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Açoriana - Azoriana - terceirense das rimas

Os escritos são laços que nos unem, na simplicidade do sonho... São momentos! - Rosa Silva (Azoriana). Criado a 09/04/2004. Angra do Heroísmo, ilha Terceira, Açores. A curiosidade aliada à necessidade criou o 1

Criações de Rosa Silva e outrem; listagem de títulos

Em Criações de Rosa Silva e outrem

Histórico de listagem de títulos,
de sonetos/sonetilhos
(940...pausa... 981)

Motivo para escrever:

Rimas são o meu solar
Com a bela estrela guia,
Minha onda a navegar
E parar eu não queria
O dia que as deixar
(Ninguém foge a esse dia)
Farão pois o meu lugar
Minha paz, minha alegria.

Rosa Silva ("Azoriana")

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Com os melhores agradecimentos pelas:

1. Entrevista a 2 de abril in "Kanal ilha 3"



2. Entrevista a 5 de dezembro in "Kanal das Doze"



3. Entrevista a 18 de novembro 2023 in "Kanal Açor"


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A grande homenagem ao cantador JSBCharrua na Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Angra do Heroísmo

25.06.10 | Rosa Silva ("Azoriana")

Eis o desenvolvimento da Homenagem Póstuma no Centésimo Aniversário do Nascimento de José de Sousa Brasil CHARRUA, levada a efeito pela Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Angra do Heroísmo, no dia 25 de Junho de 2010. Foi inaugurada a Exposição Comemorativa deste Centenário com o espólio literário e fotografias deste cantador, que foi chamado de Mestre do Improviso, pelo cantador João Ângelo que também nasceu a 24 de Junho, dia de São João.

 

Jamais esquecerei esta efeméride e evento de capital importância para a nossa Região e para quem ama a nossa cultura popular e, mais propriamente, as cantigas de improviso. O Director da Biblioteca fez a apresentação digna desta Exposição, estando presentes o Director Regional da Cultura, o Presidente da Junta de Freguesia das Cinco Ribeiras, cantadores da actualidade, nomeadamente António Mota, Marcelo Dias, Agostinho Simões, José Fernando, Eduíno Ornelas, Manuel Castelão, Eng. José Eliseu Costa, Hélder Pereira, Maria Clara, João Leonel e João Ângelo, tocadores José Domingos Mancebo e António Martins, a família de Charrua – a filha Maria do Socorro Costa Brasil, o neto, a neta, a bisneta, funcionários da Biblioteca e outras pessoas convidadas para este evento, onde me incluo.

 

Foi assinado o livro de recordações pelos presentes e postos à disposição panfletos e uma biografia com transcrição fiel e exata das notas pessoais do poeta Charrua.

 

Após a apresentação seguiu-se as cantigas de improviso em homenagem ao maior cantador de todos os tempos. Perdoem-me as falhas na captação escrita do momento. Eis o que consegui anotar para vos dar a conhecer:

 

Primeira rodada de cantigas com cantadores actuais acompanhados pelos tocadores José Domingos Mancebo e António Martins.

 

1º António Mota

 

Boa tarde nossa gente

Que com a gente continua

Que presta sinceramente

Homenagem ao Charrua.

 

2º Marcelo Dias

 

Charrua homem que ainda brilha

Lhe presto homenagem com afecto

Saudando a sua filha,

Sua nora e seu neto.

 

3º Agostinho Simões

 

Charrua tanto que cantastes

Só nos resta recordar

Mas é pena que não deixastes

Quem faça o teu lugar.

 

4º José Fernando

 

Foi um rei sem usar coroa

Foi um doutor entre os sábios

Graça a tanta coisa boa

Que saiu dos seus lábios.

 

5º Eduíno Ornelas

 

... Camões no Continente

Com fama na sua poesia

Mas o Charrua no meio da gente

Tem a mesma categoria.

 

6º Manuel Castelão

 

Charrua pessoa pioneira

Conheci-o ... profundo

Porque levou o nome da Terceira

Às quatro partes do mundo.

 

7º Eng. José Eliseu Costa

 

Foi contido na alegria

Comparsa no divertimento

Foi sublime na poesia

Profundo no pensamento.

 

8º Hélder Pereira

 

A sua sã sabedoria

Trouxe à vida algo de novo

Agora a sua poesia

Vive na mente do povo.

 

9º Maria Clara

 

Minha homenagem já está aí

E vou saudar todos vós

Pois hoje posso e senti

Que ele está entre nós.

 

10º João Leonel

 

Quem seu passado conhece

Na sua curta passagem

Sabe bem que ele merece

Esta humilde homenagem.

 

11º João Ângelo

 

Deixou a imagem marcada

Que ainda hoje continua

E a moda a ser tocada

É sempre a moda do Charrua.

 

 

Segunda rodada:

 

1º António Mota

 

Morreu já não está cá

Jão não mexe mais o lábio

Creio que tarde será

Que nasça um outro sábio.

 

2º Marcelo Dias

 

Cantou na América e Canadá

Nesses Estados está presente

E não morreu porque ainda está

No pensamento da gente.

