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Criações de Rosa Silva e outrem; listagem de títulos

Em Criações de Rosa Silva e outrem

Histórico de listagem de títulos,
de sonetos/sonetilhos
(767 até agora)

Motivo para escrever:
Rimas são o meu solar
Com a bela estrela guia,
Minha onda a navegar
E parar eu não queria
O dia que as deixar
(Ninguém foge a esse dia)
Farão pois o meu lugar
Minha paz, minha alegria.

Rosa Silva ("Azoriana")

**********


Azoriana: 500 palavras, em verso, para a Fábrica de Histórias

por Rosa Silva ("Azoriana"), em 19.10.08

Dois lados de mim

O da prosa e o da rima,
O da noite e o do dia;
O de baixo e de cima,
Da tristeza e da alegria.

Também há sol e a lua,
O claro e o escuro;
O atalho e a rua,
O certo e o inseguro.

Há a dor e o prazer,
A verdade, sem mentira;
O coração a doer,
Quando alguém de mim te tira.

Há um lado mais feliz,
Outro que me faz chorar;
Há o topo e a raiz,
Que nada pode quebrar.

Há o novo e o velho,
Há o bem e há o mal;
Quando me vejo ao espelho
Encontro o lado mortal.

Porque a vida e a morte,
São apenas um só lado;
Há o fraco e o forte
Há o peso do pecado.

E das cores que mais gosto,
Juntam o mar e o céu:
É no azul que aposto,
Da ilhoa e do ilhéu.

É de rimas que me faço,
E de versos numa estrofe;
E na prosa me desfaço,
Quando me mexe o bofe.

Há o doce e o amargo,
Numa mistura frequente;
E do teu amor não largo,
Enquanto a gente for gente.

Há o mito e o real,
O simples e o complexo;
O quadrado e o oval,
O côncavo e o convexo.

O brilhante e o opaco,
O singelo e o apurado;
O partido faz-se em caco,
E o inteiro bem formado.

Há a fome e a fartura,
O largo e o apertado:
Há também a curvatura
Quando o corpo não é delgado.

Há o pico e há o vale,
Há o mar rodando a terra;
E que a voz se me não cale
Faça paz em vez de guerra.

Contra o ódio, o amor,
Contra a preguiça, o trabalho;
Tenho fé em Nosso Senhor
Que me acode quando ralho.

A aurora e o luar,
Que vestem o dia e a noite,
E me podem inspirar
E o verso ser mais afoite.

Mesmo que não venha a nu
  O pior lado de mim:
  Importa que não és tu
Que me fazes ser assim.

Sou jardim e sou deserto,
Sou Silva com algum espinho;
Tenho o meu peito aberto
P’ra nunca ficar sozinho.

E do lado do amor,
Desenho um coração,
Para quando eu me for,
Ele ficar na tua mão.

E se ódio encontrares,
No desenho que te deixo,
É melhor não lhe ligares
Não é de ti que me queixo.

O melhor dos meus escritos,
É o que fica em herança;
Nestes versos foram ditos
Os temperos da lembrança.

Abandonei o passado,
Assentei-me no presente,
Tenho o humor de lado,
Sem saber se vem p’la frente.

O desejo e a vontade,
Outros dois lados de mim,
Mas para falar verdade
Um dia chegam ao fim.

Como vão chegar ao fim,
Estes versos fabricados,
Como o doce de alfenim
Nos lábios adocicados.

Por lembrar da doçaria
Que é típica da nossa ilha:
Tudo de bom eu queria,
Como uma mãe quer à filha.

Rosa Silva (“Azoriana”)

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2 comentários

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jts a 19.10.2008

Depois de algum tempo de ausência não podia ficar indiferente a este novo trabalho poético da minha querida amiga, "ROSINHA"...!
Obviamente que não tenho palavras para comentar estas rimas maravilhosas, carregadas de verdade, de sentimento, e de grnde sabedoria popular.
Mas, quem conhece esta "azoriana" outra coisa não é de esperar.
Minha querida; para quando a publicação dos seus trabalhos?
Os computadores avariam e todo este trabalho se esvai...
As obras, as nossas obras serão eternas, se publicadas em livro.
Um grande abraço.
Teixeira da Silva
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Um grande abraço e obrigada pelas suas palavras sempre amistosas e valiosas.

O artigo seguinte contém um destaque ao seu comentário.

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Os escritos são laços que
nos unem na simplicidade
do sonho... São momentos!
Rosa Silva ("Azoriana")

DATA DA CRIAÇÃO
09/04/2004

A curiosidade aliada à
necessidade criou
o 1º artigo e continuou...
15 ANOS
2019/04/09


Não há rima para o tempo
Mas o tempo é uma rima
Que serve de passatempo
A quem o tempo estima.

in DI Domingo. Foto de António Araújo

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Azoriana/Açoriana
Azoriana/Açoriana
@ 2004 etc.

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Naturalidade:

Neste espaço residem pequenos fragmentos da alma serretense.
Um residente classificou-a como sendo fresca no clima e quente na hospitalidade. É, sem dúvida, uma freguesia fresca, pequena mas com uma grande alma.

É um "Cantinho do Céu", como a autora lhe chamou num dos seus artigos publicados.
Sob o pseudónimo de Cidália Miravento e na capa de "Azoriana", Rosa Silva vai reunindo coisas suas e de outros no intuito de divulgar a freguesia que lhe deu berço - SERRETA.

Bem-vindo à Serreta, a freguesia de Nossa Senhora dos Milagres desde 1/1/1862, do concelho de Angra do Heroísmo, ilha Terceira - Açores.




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