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Um dia normal

por Rosa Silva ("Azoriana"), em 22.09.08

E sem carros até às 19 horas. Apesar do sono ser movimentado por sonhos que tinham que ver com este dia “normal”, o dia começou cedo para contrariar o estado dos dias normais. É caso para acta assim: Aos vinte e dois dias do mês de Setembro do ano de dois mil e oito, um dia sem carros no centro da cidade património mundial – Angra do Heroísmo – eu, resolvi iniciar um percurso diferente. A angústia ia comigo, rua abaixo, na senda dos papéis para a aquisição de habitação. Um passo novo em terreno antigo existente e que chegou a hora de acreditar que possa ser meu, finalmente. Depois de saber a lista de documentos necessários, dirigi-me, à larga pelas ruas desertas de viaturas e cheias de gente, póneis, cavalos e carroças, jogos infantis e vários tipos de desporto colectivo para cidadãos na senda de um dia diferente, à rua dos registos que nos obrigam a tirar o cartão do “dinheiro da parede” do bolso da mala. Tirei-o umas quantas vezes e vi escapulir alguns “heróis”. Para quem tem pouco, nota-se logo a diferença e começa-se a pensar que os próximos dias serão de aperto e anormais. Que bom que este é um dia normal e que até vi um sorriso de uma senhora muito atenciosa que me explicou “tim-tim por tim-tim” os procedimentos normais numa situação normal para tanta gente. Quem já comprou casa sabe como é.

Nisto tive de voltar à residência habitual, que não é minha, para colher mais documentação, mas antes passei na edilidade angrense para receber mais sorrisos juntamente com plantas e licenças. Nada melhor que um sorriso no atendimento geral da população, sejam mal encarados ou não. Se me viram mal encarada foi porque esta situação, mesmo não sendo nova para mim, traz-me sempre alguma angústia à mistura com o desejo de ter tudo conforme mandam as leis todas.

Não quero esquecer que uma senhora me deu bons conselhos e que, pela primeira vez, gostei do nome dela, ao contrário de outras senhoras com o mesmo nome. Cadernetas, plantas, licenças, bilhetes identificativos, comprovativos tributários, recibos e declarações, fichas e notas são um ramalhete asseado e que nos dão novas perspectivas vindouras. Não quero atirar foguetes antes da festa porque o melhor é esperar pela Festa. Nem sei se vai haver festa depois de deitar os olhos no que por aí virá. Só sei que este dia não passou de um dia vulgar no início de tantos dias vulgares.

Por incrível que pareça até a chuva caiu para limpar o cheiro a excremento de animal que passeia meninos e meninas sorrindo ao dia sem carros. Imaginei que era pequenina e que me sentavam no costado daqueles póneis e que rebolava para o chão num piscar de olhos... É verdade isso aconteceu-me exactamente no dia que me sentaram em cima de um cavalo e eu vi o mundo a rodar lentamente e fiquei estatelada no chão a choramingar.

Hoje é tudo normal, sem lágrimas e sem carros!

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1 comentário

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De Rosa Silva ("Azoriana") a 22.09.2008 às 20:14

Mais uma história para a «Fábrica de Histórias» em resposta à solicitação em http://fabricadehistorias.blogs.sapo.pt/5115.html

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