 

3º Agostinho Simões

 

Foi forte na poesia

Vou-vos dizer a verdade

E pra qualquer que o ouvia

Só lhe resta a saudade.

 

4º José Fernando

 

Para o Charrua toquei

E olha que foi mais que um dia

Tal pena que não cantei

Com esse Rei da Cantoria.

 

5º Eduíno Ornelas

 

Povo que está à minha beira

Minhas senhoras e senhores

Foi a beleza da Terceira

E a beleza dos Açores.

 

6º Manuel Castelão

 

Foi a beleza dos Açores

E deu-nos doutas maneiras

Foi até pai de cantadores

E glória das Cinco Ribeiras.

 

7º Eng. José Eliseu Costa

 

Ele foi no último milénio

O cantador mais erudito

Para mim ele foi um génio

E julgo que está tudo dito.

 

8º Hélder Pereira

 

Foram grandes saberes seus

Desde o mar até à serra

Hoje canta junto de Deus

E que não foi dito na terra.

 

9º Maria Clara

 

O Charrua calou o pio

A cantadores de Portugal

E a cantar ao desafio

Não haverá outro igual.

 

10º João Leonel

 

Penso estar escutando

Incutindo o meu respeito

Continua passeando

Na calçada do meu peito.

 

11º João Ângelo

 

Muitas cantigas ele fez

Pelos salões e pelas ruas

Eu nem sequer uma vez

Fiz uma igual às suas.

 

Terceira rodada:

 

1º António Mota

 

A vida ligeira corre

Os vivos desaparecem

Mas uma pessoa só morre

Quando os vivos o esquecem.

 

2º Marcelo Dias

 

Foi poeta de grandes obras

Talvez o melhor português

Eu só queria metade das obras

Que um dia o Charrua fez.

 

3º Agostinho Simões

 

Agora amigos meus

Nesta hora morta e calma

Eu só quero pedir a Deus

Que dê paz à sua alma.

 

4º José Fernando

 

Foi Charrua que lavrou

Muitos regos com magia

E a seguir neles semeou

As sementes da poesia.

 

5º Eduíno Ornelas

 

Doutor tens vantagem

E nela tens categoria

De fazeres esta homenagem

A gente da tua freguesia.

 

6º Manuel Castelão

 

A homenagem está perfeita

Certo peso em nós aqui recai

Porque a sua filha aceita

A sabedoria do pai.

 

7º Eng. José Eliseu Costa

 

Qualquer que fosse o tema

Fazia com elevação

De cada quadra um poema

Do poema uma lição.

 

8º Hélder Pereira

 

Muito andou por essa rua

Subiu aos palcos afinal

Mas onde cantava o Charrua

Estava cheio o arraial.

 

9º Maria Clara

 

A Charrua dizem obrigado

Pois agradava a toda a gente

Ele foi cantador no passado

Mas está vivo no presente.

 

10º João Leonel

 

Às vezes eu ficava raivoso

Dizia ao Charrua quem sou eu

Mas hoje sinto-me orgulhoso

Das lições que ele me deu.

 

11º João Ângelo

 

No estrangeiro ou nos Açores

Que a gente tenha algum juízo

Quando se falar em cantadores

Ele é Mestre do Improviso.

 

Agradeço reconhecidamente a todos que contribuíram para a felicidade e emoção que, de certeza, estavam estampadas no meu rosto, nomeadamente ao convite que me foi dirigido pelo Dr. Marcolino Candeias para estar presente neste acto inaugural. Agradeço também ao amigo Luís Brum, autor do blog “Bagos d’Uva” pela cedência de algumas fotografias que tanto pode ver no seu blog como no meu álbum de fotos do SAPO.


 

Charrua

1910-2010

 

Não deixem de visitar

Esta nobre Exposição

Espólio a perpetuar

O Cantador de eleição.

 

Uma homenagem sentida

Feita por quem lhe quer bem

Lembrarei por toda a vida

O poeta que o céu tem.

 

Estas quadras repentinas

Carregam o meu afecto

Português das cinco quinas

Meu cantador predilecto.

 

Charrua, ilustre poeta,

Rico de tantos louvores,

Atingiste a tua meta

Muito além dos teus Açores.

 

Hoje tiveste ternura

Nas cantigas de homenagem

Na exposição que inaugura

Teu espólio e imagem.

 

Meu amor pela Cantoria

Já deu provas cordiais

Hoje maior alegria

Trouxe para os Folhadais.

 

No Bilhete de Identidade

Tinha o ano rasurado

A mim deu felicidade

Plo toque que me foi dado.

 

Se for viva em Agosto

No dia da tua freguesia

Quando o sol se fizer posto

Cantarei como alguém queria.

 

Angra do Heroísmo, 25 de Junho de 2010

 

Rosa Silva (“Azoriana”)

 

 

P.S.: Eu já tinha escrito outro texto e quadras, mas devido à emoção perdi tudo o que tinha escrito. Voltei a escrever e surgiram novas quadras. Começo a acreditar em coincidências…

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