Em Angra está assim: «Cada cabeça, cada sentença»
Sempre foi assim e assim será. A pluralidade de ideias grassa nos últimos tempos. Uns dizem que “SIM” e outros “NÃO” e, ainda outros, encolhem os ombros naquela máxima “NIM”. Por mim, que gosto muito mais de rima do que de prosa (s) fico-me pela leitura das duas partes (“sim” e “não”), na tentativa de discernir quem terá a razão (ou o coração) do seu lado.
Não gosto de avançar ideias próprias porque não sou como o meu falecido pai que via a obra pronta antes de ela começar. Dou-vos um exemplo caseiro:
Quando mudei para a minha actual casa, encontrei necessidades várias de remodelação, quer por estragos quer por desconfiança de vir a estragar num abrir e fechar de olho. Resolvi derrubar um armário improvisado para lava-louça que estava possuído de bicharada. Adquiri um novo a preço acessível à minha bolsa que não durou tempo suficiente para guardar boas recordações. A água fez com que fosse desfazendo aos poucos e ficou com um aspecto dantesco.
Enfim, “quem se veste de ruim pano, veste-se duas vezes no ano” é um ditado muito antigo e sem prazo de validade. Claro que me vi obrigada a adquirir novo armário pelo custo da metade (estava em Saldo). Bendita a hora que os comerciantes resolveram reduzir para metade o preço das coisas. Já deviam ter feito isso há mais tempo, uma vez que 1 euro convertido para o escudo resulta em 200 escudos e qualquer coisita. O que antes custava 50 escudos agora custa 200 escudos ou mais, porque 50 cêntimos (metade de 1 euro) convertidos dão 100 escudos e qualquer coisita. Mas em vez de irem para 50 cêntimos vão directamente para o euro inteirinho. Adiante…
O que me apraz dizer é que a minha cozinha parece outra. Está bonita e como é dado, até ver. Armário jeitoso e novinho em folha, deu logo um outro ar ao ambiente caseiro.
E mais… (só para exemplo). Pessoalmente tenho um modo de estar que pode não agradar aos conservadores. Gosto de mudar os móveis de um lado para o outro e não me contento ver, a longo prazo, a mesma disposição ornamental. Gosto de refrescar o lar com ares de mudança. “Não é defeito é feitio”, como canta um conjunto açoriano. Adiante…
Isto tudo a propósito de uma Praça Velha que anda a querer ser Nova. A “Nova Praça da Restauração” até ficava com uma boa sigla “NPR” desde que não fosse coincidente com alguma cor partidária.
É normal que haja gente a favor e gente contra a nova ideia para abrilhantar o centro citadino. Acho graça que tudo o que Angra do Heroísmo queira modernizar leva chumbo, salvo seja, mas se for a Praia da Vitória todos parecem consentir no “sim”. E até acho que a Praia da Vitória está muito mais à frente que Angra do Heroísmo, num certo sentido.
Ultimamente, gosto muito de ir à Praia da Vitória. E porquê, perguntam os que me lêem (se tiverem paciência para aturar uma prosa longa). Já respondo:
- Porque não têm medo de mudar as ruas, as montras, as rotundas… Só não mudam a areia porque faria muita falta a quem quer ganhar uma tonalidade dourada no Verão.
Caramba, até para mudar uma árvore, um banco e consertar o chão partido é preciso um REFERENDO com bastante alvoroço de opiniões de “sim”, “não” e, daqueles, como eu, do “nim”. Modernizem o que for preciso para trazer gente para o centro de Angra do Heroísmo, sobretudo ao fim-de-semana, em vez de preferirmos a Praia da Vitória e ouçam as opiniões construtivas a bem da mui nobre e leal cidade, que por ser património mundial não quer dizer que apresente um sinal de desleixe e falta de cuidado paisagístico.
Rosa Silva ("Azoriana")








