»

Contra o branco, vem o preto
Colado nas pedras duras,
Que nos fazem um carreto
«Com chagas e ligaduras...»

A fé é que é tão alva,
Acordada ou dormindo,
Se a levarmos sã e salva
«Deus recebe-nos, sorrindo»

Embora já não se veja
Almas tão boas e puras,
Vemos santos na Igreja
«Levantados, nas Alturas.»

Rosa Silva ("Azoriana")

E ainda na página 70, do mesmo livro:

Quem diz que não é preciso
Pensar, p'ra dizer direito?
Um discurso de improviso
Nunca fica tão perfeito.

C.B.S. (Clarisse Barata Sanches)

Glosa

Fico agora sem sorriso
E não me levem a mal...
«Quem diz que não é preciso»
A mudança mundial?!

Morrem pessoas na guerra
Trazendo a dor a eito.
Há que ter tento na terra,
«Pensar, p'ra dizer direito»

E no meu parco juízo,
Que anda sempre a galope,
«Um discurso de improviso»
Hiberna no envelope.

Peço a Deus, nas entrelinhas,
Que em rima seja feito:
Discurso em prosas minhas
«Nunca fica tão perfeito».

Rosa Silva ("Azoriana")

Voltando à página 53, do mesmo livro:

Morte não. Na festa brava
Basta de cena excitante,
Que aquele ferro que crava
É já tortura bastante.

C.B.S. (Clarisse Barata Sanches)

Glosa

«Morte não. Na festa brava»
'Inda às vezes acontece...
Por cá, isso nem se dava
Nem o toiro sequer merece.

«Basta de cena excitante,»
Aos olhos de quem não tem
Uma vontade constante
De fazer ao toiro bem.

«Que aquele ferro que crava»
O homem a tourear,
Nesta ilha, feita de lava,
Não faça a gente chorar.

«É já tortura bastante»
Saber que até pensam mal
Do povo que leva àvante
O gosto pelo animal.

Rosa Silva ("Azoriana")

Só para aproveitar o ensejo finalizo indo à página 56:

Uma alegria vivida
Enternece o sentimento,
Mas é sempre a despedida
Dum fantástico momento.

C.B.S. (Clarisse Barata Sanches)

Glosa

Estou muito agradecida
À Clarisse, lá de Góis.
«Uma alegria vivida»
Em glosa veio depois.

Mulher de bom pensamento
De valores, sãos atributos,
«Enternece o sentimento,»
Com dizeres tão astutos.

Homenagem já erguida
No céu tem esta senhora...
«Mas é sempre a despedida»
Que dá ao luar, aurora.

P'las falhas do meu intento,
Peço desde já perdão,
«Dum fantástico momento»
Vem versos do coração.

Rosa Silva ("Azoriana")

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